Rio – Pouco a pouco está sendo revelada a história de como foi o financiamento de “Dark Horse”, filme concebido para promover a trajetória política de Jair Bolsonaro.
Só agora posso contá-la desde o começo.
A operação ‘Make-Up’, deflagrada, nesta quinta-feira, pela Polícia Federal, investigando o financiamento da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, caiu como um raio em Brasília.
A Polícia Federal fez, na manhã desta quinta-feira, uma batida nos endereços do ex-ator de ‘Malhação’ e dublê de deputado, Mário Frias (PL-RJ).
Enquanto isso, no comitê da campanha de Flávio Bolsonaro – que já anda mais queimada que churrasco de bêbado – aliados se afastam de Frias e admitem isolá-lo para conter desgaste da campanha do senador.
Um assessor de Mário Frias entrou correndo no gabinete do deputado e perguntou:
– Deputado, o senhor tem um minuto?
– Seja rápido, por favor – respondeu, Frias – tenho que ir a uma ‘festinha’ do Daniel Vorcaro, dentro de alguns minutos.
– Deputado, a Polícia Federal tá atrás do senhor! Eles querem saber sobre as emendas parlamentares que o senhor enviou para uma organização presidida por Karina Ferreira da Gama, dona da produtora ‘Go Up’, para bancar o filme sobre o ex-presidente.
– Só eu? E a Bia Kicis (PL-DF), e o Marcos Pollon (PL-MS) – questionou o deputado.
– Todos estão sendo investigados. Eles suspeitam que o dinheiro foi enviado para os Estados Unidos para bancar os luxos e as investidas do filho Zero Três do ex-presidente contra a soberania do país.
– Liga para o Eduardo – ordenou o deputado.
– Ele tá na linha, deputado.
– Eduardo?
– Fala, Frias! Já sei, vai me dar boas notícias sobre a estréia do filme!!
– Infelizmente não, Dudu. A distribuidora cancelou o lançamento do filme. O filme está no centro de uma investigação sobre a origem dos recursos de sua produção e a Europa Filmes não quer ver seu nome ligado a um filme bancado com dinheiro da corrupção. Eles estão fazendo buscas e apreensões em figuras ligadas ao caso, inclusive você. Estão querendo saber como você banca sua vida de luxo nos EUA, já que você está desempregado.
– Desempregado? Eu estou no ramo de hambúrguer!! Não tenho nada a ver com filme. E não me ligue mais.
– O que eu digo para a polícia sobre o filme, Dudu?
– Que filme!??
Tu-tu-tu… Eduardo desligou.
– Liga pra Karina da Gama – berrou o deputado.
– Ela tá na linha, deputado.
– Karina, é o Frias.
– Frias? Que Frias?
– O deputado, produtor e roteirista do filme do Bolsonaro – disse Frias.
– Filme? Que filme? Eu não faço filmes, o Instituto Conhecer Brasil (ICB) instala rede wi-fi.
Tu-tu-tu… Karina desligou.
– Liga para o Flávio – pediu o deputado.
– É ele – confirmou o assessor, passando o telefone para o deputado.
– Flavinho, irmão, é o Frias!
– E aí, Frias! Qual é a boa, irmãozão? O Dani liberou mais uma parcela do dinheiro do filme?
– Infelizmente, não! O Daniel tá preso e a PF está seguindo o rastro do dinheiro do filme.
– É um investimento privado, feito com dinheiro privado – berrou o senador.
– Eles já sabem que você pegou mais uma parcela do dinheiro com o banqueiro.
– Que banqueiro?
Tu-tu-tu… Flávio desligou.
– Pega o meu passaporte – ordenou o deputado.
– Flávio Dino apreendeu o seu passaporte, deputado, o senhor não pode deixar o país sem ordem do ministro.
– Nossa, isso vai estragar a ‘festinha’ do Vorcaro.


