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Home Colunas

O CARTUNISTA APPE

Por Ediel Ribeiro
10 de abril de 2020 - 07:11
em Colunas

Cartunista Appe

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Antoine de Saint-Exupéry, escritor e jornalista, autor do clássico “O Pequeno Príncipe”, foi uma criança sensível e inteligente que criou e inventou histórias para vencer a solidão.

Sua mãe ensinou-lhe a escrever e desenhar. Poderia ter sido um grande desenhista (as aquarelas de “O Pequeno Príncipe” são suas). Mas, devido a uma grande frustração na infância, nunca mais desenhou.

Aos seis anos, seu primeiro desenho foi uma jibóia que engolia um urso. O desenho, era a cópia de uma ilustração que vira em um livro sobre histórias vividas na floresta. 

Mas os adultos não entenderam.

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Antoine mostrou seu desenho às “pessoas grandes” e perguntou se seu desenho lhes dava medo. Eles respondiam: “Por que um chapéu daria medo?”

As “pessoas grandes”, então, o aconselharam a desistir do desenho e ele teve que procurar outra profissão.

A história de Antoine se parece com a história do cartunista Appe.

O primeiro desenho do menino era o retrato de sua cabra Bibi. Todo bobo com sua “obra-prima”, Appe foi mostrar o desenho para seu pai. O velho, todo orgulhoso do filho disse nunca ter visto uma cadeira tão bem desenhada.

Mas Appe, ao contrário de Antoine, o menino francês, não desistiu do sonho de ser desenhista. 

Superada a primeira frustração, anos depois, o menino voltou a desenhar no Colégio Dom Bosco, já em Manaus, sob os olhares dos padres salesianos.

Conseguiu um emprego de laboratorista numa farmácia local mas continuou a desenhar, entre uma receita e um curativo.

Dalí, o menino, que se chamava Anilde Pedrosa, começou a trabalhar como repórter colaborador e, mais tarde, como ilustrador em jornais da cidade. 

“Era o maior. Até porque não tinha outro”, dizia.

O cartunista dizia se chamar Amilde e não Anilde (seu nome verdadeiro) porque não gostava do nome que lhe valeu o apelido indesejado de “Anil” – um produto usado para clarear roupa – dado pelos colegas. 

Anilde Pedrosa, o Appe,  nasceu no Acre, em 20 de maio de 1920. 

Mais tarde, ainda em Manaus publicou sua primeira charge e realizou a sua primeira exposição individual de caricaturas em 1946.

Transferiu-se para o Rio, onde, já com o apelido acróstico de Appe, criou suas primeiras charges políticas no “Diário da Noite”. 

Foi um dos mais consagrados cartunistas da revista “O Cruzeiro”. Começou a trabalhar  na revista como paginador,  ilustrador e chargista político, em 1952. Na década de 70, ganha duas páginas na revista, onde cria a coluna Blow-Appe, que manteria até pouco antes do fechamento da revista, em 1975.

Trabalhou ainda nos jornais “A Manhã”, “A Vanguarda” e em “O Jornal”.

“O pessoal me achava cara-de-pau porque eu fazia charges anticomunistas”, disse, numa entrevista. “Mas sou um profissional, nunca tive cor ideológica”, completa.

No início dos anos 60, passa a viver com Neusa, que seria sua companheira por toda a vida.

Em 1977, grava um depoimento para o Museu da Imagem e do Som, no Rio de Janeiro. 

No ano seguinte, muda-se para Versailles, na França. Retorna ao Brasil em 1980.

Volta a colaborar com vários jornais e revistas e tem algumas de suas charges censuradas, como a que mostrava Papai Noel levando ao Congresso Nacional um saco onde se lia a inscrição “Cassações”.

Dedica-se à pintura em seu novo ateliê, em Teresópolis, no Rio de Janeiro.

Em 2004, por motivos de saúde, procura um local de clima mais ameno. Vai morar em São Pedro da Aldeia, região litorânea do estado do Rio de Janeiro.

Appe faleceu de problemas cardíacos e pulmonares, em 4 de agosto de 2006, aos 86 anos.

Ediel Ribeiro

Ediel Ribeiro

"Coluna do Ediel" Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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