A campanha Maio Amarelo deste ano traz como tema “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas” e reforça a necessidade de mais atenção e respeito entre motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres.
Em Minas Gerais, os motociclistas aparecem no centro da campanha devido ao crescimento do número de acidentes envolvendo motos. Dados do Hospital João XXIII, unidade da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), mostram que até 23 de abril deste ano foram registrados 2.382 atendimentos de motociclistas vítimas de acidentes de trânsito, o equivalente a 70% dos 3.431 casos recebidos pela unidade.
Segundo o diretor de urgência do Complexo Hospitalar de Urgência, Rodrigo Muzzi, o perfil das vítimas permanece praticamente o mesmo há anos: homens jovens, entre 19 e 39 anos, muitos deles utilizando motocicletas como instrumento de trabalho em entregas e deslocamentos urbanos.
De acordo com o médico, uma das situações de maior risco ocorre nos chamados “corredores” entre veículos, onde motociclistas acabam entrando em pontos cegos de carros e ônibus.
“A rotina desses pilotos faz eles estarem contra o tempo para chegarem aos lugares ou realizarem entregas, mas as formas que eles encontram para não se atrasarem é o que muitas vezes colocam suas vidas em risco”, afirma.
Jovens preocupam especialistas
O ortopedista Alexandre Maru, da equipe de urgência do Hospital João XXIII, destacou o aumento no número de adolescentes e jovens envolvidos em acidentes com motos.
Somente em 2025, o hospital registrou 595 atendimentos de motociclistas entre 11 e 19 anos. Até abril deste ano, já haviam sido contabilizados 214 casos nessa faixa etária.
Segundo o especialista, o crescimento pode estar relacionado ao uso cada vez maior de veículos de duas rodas que não exigem carteira de habilitação.
Maru alerta ainda para a falsa sensação de segurança criada por comportamentos repetitivos no trânsito.
“O piloto realiza uma ação irresponsável e acha que vai ficar tudo certo. Como deu certo na primeira vez, continua agindo da mesma forma até dar errado”, afirmou.
Lesões graves e sequelas
Os profissionais do hospital destacam que a gravidade dos acidentes depende de fatores como velocidade, uso correto dos equipamentos de segurança e a forma como o motociclista é arremessado no impacto.
As lesões mais frequentes são fraturas em membros superiores e inferiores, além de traumas cranianos e torácicos graves.
Segundo Rodrigo Muzzi, algumas vítimas conseguem recuperação completa, enquanto outras convivem com sequelas permanentes.
Um acidente que mudou tudo
A campanha também trouxe o relato do gerente de comércio Davi Pereira, de 31 anos, vítima de um grave acidente de moto.
Ele contou que sofreu o acidente ao sair para uma tarefa simples do cotidiano.
“Fui à padaria, quando o carro da frente deu seta em uma curva e não deu tempo de frear. Acabei batendo forte em uma mureta”, relembrou.
Davi deu entrada no Hospital João XXIII em 18 de abril com traumas abdominais e fratura no fêmur. Desde então, passou por quatro cirurgias.
Durante a internação, ele não conseguiu acompanhar o nascimento do filho Oliver, ocorrido enquanto ainda estava hospitalizado.
“O trânsito não é brincadeira. Uma pequena falha pode afetar profundamente a nossa vida ou a de outras pessoas”, afirmou.






