A onda democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos cresceu com o avanço da apuração e ampliou a derrota sofrida pelo Partido Republicano e pelo presidente Donald Trump.
Os democratas já garantiram o controle da Câmara dos Representantes e do Senado e continuam acumulando vitórias em disputas que ainda não estavam definidas na madrugada seguinte à eleição.
No Senado, o partido chega a pelo menos 54 das 100 cadeiras, número que ainda pode subir para 55 ou 56 dependendo dos resultados finais de Mississippi e Alasca.
Na Câmara, a vantagem democrata também aumentou à medida que novos distritos tiveram vencedores declarados. A apuração nacional ainda não terminou, mas o controle da Casa já está assegurado.
A expansão da vitória também apareceu nos estados. Os democratas conquistaram governos importantes, incluindo o Texas, e ampliaram o número de administrações estaduais sob seu comando.
O resultado consolidou uma mudança de força em três níveis: Câmara, Senado e governos estaduais.
Mississippi pode produzir virada histórica
Entre as disputas ainda abertas, nenhuma chama mais atenção neste momento do que a eleição para o Senado no Mississippi.
O democrata Scott Colom passou a liderar à frente da republicana Cindy Hyde-Smith, que tenta permanecer no cargo. Na manhã desta sexta-feira, a vantagem de Colom havia aumentado para 1.936 votos, com 49,1% contra 48,8%.
A diferença ainda é pequena, e milhares de votos provisórios e pelo correio continuam sendo analisados.
Em Harrison County, por exemplo, 1.448 votos provisórios ainda serão avaliados em reunião marcada para 10 de novembro.
Outros condados também têm centenas ou milhares de votos pendentes.
Em Lafayette County, onde fica a Universidade do Mississippi, votos provisórios contabilizados até agora favoreceram Colom por 69% a 29%, resultado superior ao desempenho geral do democrata no condado.
Se confirmada, a vitória terá peso histórico.
O Mississippi não elege um democrata para o Senado desde 1982. Uma vitória de Colom também representaria um marco para a representação negra no estado no Senado americano.
A disputa ainda não foi declarada oficialmente.

Alasca também segue aberto
No Alasca, a eleição para o Senado também continua sem resultado definitivo.
A democrata Mary Peltola aparece à frente do republicano Dan Sullivan por margem estreita, com parte dos votos ainda não contabilizada. Como o estado utiliza votação por escolha ranqueada, a disputa pode passar por uma nova etapa de contagem caso nenhum candidato alcance maioria absoluta.
Se os democratas vencerem Mississippi e Alasca, o partido poderá chegar a 56 cadeiras no Senado.
Mesmo no cenário atual, com 54, a mudança já altera profundamente a relação entre a Casa Branca e o Congresso.
A nova maioria terá poder para barrar indicações de Trump para ministérios, tribunais federais e até para a Suprema Corte. O líder democrata Chuck Schumer já anunciou que o partido pretende usar essa maioria para impedir novas nomeações consideradas excessivamente conservadoras.
Vitória também cresceu nos estados
Os democratas também ampliaram sua presença nos governos estaduais.
No Texas, Gina Hinojosa derrotou o republicano Greg Abbott e se tornou a primeira governadora democrata do estado em décadas e a primeira mulher latina a ocupar o cargo.
O partido também conquistou governos que estavam sob controle republicano e ampliou sua presença em estados considerados decisivos para as eleições presidenciais.
O avanço chegou ainda às assembleias estaduais. Os democratas conquistaram controle integral de novos governos estaduais e, no Texas, também tomaram a Câmara estadual.
Derrota republicana cresce com a apuração
Na primeira noite de contagem, já estava claro que Trump havia perdido o controle das duas Casas do Congresso.
Três dias depois, o tamanho da derrota ficou maior.
Os democratas avançaram em redutos republicanos, conquistaram governos estaduais, ampliaram a maioria parlamentar e ainda podem adicionar novas cadeiras ao Senado.
A disputa do Mississippi resume esse movimento.
Um estado tradicionalmente republicano e vencido por Trump com ampla margem em eleições anteriores agora pode eleger um senador democrata.
Se Colom confirmar a vantagem, a onda azul terá produzido uma das viradas mais simbólicas de toda a eleição.


