O Cruzeiro entrou na Arena MRV sabendo que o clássico valia mais do que três pontos e saiu de lá ainda mais perto da Libertadores de 2027. Com gol de Kaio Jorge logo aos três minutos, a Raposa venceu o Atlético por 1 a 0, na noite desta quinta-feira (29), chegou à terceira vitória consecutiva no Brasileirão e abriu vantagem na briga por uma vaga direta na competição continental.
Para o Atlético, a derrota teve efeito contrário. O Galo permaneceu com 50 pontos, caiu para a sétima colocação e viu o grupo da frente se afastar numa rodada em que Fluminense e Bahia venceram.
O Cruzeiro praticamente começou o jogo comemorando.
Aos três minutos, Keny Arroyo recebeu pela direita, trouxe a jogada para dentro e cruzou na medida. Kaio Jorge se esticou entre os defensores atleticanos e desviou para o fundo das redes de Gabriel Delfim. Foi o oitavo gol do atacante contra o Atlético na carreira e o quinto somente nesta temporada.
O gol cedo deu ao Cruzeiro exatamente o cenário que Artur Jorge queria. A equipe passou a controlar o meio-campo, pressionou a saída atleticana e encontrou espaços principalmente pelos lados.
O Atlético teve dificuldade para transformar a posse de bola em perigo. A marcação celeste fechava os espaços por dentro e, quando recuperava a bola, Matheus Pereira, Gerson e Arroyo aceleravam rapidamente.
A Raposa poderia ter ampliado ainda no primeiro tempo.
Arroyo teve boa oportunidade depois de invadir a área, enquanto Gabriel Delfim precisou trabalhar em sequência para impedir o segundo gol. Nos minutos finais antes do intervalo, o goleiro atleticano fez grande defesa em desvio de Matheus Pereira, além de parar finalizações de Gerson e do próprio Arroyo.
O Atlético teve sua melhor chance quando Reinier acertou a trave, mas produziu pouco diante de uma defesa celeste bem posicionada. Jonathan Jesus, convocado horas antes por Carlo Ancelotti para a Seleção Brasileira, fez partida segura ao lado de João Marcelo.
Atlético cresce, mas Cruzeiro segura
Eduardo Domínguez mexeu no time no intervalo e o Atlético voltou mais agressivo para o segundo tempo.
O Galo passou a ocupar o campo ofensivo e empurrou o Cruzeiro para trás. A equipe celeste já não conseguia manter o mesmo ritmo da primeira etapa e passou a apostar mais na marcação e nas saídas em velocidade.
O jogo ficou momentaneamente em segundo plano depois de um forte choque entre Vitão e o goleiro Gabriel Delfim.
O zagueiro caiu no gramado, recebeu atendimento das equipes médicas dos dois clubes, foi imobilizado e deixou o campo de ambulância. Levado ao Hospital Mater Dei, passou por exames que posteriormente descartaram lesões na coluna cervical, face e crânio. O Atlético informou que foi identificada uma contusão muscular decorrente do trauma.
Reinier também precisou deixar a partida depois de sentir dores na parte posterior da coxa esquerda.
Com Bernard em campo, o Atlético ganhou mais presença no ataque. O meia teve oportunidades para empatar e o Galo aumentou a pressão nos minutos finais, mas continuou esbarrando na falta de precisão e na defesa cruzeirense.
Otávio apareceu quando foi necessário, enquanto Jonathan Jesus, Fabrício Bruno e os demais defensores suportaram a blitz atleticana nos acréscimos.
Depois de nove minutos adicionais, Raphael Claus encerrou o clássico.
Atlético 0, Cruzeiro 1.
Foi a quarta vitória celeste em nove clássicos disputados na Arena MRV. O Atlético venceu três e outros dois terminaram empatados.
Rodada ajuda Cruzeiro e complica Atlético
Os três pontos ficaram ainda mais valiosos quando colocados ao lado dos outros resultados da 33ª rodada.
O Fluminense venceu o Internacional por 2 a 1 e chegou aos 54 pontos. O Bahia bateu o São Paulo por 3 a 2 e foi a 53.
Já o Athletico-PR perdeu por 2 a 0 para o Grêmio, permaneceu com 54 e desperdiçou a chance de acompanhar o Cruzeiro.
Com cinco rodadas restantes, a parte da tabela que interessa aos mineiros ficou assim:
1º Flamengo — 73 pontos
2º Palmeiras — 70 pontos
3º Cruzeiro — 57 pontos
4º Fluminense — 54 pontos
5º Athletico-PR — 54 pontos
6º Bahia — 53 pontos
7º Atlético — 50 pontos
O Cruzeiro abriu três pontos sobre Fluminense e Athletico-PR, além de quatro sobre o Bahia. Como o G-4 garante classificação direta à fase de grupos da Libertadores, a vitória no clássico deu à equipe de Artur Jorge uma margem importante para a reta final.
A situação do Atlético ficou mais apertada.
O Galo está a quatro pontos do quarto colocado e agora também tem Bahia e Athletico-PR entre ele e a zona de classificação direta. Depois de duas derrotas consecutivas, para Flamengo e Cruzeiro, a equipe perdeu uma oportunidade importante de encostar no G-4.
O calendário também promete aumentar a tensão.
Antes de voltar ao Brasileirão, o Atlético enfrenta o Grêmio neste domingo (1º), em Porto Alegre, pela semifinal da Copa do Brasil. Pelo campeonato nacional, o próximo compromisso será contra o Botafogo, quarta-feira (4), no Nilton Santos.
O Cruzeiro terá um confronto que vale diretamente pela Libertadores.
Na quinta-feira (5), recebe o Bahia no Mineirão, às 21h30. A Raposa tem 57 pontos; o time baiano, 53. Uma vitória celeste aumentaria para sete pontos a diferença entre as equipes faltando quatro rodadas.
O clássico desta quinta não decidiu a vaga continental, mas mudou bastante a corrida.
O Cruzeiro deixou a Arena MRV isolado em terceiro, embalado por três vitórias seguidas e dependendo cada vez mais de seus próprios resultados.
O Atlético saiu pressionado pela derrota para o maior rival e com menos margem para erros.
Kaio Jorge precisou de apenas três minutos para marcar. Na tabela, o efeito daquele gol pode durar até dezembro.


