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Home Notícias Economia

Estímulo monetário na Europa ajudará o Brasil no médio prazo, dizem economistas

Por Redação
22 de janeiro de 2015 - 17:21
em Economia
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O estímulo monetário anunciado hoje (22) pelo Banco Central Europeu (BCE) terá reflexos positivos em países emergentes como o Brasil, dizem economistas. A ajuda, no entanto, só chegará no médio prazo, apenas quando os efeitos da injeção de dinheiro na zona do euro se consolidarem e começarem a ser sentidos.

Até setembro de 2016, o BCE injetará 60 bilhões de euros por mês nos países da União Europeia que adotam o euro como moeda. No total, a ajuda chegará a 1,1 trilhão de euros em um ano e nove meses. O BCE também decidiu manter os juros básicos em 0,05% ao ano, no nível mais baixo da história, para combater a deflação.

O mecanismo da ajuda é semelhante ao do Federal Reserve (Fed, Banco Central norte-americano), que injetou US$ 3,7 trilhões entre 2008 e 2014 para ajudar a maior economia do planeta a se recuperar da crise. Por meio do estímulo monetário, os bancos centrais emitem dinheiro para comprar títulos públicos de instituições financeiras. A injeção de dinheiro no mercado ajuda a manter os juros baixos e impulsiona os bancos a emprestar mais, ampliando o consumo e o investimento.

Apesar de o objetivo da medida ser a recuperação da economia europeia, o economista-chefe da consultoria Austin Rating, Alex Agostini, diz que o Brasil e os demais países emergentes serão beneficiados pelo estímulo monetário. Segundo ele, os primeiros efeitos já podem ser sentidos no mercado financeiro.

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“O estímulo monetário na zona do euro vai proporcionar maior fluxo de capital disponível para os países emergentes no mercado global, reduzindo o custo dos financiamentos e facilitando a entrada de recursos no Brasil e em outros países emergentes”, destaca Agostini. “O mercado cambial fornece um termômetro simples. O euro caiu abaixo de R$ 3, e o dólar ficou abaixo de R$ 2,60 logo após o anúncio da medida”, acrescenta.

Os efeitos na economia real dos países emergentes, no entanto, levarão algum tempo para serem sentidos. Caso o estímulo monetário dê certo, a recuperação dos países da zona do euro pode estimular as exportações para o bloco econômico, melhorando o saldo comercial do Brasil com a região.

Apesar das perspectivas promissoras para o comércio exterior, Agostini alega que os efeitos vão demorar um pouco. “A compra de títulos públicos é o início de um processo. Somente quando houver efeito mais consistente do estímulo monetário na economia real da União Europeia, eles vão consumir mais. Por enquanto, o anúncio do Banco Central Europeu mexe mais com as perspectivas futuras de forma positiva”, explica.

O professor Márcio Salviato, coordenador do curso de economia do Ibmec, acredita que os efeitos sobre a balança comercial serão limitados. Para ele, o efeito positivo se concentrará nos setores da economia com maior abertura comercial com a União Europeia. “É importante lembrar que a União Europeia está perdendo espaço nas exportações brasileiras e não é um grande parceiro do Brasil. Os Estados Unidos e a Rússia hoje têm perspectivas mais promissoras que a zona do euro em relação ao comércio exterior”, declara.

Redação

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