O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone, nesta quinta-feira (22), com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, para tratar da situação humanitária e política na Faixa de Gaza, região devastada por sucessivos confrontos armados nos últimos anos.
Segundo nota divulgada pelo Palácio do Planalto, o diálogo teve como foco o cessar-fogo em vigor no território palestino e as perspectivas de reconstrução da área, que sofreu destruição em larga escala após ofensivas militares israelenses. Organismos internacionais estimam que o conflito deixou dezenas de milhares de mortos, com impacto desproporcional sobre civis, especialmente mulheres e crianças.
De acordo com o governo brasileiro, Lula manifestou satisfação com a interrupção formal dos combates, firmada em acordo entre Israel e o grupo Hamas, que controlava Gaza, mas ressaltou a necessidade de discutir soluções duradouras para o enclave. Ainda segundo o Planalto, os dois líderes trocaram impressões sobre iniciativas diplomáticas em curso e concordaram em manter contato sobre o tema.
Apesar do cessar-fogo anunciado, relatos recentes de agências das Nações Unidas indicam que a região segue instável, com registros de bombardeios pontuais e confrontos armados, o que levanta dúvidas sobre a efetividade do acordo e a segurança da população civil.
Pressão internacional e novos planos
A ligação entre Lula e Abbas ocorreu no mesmo dia em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou oficialmente a criação de um órgão batizado de Conselho de Paz, com o objetivo declarado de pacificar e reconstruir Gaza. A iniciativa foi apresentada durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.
Lula está entre os cerca de 60 chefes de Estado e lideranças internacionais convidados a integrar o colegiado. Até agora, porém, a proposta norte-americana tem sido alvo de críticas por prever um modelo de administração do território sem comando palestino direto, o que gera resistência entre lideranças da região.
No ano passado, Mahmoud Abbas afirmou, em entrevista à emissora árabe Al Jazeera, que qualquer plano de paz para Gaza só terá viabilidade se garantir soberania palestina sobre o território. Atualmente, o governo da ANP exerce autoridade sobre a Cisjordânia, enquanto Gaza permanece fora de seu controle político direto desde a ascensão do Hamas.
Posição brasileira
O Brasil tem adotado postura crítica em relação à condução do conflito no Oriente Médio e reiterado, em fóruns internacionais, a defesa da solução de dois Estados, com Israel e Palestina coexistindo dentro de fronteiras reconhecidas. A conversa desta quinta-feira reforça o esforço diplomático brasileiro de manter diálogo com diferentes atores e defender uma saída negociada para a crise.
Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre eventuais compromissos assumidos na ligação nem sobre a participação efetiva do Brasil nos próximos passos do plano internacional para Gaza.






