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Home Notícias Internacional

Keiko Fujimori toma posse e recoloca o fujimorismo no comando do Peru após vitória apertada nas urnas

Filha do ex-presidente Alberto Fujimori assume o governo prometendo reconciliação nacional e marca o retorno de uma das famílias políticas mais influentes — e controversas — da história peruana

Por Redação
28 de julho de 2026 - 18:13
em Internacional
Keiko Fujimori vence eleição presidencial no Peru após apuração marcada por disputa voto a voto

Keiko Fujimorih / Instagram

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O Peru iniciou nesta terça-feira (28) um novo capítulo de sua história política. Keiko Fujimori tomou posse como presidente da República para o mandato de 2026 a 2031, tornando-se a primeira mulher eleita pelo voto popular para comandar o país e devolvendo ao poder o fujimorismo, movimento político que dominou o cenário peruano nos anos 1990 sob a liderança de seu pai, o ex-presidente Alberto Fujimori.

A cerimônia ocorreu no Congresso peruano, em Lima, diante de chefes de Estado, representantes internacionais e parlamentares. Ao prestar juramento, Keiko prometeu defender a Constituição, fortalecer a democracia, recuperar a segurança pública e trabalhar pela reconstrução da confiança nas instituições do país.

Em seu primeiro discurso como presidente, a nova chefe de Estado também defendeu a reconciliação nacional, reconhecendo que assume um país profundamente dividido após uma das eleições mais disputadas da história recente do Peru.

Vitória apertada encerrou longa trajetória eleitoral

A posse representa o desfecho de uma trajetória marcada por derrotas e persistência política.

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Depois de disputar a Presidência em diversas ocasiões sem sucesso, Keiko Fujimori venceu o segundo turno das eleições de junho por uma margem extremamente estreita sobre o candidato de esquerda Roberto Sánchez.

Segundo o Jurado Nacional de Eleições (JNE), a candidata da Fuerza Popular recebeu 9.223.396 votos, contra 9.173.755 do adversário — uma diferença de cerca de 49,6 mil votos, equivalente a pouco mais de 50,1% dos votos válidos.

A disputa foi marcada por questionamentos da oposição, acusações de fraude rejeitadas pelas autoridades eleitorais e forte polarização entre o interior andino, majoritariamente favorável à esquerda, e os grandes centros urbanos, onde Keiko concentrou sua vantagem.

Retorno de uma dinastia que marcou a política peruana

A chegada de Keiko ao Palácio de Governo simboliza o retorno ao poder de uma das famílias mais influentes da política peruana.

Seu pai, Alberto Fujimori, governou o país entre 1990 e 2000. Durante seu mandato, implementou reformas econômicas liberais, controlou a hiperinflação e liderou a ofensiva que enfraqueceu grupos guerrilheiros como o Sendero Luminoso, conquistando amplo apoio popular.

Ao mesmo tempo, seu governo ficou marcado por graves denúncias de violações de direitos humanos, corrupção e autoritarismo. Após deixar o poder, Alberto Fujimori foi condenado pela Justiça peruana por crimes relacionados a execuções extrajudiciais e outros abusos cometidos durante seu governo.

Ao longo da campanha, Keiko procurou diferenciar sua futura administração dos episódios mais controversos do pai, embora tenha mantido o discurso de valorização das políticas econômicas implementadas durante a década de 1990.

Segurança e economia dominam prioridades

Em sua campanha, Keiko Fujimori concentrou as propostas em dois temas considerados prioritários pelos peruanos: o combate ao avanço do crime organizado e a retomada do crescimento econômico.

Entre os compromissos anunciados estão o fortalecimento das forças de segurança, a construção de um megapresídio inspirado no modelo adotado por El Salvador, o endurecimento do combate ao narcotráfico e à mineração ilegal, além de medidas para estimular investimentos privados e ampliar a geração de empregos.

Na área econômica, a presidente nomeou o economista Elmer Cuba para o Ministério da Economia e Finanças e prometeu preservar a estabilidade macroeconômica de um dos países com maior produção de cobre do mundo.

País tenta superar uma década de instabilidade

Keiko assume o comando de um país que vive um dos períodos de maior instabilidade institucional de sua história recente.

Em apenas dez anos, o Peru teve nove presidentes, resultado de sucessivos processos de impeachment, renúncias, dissoluções do Congresso e crises políticas que abalaram a confiança da população nas instituições democráticas.

Apesar do histórico recente, a nova presidente chega ao poder em uma posição política mais confortável que a de seus antecessores. Seu partido, a Fuerza Popular, conquistou uma das maiores bancadas do novo Congresso bicameral, o que tende a facilitar a aprovação de parte da agenda do governo, embora não elimine os desafios de negociação com outras forças políticas.

Posse reuniu líderes internacionais

A cerimônia de posse contou com a presença de diversas autoridades estrangeiras, entre elas o rei Felipe VI, da Espanha, além dos presidentes Daniel Noboa (Equador), Santiago Peña (Paraguai), José Raúl Mulino (Panamá), Yamandú Orsi (Uruguai) e representantes dos Estados Unidos e de outros países.

Enquanto apoiadores celebravam o retorno do fujimorismo ao poder, grupos contrários realizaram protestos em Lima, mantendo viva a polarização que marcou todo o processo eleitoral.

Tags: Alberto FujimoriAmérica LatinaeleiçõesFuerza PopularKeiko FujimorilimaPERUpolítica internacional
Redação

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