O sonho do quinto título da Libertadores terminou de forma amarga para o Flamengo. Diante de mais de 70 mil torcedores no Maracanã, o Rubro-Negro não conseguiu aproveitar quase todo o segundo tempo com um jogador a mais, empatou novamente por 0 a 0 com o Estudiantes e acabou eliminado nos pênaltis por 3 a 2, na noite desta quinta-feira (22).
O grande personagem da noite foi o goleiro uruguaio Fernando Muslera. Aos 40 anos, ele defendeu três cobranças flamenguistas — de Jorginho, Lucas Paquetá e Bruno Henrique — e colocou o clube de La Plata novamente em uma decisão continental. Arrascaeta e Léo Pereira foram os únicos do Flamengo a converter.
O Estudiantes marcou com Sosa, Mancuso e Tomás Palacios. Cetré desperdiçou uma cobrança, mas o erro argentino acabou sem consequências diante da noite inspirada de Muslera.
A classificação colocou o Estudiantes na final contra o Palmeiras, marcada para 28 de novembro, no Estádio Centenário, em Montevidéu. O duelo será uma reedição da decisão de 1968, justamente o primeiro título continental conquistado pelo clube argentino.
Flamengo teve um a mais e não aproveitou
O drama rubro-negro poderia ter tomado outro rumo logo no início do segundo tempo.
Aos quatro minutos, Baltasar Rodríguez fez falta em Samuel Lino, recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso. O Flamengo passou a ter superioridade numérica por praticamente toda a etapa final.
Era a oportunidade que o Maracanã esperava.
Com o Estudiantes recuado, o Flamengo passou a controlar a posse, ocupou o campo ofensivo e tentou aumentar a pressão. Faltou, porém, transformar o domínio territorial em chances claras.
A equipe argentina baixou suas linhas, fechou a entrada da área e obrigou o Flamengo a insistir em cruzamentos e bolas levantadas.
Leonardo Jardim lançou Arrascaeta, Bruno Henrique, Plata e Ayrton Lucas na tentativa de mudar o panorama.
Plata ainda obrigou Muslera a trabalhar após cabeçada. Pouco depois, Paquetá também teve oportunidade pelo alto, mas mandou rente à trave. O gol que levaria o Flamengo à final não veio.
O 0 a 0 repetiu o placar do jogo de ida, em La Plata, e levou a decisão diretamente para os pênaltis.
Muslera fecha o gol
Na marca da cal, o Flamengo encontrou um adversário ainda maior.
Muslera defendeu a cobrança de Jorginho, um dos principais batedores do elenco. Depois parou Lucas Paquetá e, por fim, Bruno Henrique.
Foram três defesas em cinco cobranças rubro-negras.
O goleiro transformou uma noite de resistência argentina em classificação histórica e silenciou o Maracanã.
O Flamengo, que buscava a sexta final de Libertadores de sua história e a quarta decisão nas últimas oito edições, ficou pelo caminho na semifinal.
A eliminação também frustrou a possibilidade de uma terceira final de Libertadores entre Flamengo e Palmeiras.
Os dois clubes haviam decidido a competição em 2021 e 2025. Em Montevidéu, há cinco anos, o Palmeiras venceu por 2 a 1 na prorrogação. No ano passado, em Lima, o Flamengo deu o troco e venceu por 1 a 0, com gol de Danilo, conquistando o tetracampeonato.
Palmeiras terá revanche de 58 anos
Se o reencontro com o Flamengo não aconteceu, o Palmeiras terá outro acerto de contas histórico.
Verdão e Estudiantes decidiram a Libertadores de 1968.
Naquela época, a final era disputada em jogos de ida e volta, com uma partida extra em caso de igualdade.
O Estudiantes venceu o primeiro confronto por 2 a 1, em La Plata. O Palmeiras respondeu com 3 a 1 no Pacaembu. O desempate foi justamente no Estádio Centenário, em Montevidéu, onde os argentinos venceram por 2 a 0 e conquistaram sua primeira Libertadores.
Cinquenta e oito anos depois, os dois voltarão ao mesmo estádio para decidir novamente o continente.
O Palmeiras chegou à final depois de eliminar o Fluminense também nos pênaltis. Na quarta-feira (21), perdeu por 1 a 0 no tempo normal no Nubank Parque, resultado que igualou o confronto após a vitória palmeirense por 2 a 1 no Maracanã. Nas penalidades, o Verdão venceu por 5 a 3.
O goleiro Carlos Miguel defendeu a cobrança de Nonato e garantiu a oitava final de Libertadores da história palmeirense.
Brasil ou Argentina assumirá o topo
A decisão de novembro terá ainda um peso histórico para os dois países.
Brasil e Argentina chegam à final empatados com 25 títulos de Libertadores cada. Quem levantar a taça colocará seu país isoladamente na liderança do ranking continental.
O Palmeiras busca a quarta conquista, depois dos títulos de 1999, 2020 e 2021.
O Estudiantes tenta chegar ao quinto troféu. O clube argentino foi campeão em 1968, 1969, 1970 e 2009.
A presença brasileira em finais, porém, continua intacta. Desde 2019, pelo menos um clube do país chega à decisão da Libertadores.
Para o Flamengo, resta virar a chave. O time lidera o Campeonato Brasileiro e volta a campo na segunda-feira (26), às 20h, contra o Atlético-MG, novamente no Maracanã.


