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Home Colunas

Marlene: cantora versátil

Por Lenin Novaes
19 de junho de 2023 - 07:52
em Colunas

Gonzaguinha e Marlene, recorditas de público no Projeto Pixinguinha. Cantora versátil foi campeã na Império Serrano, cantando samba-enredo que homanageou Carmen Miranda. (Divulgação.) 

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– Athaliba, manifestações de leitores à crônica Tributo à rainha do rádio corroboram com a teoria do físico Isaac Newton. Fãs da Marlene se alvoroçaram em opinar que ela foi melhor que Emilinha Borba. Newton, ocê sabe, provou que “toda ação corresponde uma reação, de mesmo módulo, mesma direção e de sentidos opostos”. O resultado do estudo é “Lei da ação e reação”. Talvez até não tenha relação entre uma coisa (o Lula adora essa expressão) e outra. Drummond diz que “tristes são as coisas, consideradas sem ênfase”, no poema A flor e a náusea.

– Marineth, não cabe aqui apontar que Emilinha foi melhor que a Marlene, ou vice-versa. As duas, creio, atingiram o mesmo grau de popularidade na fase áurea do rádio. Uma tem celebrado o centenário de nascimento, este ano, enquanto o da outra se comemorou no ano passado.

– Existe controvérsia, Athaliba. Nem tudo o que reluz é ouro; nem o que se diz é verdade.

– Qual é a polêmica, Marineth? Ocê gosta de fomentar discórdia. Quer brigar com os fãs?

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– Qualé, Athaliba. A cantora Marlene, cujo verdadeiro nome é Victória Bonaiutti de Martino, alterou o ano de nascimento de 1922 para 1924. Ela forjou o aumento da idade para poder cantar no Cassino da Urca. Paulistana, nascida 24/11 e falecida aos 91 anos, em 13/6 de 2014, deixou centenas de músicas gravadas, participação em mais de 10 filmes e atuação em peças teatrais.

– Então, Marineth, com isso, a Associação Marlenista, o mais atuante dos fãs-clubes da artista, poderá promover mais uma comemoração do centenário de nascimento dela, em 2024.

– Pode ser que sim ou que não, Athaliba. Tenho um amigo “marlenista”, o médico José Ribamar, residente em Copacabana, que foi um dos primeiros fãs a pedir uma crônica sobre a Marlene, após ler a da Emilinha, aqui n’O Folha de Minas. Por ele, a celebração de 2022 pode se repetir em 2024. Mas, porém, vou apurar com ele o que pensa a respeito o veterano integrante da “turma”, José Ramalho.

– Sabe, Marineth, a ousadia, característica acentuada na trajetória da carreira da Marlene, excitava os fãs. Esse viés fez a diferença entre ela e a Emilinha. Ambas tiveram apenas um filho. Mas, Marlene namorou mais, teve dois casamentos. Experimentou mais que a outra, como se vê no diversificado repertório musical. Aliás, essa versatilidade foi observada por Rosa Maria Araújo Barbosa, presidente do Museu da Imagem e do Som – MIS -, com gestão de 2007 a 2018.

– É isso mesmo, Athaliba. Ela disse que “Marlene era uma cantora múltipla; não se negava a nenhum gênero, indo da marchinha, ao samba-canção, às músicas dramáticas. Tanto que o show dela com Edith Piaf, no Olympia de Paris, na França, foi um sucesso. Talvez tenha sido a única cantora que atravessou todas as fases da música brasileira: do rádio, do teatro, da boate e da televisão. Conseguiu estar em tudo isso, sempre com muito brilho, porque era uma atriz, uma cantora completa, que expressava com o corpo, com a face, com uma voz muito peculiar”.

– Marineth, a Rosa Maria assinou o musical “Sassaricando”, com o jornalista Sérgio Cabral, o pai, não o filho que foi governador e é acusado na justiça de corrupto. O show conta a história do ritmo carnavalesco que contagia os foliões em todo o país, enfocando a Marlene e a Emilinha. E lembro que ela e o saudoso Gonzaguinha foram recordistas de público do Projeto Pixinguinha, em 1977 e 1978. A dupla percorreu palcos de teatros abarrotados de fãs, no Rio, Belo Horizonte, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre.

– Athaliba, em 1949, ano que data teu nascimento, Marlene foi eleita Rainha do Rádio, com 529.982 votos, no concurso da Associação Brasileira de Rádio. A votação popular aconteceu através de cupons adquiridos pelos fãs, com renda revertida para a construção de hospital. O resultado surpreendeu a todos que imaginavam a coroa na cabeça de Emilinha. Esta ficou em 3º lugar, inclusive, atrás da Ademilde Fonseca. O evento teve investimento decisivo da Companhia Antarctica Paulista na Marlene, que se tornaria garota propaganda do guaraná caçula.

– Marineth, um trabalho marcante da Marlene é o CD Estrela da vida, de 1998. É o melhor da carreira dela, apontam alguns críticos. No repertório, músicas de Gonzaguinha, Lulu Santos, Chico Buarque, Kurt Weill e de João Bôsco e Aldir Blanc. Realce também para o DVD Marlene: a rainha e os artistas do rádio, de 2008.

– Athaliba, a Marlene foi campeã com a Império Serrano, em 1972, cantando “Alô, alô, taí Carmen Miranda”, junto com Abílio Martins. Vale registar o fato, que mostra a infinita versatilidade da artista, biografada pela jornalista Diana Aragão, no livro Marlene: a incomparável.

Tags: A flor e a náuseaCarlos Drummond de AndradeEmilinha BorbaMarleneMuseu da Imagem e do Somrádio
Lenin Novaes

Lenin Novaes

Crônicas do Athaliba LENIN NOVAES jornalista e produtor cultural. É co-autor do livro Cantando para não enlouquecer, biografia da cantora Elza Soares, com José Louzeiro. Criou e promoveu o Concurso Nacional de Poesia para jornalistas, em homenagem ao poeta Carlos Drummond de Andrade. É um dos coordenadores do Festival de Choro do Rio, realizado pelo Museu da Imagem e do Som - MIS

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