Há exatamente 25 anos, imagens que pareciam pertencer a um filme passaram a ser transmitidas ao vivo para o mundo inteiro. Aviões comerciais atingindo as Torres Gêmeas, pessoas tentando escapar do fogo e, pouco depois, dois dos edifícios mais conhecidos de Nova York desabando diante das câmeras.
Nesta sexta-feira (11), os Estados Unidos voltam aos locais dos ataques para lembrar as 2.977 pessoas mortas nos atentados de 11 de setembro de 2001, episódio que marcou uma geração e mudou profundamente a política, a segurança e as relações internacionais nas décadas seguintes.
Em Nova York, familiares se reuniram no Memorial do 11 de Setembro, construído onde ficavam as Torres Gêmeas, para a tradicional leitura dos nomes das vítimas.
A cerimônia começou às 8h30. Às 8h46, horário exato em que o primeiro avião atingiu a Torre Norte, o local mergulhou em silêncio.
Outros momentos de silêncio marcaram o choque do segundo avião contra a Torre Sul, o ataque ao Pentágono, a queda do voo 93 na Pensilvânia e o desabamento das duas torres.
Neste ano, pela primeira vez, houve um sétimo momento de silêncio, dedicado às pessoas que morreram nas décadas seguintes em decorrência de doenças relacionadas aos ataques, especialmente aquelas provocadas pela exposição à poeira tóxica que cobriu parte de Manhattan.
A manhã que parou o mundo
Na manhã de 11 de setembro de 2001, 19 integrantes da organização terrorista Al-Qaeda sequestraram quatro aviões comerciais que realizavam voos domésticos nos Estados Unidos.
Às 8h46, o voo 11 da American Airlines atingiu a Torre Norte do World Trade Center.
Inicialmente, ainda havia dúvidas sobre o que havia acontecido. A possibilidade de um acidente aéreo chegou a ser considerada.
Dezessete minutos depois, às 9h03, o voo 175 da United Airlines atingiu a Torre Sul.
O impacto ocorreu diante das câmeras de televisão que já transmitiam ao vivo o incêndio provocado pelo primeiro avião. A partir daquele momento, não havia mais dúvida de que os Estados Unidos estavam sob ataque.
Às 9h37, o voo 77 da American Airlines atingiu o Pentágono, sede do Departamento de Defesa americano, próximo a Washington.
O quarto avião, o voo 93 da United Airlines, também havia sido sequestrado e seguia em direção à região da capital americana.
Passageiros e tripulantes, que já haviam recebido informações sobre os outros ataques por telefone, reagiram e tentaram retomar o controle da aeronave. O avião caiu às 10h03, em uma área rural próxima a Shanksville, na Pensilvânia.
As autoridades americanas concluíram que os sequestradores pretendiam atingir outro alvo em Washington.
Enquanto isso, Nova York assistia à destruição do World Trade Center.
A Torre Sul desabou às 9h59. A Torre Norte caiu às 10h28.
Em menos de duas horas, as Torres Gêmeas, símbolos do poder econômico dos Estados Unidos e parte da paisagem de Nova York, haviam desaparecido.
Ao todo, 2.977 vítimas morreram nos ataques, sem contar os 19 sequestradores. Pessoas de dezenas de nacionalidades estavam entre os mortos.
O mundo mudou depois daquele dia
As consequências do 11 de Setembro ultrapassaram rapidamente as fronteiras americanas.
Menos de um mês depois, os Estados Unidos invadiram o Afeganistão para derrubar o regime Talibã, que abrigava integrantes da Al-Qaeda e seu líder, Osama bin Laden.
Começava a chamada “Guerra ao Terror”.
Em 2003, os Estados Unidos também invadiram o Iraque. O governo de George W. Bush acusava Saddam Hussein de possuir armas de destruição em massa. Os arsenais que sustentaram parte da justificativa para a guerra nunca foram encontrados.
As duas guerras se prolongaram por anos, custaram milhares de vidas e trilhões de dólares e influenciaram profundamente a política internacional das décadas seguintes.
Bin Laden só seria localizado quase dez anos depois dos atentados. Em maio de 2011, forças especiais americanas mataram o líder da Al-Qaeda durante uma operação no Paquistão.
Outras consequências do 11 de Setembro passaram a fazer parte da rotina de milhões de pessoas.
A segurança nos aeroportos foi radicalmente reforçada. Passageiros passaram a enfrentar controles mais rigorosos de bagagens, identificação e acesso às aeronaves.
Os Estados Unidos criaram o Departamento de Segurança Interna e ampliaram os poderes de vigilância e inteligência do governo.
A legislação antiterrorismo aumentou a capacidade do Estado de monitorar comunicações e movimentações financeiras, provocando um debate que permanece até hoje sobre os limites entre segurança nacional, privacidade e liberdades individuais.
O período posterior aos ataques também foi marcado pelo aumento da hostilidade contra muçulmanos e imigrantes de países de maioria islâmica nos Estados Unidos.
Mortes continuaram décadas depois
A contagem oficial de 2.977 vítimas registra aqueles que morreram diretamente nos ataques de 2001. O número, porém, não representa todas as vidas perdidas como consequência daquele dia.
Bombeiros, policiais, trabalhadores dos serviços de emergência, voluntários e moradores foram expostos durante semanas e meses a uma enorme quantidade de poeira e substâncias tóxicas liberadas pela destruição do World Trade Center.
Cânceres, doenças respiratórias e outras enfermidades passaram a ser associados à exposição.
O Corpo de Bombeiros de Nova York perdeu 343 integrantes no próprio 11 de Setembro. Desde então, mais de 600 outros bombeiros, incluindo aposentados que participaram dos trabalhos de resgate e recuperação, morreram em decorrência de doenças relacionadas ao atentado.
Somente neste ano, 26 morreram por enfermidades associadas à exposição.
A dimensão desse legado levou a organização do Memorial do 11 de Setembro a acrescentar, na cerimônia dos 25 anos, um momento de silêncio dedicado especificamente a essas vítimas.
25 anos depois
As cerimônias desta sexta-feira reuniram diferentes gerações.
No Marco Zero, familiares carregaram fotografias das vítimas enquanto os nomes eram lidos durante aproximadamente quatro horas.
Entre os presentes estavam o vice-presidente JD Vance e os ex-presidentes George W. Bush, Bill Clinton, Barack Obama e Joe Biden.
No Pentágono, onde 184 pessoas morreram, o presidente Donald Trump e a primeira-dama Melania Trump participaram da homenagem. Os nomes das vítimas foram lidos enquanto um sino era tocado em memória de cada uma delas.
“Jamais esqueceremos”, afirmou Trump durante a cerimônia.
Na Pensilvânia, outra homenagem ocorreu no local onde caiu o voo 93.
O tempo também transformou a maneira como os Estados Unidos lidam com a data.
Segundo o Memorial e Museu Nacional do 11 de Setembro, cerca de 100 milhões de americanos são hoje jovens demais para ter qualquer lembrança pessoal dos atentados.
Para uma parcela crescente da população, portanto, o 11 de Setembro deixou de ser uma memória vivida e passou a ser um acontecimento aprendido nas escolas, nos documentários, nos livros e nos relatos familiares.
No local onde estavam as Torres Gêmeas, duas enormes piscinas ocupam hoje exatamente as bases dos edifícios destruídos. Em suas bordas de bronze estão gravados os nomes das vítimas.
À noite, dois feixes de luz voltam a subir sobre Manhattan, reproduzindo no céu a posição das torres que desapareceram há um quarto de século.
Vinte e cinco anos depois, a paisagem de Nova York foi reconstruída. As consequências daquela manhã, porém, continuam presentes nas guerras que vieram depois, nas regras de segurança adotadas em todo o mundo e nas famílias que ainda retornam ao Marco Zero todos os anos para ler os mesmos nomes.


