O governo federal declarou estado de emergência zoossanitária por 60 dias nos municípios de Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim, no Oeste de Santa Catarina, após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma criação comercial de perus.
A medida foi estabelecida pela Portaria nº 962 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), assinada na segunda-feira (19). O foco está localizado em Nova Itaberaba, e as outras três cidades integram a área de restrição criada para conter uma eventual disseminação do vírus.
A propriedade atingida possui aproximadamente 6 mil perus de corte. Segundo o Ministério da Agricultura, as aves permaneceram no estabelecimento e não chegaram a ser destinadas à produção de carne para consumo. O local foi interditado e a movimentação de aves suspensa.
O plano sanitário prevê a eliminação do foco por meio da retirada do plantel, seguida de limpeza e desinfecção das instalações. Cerca de 133 propriedades de Nova Itaberaba e dos municípios vizinhos serão acompanhadas por equipes veterinárias, com visitas, avaliação clínica das aves e coleta de amostras.
O diagnóstico foi confirmado pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo, reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como laboratório de referência para a doença. A ocorrência também foi comunicada à organização e aos países que compram produtos avícolas brasileiros.
México suspende compras de todo o Brasil
A confirmação do foco já teve reflexos no comércio internacional.
O México suspendeu temporariamente as importações provenientes de todo o território brasileiro de aves vivas, carne e miúdos de aves, ovos férteis, pintinhos de até três dias e algumas categorias de aves destinadas à comercialização.
A China suspendeu a importação de carne de aves produzida em Santa Catarina. Segundo o Mapa, a restrição inicialmente poderia alcançar todo o Brasil, mas negociações conduzidas pelo governo brasileiro permitiram limitar a suspensão ao território catarinense.
O Chile também adotou restrições a produtos procedentes de Santa Catarina, entre eles ovos férteis, pintinhos de um dia, carne fresca de aves, ovos destinados ao consumo humano e produtos cárneos que contenham carne fresca de aves.
O Ministério da Agricultura mantém negociações com os países compradores e informou que outros mercados continuam sendo monitorados.
Consumo de carne e ovos continua seguro
O governo ressalta que não há contraindicação ao consumo de carne de aves e ovos submetidos à inspeção oficial.
O ministro da Agricultura, André de Paula, afirmou que os produtos inspecionados continuam seguros. As aves da propriedade onde o vírus foi identificado não foram encaminhadas para produção de alimentos.
A doença de Newcastle é uma enfermidade viral altamente contagiosa que atinge principalmente aves domésticas e silvestres. O vírus pode se espalhar por aerossóis produzidos por aves infectadas, produtos contaminados e também por vetores como roedores e insetos.
Entre os sinais que levam à investigação estão mortalidade repentina e sintomas respiratórios ou neurológicos nas aves. Casos suspeitos devem ser comunicados ao Serviço Veterinário Oficial.
Brasil registrou outro foco em 2024
O episódio de Santa Catarina ocorre pouco mais de dois anos depois de outro foco registrado em uma granja comercial no Rio Grande do Sul.
Em julho de 2024, a doença foi identificada em uma criação comercial no município de Anta Gorda. Na época, o governo também declarou emergência zoossanitária, realizou ações de contenção e estabeleceu zonas de vigilância. A emergência foi encerrada em agosto daquele ano.
Depois da conclusão das medidas sanitárias, o Brasil voltou a se declarar livre da doença de Newcastle em aves comerciais perante a OMSA em outubro de 2024.
No caso atual, a investigação continua para verificar se houve circulação do vírus em outras propriedades da região e para permitir a retirada das restrições sanitárias e comerciais quando o foco for considerado erradicado.


