A corrida pelos melhores cafés de Minas Gerais já começou. Estão abertas até 3 de setembro as inscrições para a 23ª edição do Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais, competição que se transformou em uma das principais vitrines da cafeicultura mineira e acompanha a crescente valorização dos cafés especiais produzidos no estado.
A expectativa é de uma disputa acirrada entre produtores das principais regiões cafeeiras mineiras, impulsionada pelo desempenho da edição anterior, que registrou número recorde de participantes e confirmou o protagonismo de Minas Gerais no segmento de cafés de alta qualidade.
Responsável por aproximadamente metade da produção nacional, o estado também lidera a exportação de cafés especiais, segmento que tem ampliado sua presença em mercados exigentes da Europa, América do Norte e Ásia.
Cafés especiais ganham espaço e valorizam produtores
Nos últimos anos, concursos de qualidade deixaram de ser apenas eventos de premiação para se tornarem ferramentas de valorização econômica das propriedades rurais.
Uma boa colocação pode abrir portas para negociações com cafeterias especializadas, exportadores e compradores internacionais dispostos a pagar valores muito acima dos praticados no mercado convencional.
Além disso, a avaliação técnica permite que produtores compreendam melhor as características dos próprios cafés, identificando pontos fortes e aspectos que podem ser aperfeiçoados nas próximas safras.
Esse movimento tem contribuído para elevar o padrão da produção mineira e fortalecer a imagem do estado como referência mundial em cafés especiais.
Quatro regiões disputam protagonismo
A competição reúne amostras das principais regiões produtoras de Minas Gerais, cada uma com características próprias de solo, altitude e clima.
O Sul de Minas, maior região produtora do país, tradicionalmente aparece entre os destaques da competição. Já o Cerrado Mineiro, primeira região cafeeira brasileira reconhecida com Denominação de Origem, mantém forte presença entre os cafés de alta pontuação.
As Matas de Minas vêm conquistando reconhecimento crescente por cafés com perfis sensoriais diferenciados, enquanto a Chapada de Minas tem ampliado sua participação no cenário nacional.
A diversidade dessas regiões faz do concurso uma espécie de retrato anual da evolução da cafeicultura mineira.
Avaliação segue padrão internacional
As amostras inscritas passam por análises físicas e sensoriais conduzidas por especialistas do setor.
A metodologia utilizada segue os critérios da Specialty Coffee Association (SCA), principal referência internacional na classificação de cafés especiais.
Para avançar nas etapas seguintes, os lotes precisam atingir pontuação mínima de 85 pontos, índice considerado elevado dentro dos padrões do mercado.
Os produtores poderão participar em duas categorias: café natural e café cereja descascado, despolpado ou desmucilado.
Inscrições seguem até setembro
Os interessados devem procurar os escritórios da Emater-MG para realizar o cadastro e receber orientações sobre os procedimentos de entrega das amostras.
A competição é destinada exclusivamente a cafés arábica produzidos na safra de 2026 e contempla apenas uma amostra por participante.
Os vencedores serão anunciados em dezembro. Além dos campeões regionais, o concurso escolherá o café com a maior nota geral da edição, título considerado um dos mais valorizados da cafeicultura mineira.
Em um cenário de crescente demanda por cafés de origem e qualidade diferenciada, a disputa promete reunir alguns dos melhores grãos produzidos no estado e reforçar a posição de Minas Gerais entre os principais polos cafeeiros do mundo.






