Em meio à corrida contra o tempo para encontrar sobreviventes do terremoto que atingiu a Colômbia na segunda-feira (10), uma decisão do recém-empossado presidente Abelardo de la Espriella passou a chamar atenção também no campo político.
Depois de críticas pela demora na aceitação de ajuda internacional, o governo colombiano autorizou a entrada de equipes estrangeiras especializadas em busca e resgate. Os quatro países escolhidos inicialmente são governados por líderes identificados com a direita: Estados Unidos, Israel, Equador e El Salvador.
A decisão deixou de fora, entre outros, países governados pela esquerda que também manifestaram disposição para ajudar a Colômbia, como Brasil, México e Espanha.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva colocou o Brasil à disposição do país vizinho. A presidente mexicana Claudia Sheinbaum também ofereceu apoio, assim como o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez.
A restrição ganhou repercussão especialmente porque ocorreu durante as primeiras 72 horas depois do terremoto, período considerado fundamental nas operações para localizar pessoas com vida sob os escombros.
Aliados ideológicos entre os escolhidos
De la Espriella chegou à Presidência da Colômbia defendendo uma guinada conservadora no país e mantém proximidade política com diferentes governos de direita.
A lista dos autorizados colocou lado a lado os Estados Unidos, de Donald Trump; Israel; o Equador, de Daniel Noboa; e El Salvador, de Nayib Bukele.
A coincidência ideológica chamou ainda mais atenção porque outras administrações de direita também ofereceram auxílio. Entre elas estão a Argentina, de Javier Milei, e o Chile, de José Antonio Kast.
Do outro lado do espectro político, Lula, Sheinbaum e Sánchez também colocaram seus governos à disposição, mas Brasil, México e Espanha não apareceram entre os países inicialmente autorizados a enviar equipes para atuar diretamente nas buscas.
Isso não significa que toda ajuda humanitária desses países tenha sido recusada. O Brasil, por exemplo, avançou nas tratativas para fornecer assistência humanitária. A restrição que provocou a controvérsia envolve especificamente as equipes estrangeiras autorizadas a entrar no território colombiano para participar das operações de busca e salvamento.
Governo nega critério político
O governo colombiano nega que tenha levado em consideração a orientação política dos países.
O chanceler Omar Bula afirmou que não houve exclusão por questões ideológicas e justificou a escolha pela experiência e certificação internacional das equipes selecionadas.
A explicação oficial, porém, não altera um dado objetivo da decisão tomada pelo governo: todos os países inicialmente autorizados a colocar equipes estrangeiras nas operações de resgate são comandados por governos de direita.
A discussão ocorre justamente quando diminuem as chances de encontrar sobreviventes. O terremoto de magnitude 7,4 deixou centenas de mortos, milhares de feridos e centenas de desaparecidos, transformando a tragédia no primeiro grande desafio enfrentado por De la Espriella poucos dias depois de assumir a Presidência.


