O juiz aposentado Michel Curi e Silva, de 59 anos, foi preso em flagrante nesta segunda-feira (29), em Belo Horizonte, suspeito de violência doméstica contra a esposa. A ocorrência foi registrada no bairro Belvedere, na região Centro-Sul da capital mineira, após acionamento da Polícia Militar de Minas Gerais.
De acordo com o boletim de ocorrência, a mulher, de 41 anos, relatou ter sido agredida com socos no rosto e ameaçada de morte, assim como a filha do casal, de 6 anos. Policiais que atenderam a chamada encontraram mãe e criança em estado de forte abalo emocional.
Armas, munições e drogas
Durante a abordagem, os militares apreenderam armas de fogo sem registro, munições e substância com características semelhantes à cocaína dentro da residência. Ainda segundo a PM, o ex-magistrado negou inicialmente possuir armas ou drogas, mas o material foi localizado após buscas no imóvel autorizada por ele.
O caso foi encaminhado à Polícia Federal e à Polícia Civil para os procedimentos legais. O juiz aposentado foi autuado em flagrante e permanece à disposição da Justiça.
Custódia e medidas
Após a prisão, Michel Curi e Silva foi conduzido inicialmente para uma unidade policial e, posteriormente, transferido para o Centro de Apoio Médico e Pericial (CAMP), em Ribeirão das Neves, unidade prisional hospitalar destinada a custodiados que necessitam de acompanhamento médico.
A mulher solicitou medidas protetivas com base na Lei Maria da Penha. Até o fechamento desta matéria, a defesa do ex-magistrado não havia se manifestado.
Histórico no Judiciário
Michel Curi e Silva atuou como juiz de Direito em Minas Gerais por décadas. Em agosto de 2025, ele foi aposentado compulsoriamente por decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, após processo administrativo disciplinar que apontou baixa produtividade atribuída a problemas de saúde.
A aposentadoria compulsória, prevista na legislação brasileira, é a sanção administrativa mais severa aplicada a magistrados, mantendo os vencimentos proporcionais, mas encerrando definitivamente o exercício da função jurisdicional.
Violência doméstica e o debate público
Casos envolvendo autoridades públicas reforçam a dimensão estrutural da violência doméstica no país. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, denúncias de agressão contra mulheres continuam em patamar elevado, e especialistas ressaltam a importância da denúncia e da atuação rápida das forças de segurança para a proteção das vítimas, independentemente da posição social do agressor.






