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Home Colunas

NANI, O MAIOR CARTUNISTA NANICO

Por Ediel Ribeiro
30 de janeiro de 2019 - 11:22
em Colunas
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Rio – Conheci Nani em 1988, aqui n´O Dia, quando ele publicava a tira Vereda Tropical, no Caderno D.

A tira – atual, ainda hoje – satirizava a situação político-social do Brasil. Os personagens principais eram: Veizim, um velho índio amarelo de cabelos brancos; Turuna, um índio de pele alaranjada; e Fernandias, um personagem que é uma paródia de Fernão Dias. 

Nani, que inteiro é Ernani Diniz Lucas, nasceu em 27 de fevereiro de 1951, em Esmeraldas, cidade pequena perto de Belo Horizonte.

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Começou sua carreira em BH, em 1971, publicando charges em O Diário. Seu humor ferino e debochado chamou a atenção de um editor que o convidou para vir para o Rio de Janeiro para trabalhar no O Jornal.

Nani já era apaixonado pela cidade. Sonhava vir para o Rio e trabalhar no O Pasquim, aquele jornal irônico e debochado, onde seus ídolos publicavam seus desenhos.

Ao chegar ao Rio, em 1973, conheceu Henfil. Cartunista e mineiro como ele. Henfil o mandou ir para a redação do Pasquim e colar no Jaguar. "Jaguar sabe tudo", disse Henfil.

A partir daí, ele chegava diariamente com 30, 40 cartuns, na redação do O Pasquim. Jaguar, já de saco cheio, dizia: "Ô, Nani, pelo amor de Deus, eu não tenho como publicar tudo isso, são todos bons, senão vou publicar só os teus cartuns e não publico mais nada no jornal. Por que você não vai tomar umas cachaças?

Nani seguiu os conselhos do Jaguar e virou parceiro constante dos jornalistas, Tarso de Castro, Sérgio Cabral e do próprio Jaguar, entre outros, pelos botecos da cidade. 

Um dia, o fígado não resistiu e o cartunista  foi internado no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UERJ, para um transplante de fígado. Depois de algum tempo na fila da Rio-Transplante, finalmente, recebeu um orgão novo, mas seu organismo rejeitou o órgão durante a cirurgia, deixando o artista em coma. A equipe de médicos retirou o fígado, e depois de mais duas tentativas,  Nani, finalmente, recebeu um órgão compatível.

Em 1973, junto com seis outros artistas, criou O Pingente jornal que teve vida curta.

No Rio, trabalhou no Jornal dos Sports,  substituindo Henfil, que foi para os Estados Unidos se tratar da hemofilía

Foi também chargista do Jornal da Globo, Última Hora, Diário de Notícias, Tribuna da Imprensa, O Cartoon e da MAD brasileira.

Era muito amigo do Adail, outro genial cartunista. Um dia, antes de casar, chamou Adail para substituí-lo no Jornal dos Sports. Numa das visitas que fez a sua casa, Adail (espírita fervoroso) notou um cartum pendurado na parede em que Nani retratava Jesus Cristo crucificado. Adail achou aquilo uma heresia e desde então tentou de todas as formas converter o boêmio e ateu, Nani, ao espiritismo. Não conseguiu.

Além de cartuns, charges, quadrinhos e textos para a TV , Nani adora escrever histórias de detetives. Suas histórias fazem bastante sucesso. Aldir Blanc, outro escritor aficcionado em histórias de detetives, afirma que o melhor detetive é o do Nani.

Nani é bom em tudo o que faz.

O cartunista é autor dos livros "Feliz e orgulhoso, envaidecido mesmo", "Cachorro quente uivando para a lua", "A traça de A a Z" (livro que ensina as crianças a se familiarizar com o alfabeto), "Jornal do menininho" e "Se arrependimento matasse".

Pela L&PM já publicou "Batom na cueca", "É grave, doutor?", "Foi bom pra você?", "Humor politicamente incorreto" e "Orai Pornô".

Jaguar disse uma vez que ele e o Nani tem uma qualidade em comum: não sabem desenhar. Discordo do mestre. Nani desenha muito, e, ainda por cima, é o melhor cartunista em atividade no Brasil.

Hoje, Nani não bebe mais. Mas, ainda assim, é um prazer sentar com ele num boteco e ouvir sua histórias. 

*Ediel é jornalista, cartunista e escritor.

Ediel Ribeiro

Ediel Ribeiro

"Coluna do Ediel" Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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