Túmulo de Eunice Paiva atrai visitantes e se torna ponto turístico em São Paulo
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São Paulo - O Cemitério do Araçá, na capital paulista, tornou-se um novo ponto de interesse turístico após o túmulo de Eunice Paiva, advogada e símbolo da luta contra a ditadura militar brasileira, ganhar destaque. Enterrada em uma capela azul, a lápide de Eunice é marcada por uma inscrição que a homenageia: "Exemplo para a família e para a democracia brasileira". A advogada, falecida em 2018, ganhou ainda mais notoriedade após ser interpretada pela atriz Fernanda Torres no filme Ainda Estou Aqui (2023), dirigido por Walter Salles.
O filme, baseado no livro de Marcelo Rubens Paiva, conta a história real da luta de Eunice pela verdade sobre o desaparecimento de seu marido, o deputado Rubens Paiva, durante o regime militar. O longa, que recebeu indicações ao Oscar, gerou grande interesse pela história de Eunice, especialmente após Fernanda Torres compartilhar em suas redes sociais uma visita ao Cemitério do Araçá. "Há um ano, se encerravam as filmagens de Ainda Estou Aqui e fui sozinha agradecer a essa grande brasileira, pela honra de tê-la encarnado no cinema. Obrigada, Eunice", escreveu a atriz no Instagram.
Desde essa visita, o túmulo de Eunice passou a ser parte das visitas guiadas organizadas pelo projeto de necroturismo O Que Te Assombra?, que realiza passeios a cemitérios e túmulos de personalidades históricas no estado de São Paulo. A próxima visita guiada ocorrerá no dia 16 de fevereiro.
O projeto, idealizado pelo pesquisador e advogado Thiago de Souza, tem como foco o Cemitério do Araçá e busca abordar o cemitério como um espaço de memória, cultura e patrimônio. "Eu nunca imaginei que um cemitério tivesse tantas potencialidades e fosse um instrumento tão importante para contar histórias", afirmou Souza.
O pesquisador explicou que a história de Eunice Paiva foi incorporada ao roteiro das visitas guiadas devido à relevância de sua trajetória para a luta pela democracia e pela preservação da memória histórica. Para Souza, a história de Eunice reflete não apenas a busca pela verdade sobre o desaparecimento de Rubens Paiva, mas também a importância dos processos de luto e da preservação das memórias. "A grande busca da Eunice era para ter o direito de saber o que tinha acontecido com o seu marido, quem eram os responsáveis pela sua morte e onde ele estava sepultado", explicou.
O Cemitério do Araçá, inaugurado em 1897, é conhecido por ser o local de descanso de diversas personalidades importantes da história do Brasil, como as atrizes Cacilda Becker e Nair Bello, e o empresário Assis Chateaubriand. Também abriga o mausoléu da Polícia Militar e um ossário que foi utilizado para organizar os restos mortais de vítimas da ditadura militar, enterradas na vala clandestina de Perus. Além disso, o cemitério destaca-se pelas obras de arte, incluindo as assinadas pelo escultor Victor Brecheret.
As visitas guiadas ao Cemitério do Araçá são gratuitas, mas os organizadores pedem a contribuição de um quilo de alimento não perecível, que é destinado a projetos sociais, como a distribuição de marmitas a moradores em situação de rua. As inscrições podem ser feitas por meio do perfil O Que Te Assombra? no Instagram (@oqueteassombra).
Com informações da Agência Brasil
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