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Home Notícias Internacional

Na ONU, Lula defende Pix, regulação das big techs e soberania; Trump destaca poder militar dos EUA

Presidente brasileiro pediu regras globais para inteligência artificial e afirmou que país “não cabe no quintal de ninguém”; na sequência, Trump ressaltou capacidade militar americana e expansão da produção de armamentos

Por Redação
22 de setembro de 2026 - 12:19
em Internacional
Na ONU, Lula defende Pix, regulação das big techs e soberania; Trump destaca poder militar dos EUA

Foto: Ricardo Stuckert

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu nesta terça-feira (22) o debate de alto nível da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, com um discurso marcado pela defesa da soberania brasileira, do Pix, da regulação das grandes empresas de tecnologia e da criação de regras internacionais para o desenvolvimento e uso da inteligência artificial.

Lula também voltou a cobrar mudanças na estrutura da ONU, criticou a incapacidade do Conselho de Segurança de responder aos conflitos internacionais e condenou interferências externas nos assuntos de outros países.

Em uma das frases de maior repercussão do pronunciamento, o presidente afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”, ao defender a autonomia dos países latino-americanos diante das disputas entre as grandes potências.

“Diferenças ideológicas não devem ser obstáculos para a maior integração entre vizinhos”, afirmou.

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Sem mencionar diretamente os Estados Unidos nesse trecho, Lula criticou a divisão do mundo em áreas de influência e o que chamou de “investidas neocoloniais por recursos estratégicos”.

Pix entra no discurso de Lula

O presidente também levou para a tribuna da ONU uma das questões que provocaram atritos entre Brasil e Estados Unidos: o Pix.

Lula afirmou que o governo brasileiro não aceitará pressões de empresas estrangeiras contra o sistema de pagamentos instantâneos administrado pelo Banco Central.

“Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso Pix”, declarou.

O presidente definiu o sistema como uma infraestrutura pública e gratuita que ampliou a inclusão financeira no país.

O Pix esteve entre os temas citados pelo governo dos Estados Unidos em questionamentos comerciais feitos ao Brasil. A administração americana abriu investigação sobre práticas brasileiras que considera potencialmente prejudiciais a empresas dos EUA, incluindo questões relacionadas a serviços digitais e meios de pagamento.

Big techs e inteligência artificial

Outro eixo do discurso foi a atuação das grandes plataformas digitais.

Lula defendeu que empresas de tecnologia estejam submetidas às leis dos países onde operam e voltou a sustentar a necessidade de responsabilização das plataformas por atividades realizadas no ambiente digital.

Para o presidente, o poder econômico e tecnológico das grandes empresas não pode colocá-las acima das legislações nacionais.

A inteligência artificial também ganhou espaço no pronunciamento. Lula defendeu a construção de regras globais para a IA, argumentando que uma tecnologia com impactos econômicos, sociais e políticos de alcance mundial não deve ficar submetida exclusivamente aos interesses de poucas empresas ou países.

A posição acompanha uma agenda que o Brasil vem apresentando em fóruns internacionais: uma governança multilateral da inteligência artificial que também considere os interesses dos países em desenvolvimento.

Lula relacionou o debate tecnológico à soberania dos Estados, defendendo que países tenham capacidade para decidir sobre seus dados, infraestrutura digital e políticas públicas.

O presidente também fez críticas ao mercado de apostas on-line. Segundo ele, a indústria das bets transforma o vício em lucro e vem provocando endividamento e problemas sociais em milhões de famílias brasileiras.

“Momento mais crítico das Nações Unidas”

A crítica à atual estrutura internacional ocupou outra parte importante do pronunciamento.

Lula afirmou que, desde sua primeira participação na Assembleia Geral como presidente, em 2003, este é o momento mais crítico enfrentado pelas Nações Unidas.

Segundo ele, a ONU está falhando em uma de suas principais missões: impedir guerras e proteger as populações mais vulneráveis.

O brasileiro voltou a responsabilizar o imobilismo do Conselho de Segurança por parte dessa incapacidade e defendeu uma reforma que amplie a representação de países atualmente fora do núcleo permanente do órgão.

Lula apresentou a atual conjuntura internacional como uma escolha entre multilateralismo e unilateralismo, democracia e extremismo, soberania e subordinação.

A defesa da soberania também apareceu quando o presidente tratou da América Latina.

Lula condenou interferências externas em processos eleitorais e afirmou que os países da região devem decidir seus próprios caminhos políticos.

Trump exalta poder militar e ameaça “aniquilar” o Irã

Donald Trump discursou logo depois de Lula e dedicou parte significativa de sua fala ao poderio militar dos Estados Unidos e às ações de seu governo no exterior.

O presidente americano afirmou que o país está ampliando sua capacidade de produção de armamentos e disse que 18 novas fábricas estão sendo construídas, algumas delas próximas de iniciar a fabricação de munições.

Trump também voltou a defender a ofensiva contra o Irã e afirmou que os Estados Unidos destruíram grande parte da capacidade militar iraniana. O conflito entre os dois países se estende há quase oito meses e provocou, entre outras consequências, o bloqueio do Estreito de Hormuz e impactos sobre o mercado internacional de petróleo.

Em um dos momentos mais duros do pronunciamento, Trump colocou diante do governo iraniano a possibilidade de um acordo, mas ameaçou ampliar a ofensiva caso não haja entendimento.

O presidente questionou se será possível chegar a um acordo que permita ao Irã se reconstruir e voltar a ser um país próspero ou se terá de “aniquilar a República Islâmica”.

Trump chegou a dizer que poderia levar o país “para o inferno, sem chance de sobrevivência”, caso considere necessária uma nova escalada militar.

Apesar da ameaça, o presidente americano deixou aberta a possibilidade de negociação. A cobertura internacional da Assembleia registra que Trump continua apresentando um acordo como alternativa para encerrar o confronto, ao mesmo tempo em que sustenta que não permitirá ao Irã recuperar capacidade para ameaçar outros países.

Trump prevê queda do governo cubano

A América Latina também apareceu no discurso.

Trump afirmou que espera uma “mudança radical em Cuba” e declarou que o governo comunista da ilha está sob a maior pressão de sua história.

“É um regime absolutamente falido, um Estado falido. E vai cair”, afirmou.

Segundo Trump, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, está diretamente envolvido nas negociações relacionadas a Cuba. O presidente disse ainda que os Estados Unidos não permitirão a existência do que classificou como um “porto seguro para o terror” próximo ao território americano.

Após essas declarações, integrantes da delegação cubana se levantaram e deixaram o plenário da Assembleia Geral.

A pressão sobre Havana já vinha sendo intensificada pelo governo Trump. Em janeiro, a Casa Branca declarou emergência nacional em relação a Cuba e criou mecanismos para impor tarifas adicionais a países que forneçam petróleo à ilha. Em agosto, Trump prorrogou por mais um ano poderes americanos relacionados às sanções contra o governo cubano.

Marco Rubio também anunciou neste mês novas sanções contra empresas estatais e integrantes da estrutura militar de Cuba.

As declarações desta terça-feira reforçam uma posição que Trump vinha apresentando nos últimos meses. Em junho, ele afirmou que Cuba queria negociar e confirmou que Rubio estava diretamente envolvido nas conversas.

O discurso americano ocorreu imediatamente depois da fala de Lula. Os dois presidentes apresentaram prioridades distintas diante da Assembleia: Lula concentrou sua intervenção na soberania dos países, no multilateralismo, na regulação das grandes empresas de tecnologia e na construção de regras internacionais para a inteligência artificial. Trump dedicou parte relevante de seu pronunciamento ao poder militar americano, à guerra contra o Irã e à política dos Estados Unidos para Cuba.

Redação

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