O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou nesta terça-feira (20), no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Supremo Tribunal Federal (STF), documentos autorizando a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos oito anos, desde que o senador Flávio Bolsonaro (PL) faça o mesmo.
A iniciativa formaliza o desafio feito por Lula durante o debate presidencial da Band, no domingo (18), quando os dois candidatos trocaram acusações sobre corrupção.
Lula propôs que ambos permitissem acesso às contas bancárias e aos dados telefônicos, inclusive de familiares e empresas, para que as informações sejam conhecidas por toda nação antes do segundo turno.
Flávio respondeu no debate que não tinha “absolutamente nada a esconder” e afirmou que suas informações financeiras estavam declaradas à Receita Federal.
O senador e candidato à Presidência, porém, ainda não informou se aceitará abrir seus sigilos nos mesmos termos propostos por Lula e não apresentou autorização semelhante ao TSE ou ao STF.
A documentação apresentada pelo presidente prevê acesso a informações dos últimos oito anos e condiciona a divulgação dos dados à reciprocidade de Flávio.
O pedido também alcança familiares e empresas ligadas aos dois candidatos.
Entre os nomes relacionados a Lula aparecem a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, seus filhos e a empresa L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações.
No caso de Flávio, a proposta inclui integrantes da família Bolsonaro e empresas relacionadas ao senador. Também é citada a Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira e ligada ao advogado Willer Tomaz.
Documentos da Polícia Federal apontaram recentemente Flávio como “usuário master” de uma conta da Alcazar. O senador nega participação societária ou vínculo financeiro com a empresa.
Flávio também aparece em outra investigação da PF relacionada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e à busca de recursos para o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. O senador confirma que procurou investidores para o projeto, mas nega irregularidades.
Lula cobra resposta
Nesta terça-feira, Lula voltou a cobrar que Flávio aceite a proposta.
O presidente afirmou que está disposto a permitir o acesso às próprias informações e defendeu que os dois candidatos façam o mesmo antes da votação de domingo.
O documento apresentado à Justiça prevê que os dados sejam disponibilizados em condições iguais para os dois lados.
Com a autorização protocolada por Lula, falta agora saber se Flávio Bolsonaro também permitirá o acesso aos seus dados bancários, fiscais e telefônicos.
O segundo turno da eleição presidencial será realizado no próximo domingo, 25 de outubro.


