O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (2) que o Brasil não pretende alterar o funcionamento do Pix após críticas feitas por autoridades dos Estados Unidos ao sistema de pagamentos instantâneos.
Durante evento em Salvador, Lula defendeu a ferramenta criada pelo Banco Central do Brasil e destacou sua importância para a população.
“O Pix é do Brasil e ninguém vai fazer a gente mudar o Pix, pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira”, declarou.
As declarações ocorrem após um relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos apontar preocupações de empresas americanas com o modelo brasileiro.
Segundo o documento, há receio de que o Banco Central favoreça o Pix em detrimento de outros sistemas privados de pagamento.
“O Banco Central do Brasil criou, detém, opera e regula o Pix”, afirma o relatório, que também menciona a exigência de adoção do sistema por instituições financeiras com grande número de clientes.
O texto faz parte de uma análise anual que identifica possíveis barreiras comerciais enfrentadas por empresas dos Estados Unidos em outros países.
Pix vira ponto de tensão comercial
O sistema já havia entrado na mira de autoridades americanas anteriormente. No ano passado, o governo dos Estados Unidos, sob liderança de Donald Trump, abriu uma investigação sobre práticas comerciais brasileiras consideradas “desleais”.
Entre os pontos analisados está a atuação do Banco Central na implementação do Pix e possíveis impactos sobre concorrentes internacionais, como o WhatsApp Pay, ligado à Meta, do empresário Mark Zuckerberg.
Na época, o governo brasileiro afirmou que o sistema foi criado com foco na segurança e na eficiência do mercado financeiro, sem discriminação a empresas estrangeiras.
Lançado oficialmente em novembro de 2020, o Pix se tornou o principal meio de pagamento do país em poucos anos, com uso massivo por pessoas físicas, empresas e órgãos públicos.
O Banco Central defende que a estrutura pública do sistema garante neutralidade, transparência e maior inclusão financeira.
Enquanto isso, outros países, incluindo os próprios Estados Unidos, estudam ou implementam soluções semelhantes de pagamentos instantâneos.






