A primeira Libertadores a gente nunca esquece. Para as Cabulosas, então, será impossível.
Logo em sua estreia na principal competição de clubes do futebol feminino sul-americano, o Cruzeiro conquistou a América. E não poderia ter escolhido um roteiro mais dramático para escrever a página mais importante de sua história.
Na noite de sábado (31), no estádio Casa Blanca, em Quito, no Equador, o Corinthians saiu na frente e abiur 3 a 0, mas o Cruzeiro buscou uma reação espetacular, empatou por 4 a 4 e venceu nos pênaltis por 5 a 4.
Dois dias depois, a taça chegou a Minas Gerais.
Na manhã desta segunda-feira (2), as campeãs desembarcaram no Aeroporto Internacional de Confins e encontraram torcedores esperando para transformar o retorno em festa. Instrumentos, sinalizadores, bandeiras e gritos receberam as jogadoras que, pela primeira vez, trouxeram para Belo Horizonte a taça da Libertadores Feminina.
Uma final para entrar na história
O Corinthians chegou à decisão carregando o peso de seis títulos continentais, três deles conquistados consecutivamente entre 2023 e 2025. Buscava o heptacampeonato.
E começou a partida mostrando por quê.
Gabi Zanotti marcou duas vezes no primeiro tempo e levou as Brabas para o intervalo vencendo por 2 a 0. Logo depois da volta dos vestiários, Vic Albuquerque fez o terceiro.
Aos olhos de quem assistia, o título parecia encaminhado.
Não para o Cruzeiro.
As Cabulosas reagiram com Byanca Brasil, que recolocou o time no jogo, e depois com Vitória Calhau, de pênalti. O Corinthians ainda respondeu novamente com Vic Albuquerque e abriu 4 a 2.
O Cruzeiro precisava buscar dois gols contra o maior campeão da história da competição.
Buscou.
Ketlin diminuiu perto dos 30 minutos do segundo tempo e colocou fogo na final.
Quando o relógio chegou aos 45 minutos e o Corinthians já se aproximava de mais uma taça, Letícia Ferreira apareceu de cabeça e fez o 4 a 4.
O gol transformou uma derrota que parecia definida em uma decisão por pênaltis.
E ainda havia emoção reservada.
Pri Back teve uma cobrança defendida por Lelê. Jaque Ribeiro, do Corinthians, mandou para fora. Depois, Bedoya também desperdiçou para o Cruzeiro, mas Gisela Robledo isolou a cobrança que poderia colocar as paulistas novamente em vantagem.
Milena Ferreira converteu para o Cruzeiro.
Então chegou a vez de Camila Rodrigues.
Gi Fernandes partiu para a cobrança. A goleira celeste defendeu.
Acabou.
Cruzeiro, campeão da Libertadores Feminina.
As jogadoras correram para Camila, o banco de reservas invadiu o gramado e a festa azul tomou conta de Quito.
Do 3 a 0 contra ao título da América.
Em uma final.
Contra o Corinthians.
Na primeira Libertadores da história do clube.
Estreou para ser campeã
O título coroou uma campanha praticamente perfeita.
O Cruzeiro chegou ao Equador para disputar sua primeira Libertadores e venceu todos os cinco jogos antes da decisão.
Na fase de grupos, derrotou a LDU por 2 a 1, goleou o Bolívar por 3 a 0 e repetiu o placar diante do Olimpia.
Nas quartas de final, outro 3 a 0, desta vez sobre o Libertad.
Na semifinal, reencontrou o Olimpia e venceu por 1 a 0, com gol de Marília, garantindo uma final inédita.
Foram cinco vitórias consecutivas e apenas um gol sofrido antes de encontrar o Corinthians. A final terminou empatada no tempo normal, deixando a campanha celeste com cinco vitórias, um empate e nenhuma derrota.
Ao todo, as Cabulosas marcaram 16 gols e sofreram cinco na competição. Byanca Brasil terminou como a principal goleadora do Cruzeiro no torneio, com seis gols.
A taça também interrompeu a sequência do Corinthians, que havia vencido as três edições anteriores e buscava chegar ao sétimo título.
Com a conquista celeste, o Brasil chegou a 15 títulos em 18 edições da Libertadores Feminina. Corinthians tem seis; São José, três; Santos e Ferroviária, dois cada; Palmeiras e Cruzeiro completam a lista dos campeões brasileiros.
O título rendeu ainda US$ 2 milhões pela conquista, além dos US$ 50 mil recebidos pela participação, totalizando aproximadamente US$ 2,05 milhões em premiação.
E abriu novas portas.
O Cruzeiro está classificado para a Libertadores Feminina de 2027, para a Copa das Campeãs Feminina da FIFA e para o primeiro Mundial de Clubes Feminino, previsto para 2028.
O próximo desafio internacional já tem adversário e data: Barcelona, atual representante europeu, em semifinal marcada para 27 de janeiro de 2027, em Miami.
As campeãs voltam para casa
Depois da festa em Quito, chegou a vez de Belo Horizonte celebrar.
A delegação desembarcou em Confins na manhã desta segunda-feira e foi recebida por torcedores que se mobilizaram ainda durante o fim de semana para acompanhar a chegada da taça.
A programação preparada pelo Cruzeiro prevê passagem pela Toca da Raposa I, de onde as jogadoras seguem em carro aberto pela Orla da Lagoa da Pampulha, Avenida Antônio Carlos e Praça Sete, até a sede administrativa do clube, no Barro Preto.
A chegada ao Barro Preto está prevista para aproximadamente 11h, com encontro das campeãs com os torcedores.
A celebração marca também o tamanho da evolução do projeto feminino do clube.
Criado profissionalmente em 2019, o Cruzeiro já havia conquistado quatro Campeonatos Mineiros e chegado à final do Brasileiro de 2025. Faltava uma taça de alcance nacional ou internacional.
Ela veio da maior competição do continente.
E veio logo na primeira tentativa.
As Cabulosas viajaram a Quito como estreantes.
Voltaram para Belo Horizonte como campeãs da América.


