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Home Colunas

COMO CRIAR UM BLOCKBUSTER

“Filme para mostrar que Jair Bolsonaro não é corrupto, foi feito com o dinheiro da corrupção.” (Le Monde)

Por Ediel Ribeiro
16 de setembro de 2026 - 07:26
em Colunas
Denúncias sobre filme de Bolsonaro expõem comida estragada, baixos cachês e revistas íntimas em set

Reprodução: Instagram/Jim Caviezel

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Rio – Só agora, com a quebra do sigilo dos 35 telefones de Daniel Vorcaro, nós jornalistas ficamos sabendo da história de como um grupo que odeia a arte e a cultura resolveu, do nada, ‘fazer cinema’.

Finalmente, agora posso contar a verdadeira história do filme “Dark Horse”:

Logo depois que o ex-presidente Jair Bolsonaro foi preso, condenado pela tentativa de golpe de Estado, no dia 8 de janeiro de 2023, o senador Flávio Bolsonaro chamou um assessor às pressas no seu gabinete.

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– Liga para a imprensa. Convoca uma coletiva, quero anunciar que vamos fazer um longa metragem contando a história de Jair Bolsonaro, o melhor presidente que esse país já teve. Um blockbuster. Um filme de alto orçamento com grande sucesso de bilheteria e público.

– Uma cinebiografia? – quis saber o assessor.

– Sim. Adolf Hitler, Benito Mussolini, Josef Stalin, Idi Amin Dada e outros grandes líderes mundiais tiveram suas vidas e carreiras contadas ao longo da história do cinema. Chegou a vez do capitão.

– O senhor tá sabendo que todos eles foram ditadores sanguinários, não tá?

– Calunia!! Foram grandes homens!!

O assessor continuou:

– Senador, seus eleitores não vão entender nada. O senhor e sua família passaram anos atacando a cultura e o cinema brasileiro. Jair Bolsonaro, seu pai, extinguiu o Ministério da Cultura; vetou leis de incentivo ao cinema; tentou acabar com a Agência Nacional do Cinema (Ancine) e a Lei Rouanet; perseguiu atores; impediu a criação de salas de cinema em cidades pequenas e vetou à Lei Paulo Gustavo criada para ajudar o setor cultural após a pandemia. E agora o senhor vai fazer um filme?

– Os filmes brasileiros são feitos por comunistas, contando histórias de esquerdistas – berrou Flávio.

– Porque, então, agora o senhor resolveu fazer um filme? O senhor sabe fazer filmes?

– Liga para o Mário Frias, ele sabe – ordenou o senador.

– Senador, desculpe, mas o Frias foi um atorzinho medíocre de “Malhação”. Depois da série juvenil, o papel de maior destaque do ator foi o de Thomas Jefferson, um deputado corrupto, na novela “Senhora do Destino”. O personagem se fingia de idealista, mas se metia em esquemas de corrupção e usava a política para aparecer na mídia.

– Ele é sócio do Instituto Conhecer Brasil (ICB), da Karina da Gama, eles fazem tudo!

– Esse Instituto é aquele que pegou R$157 milhões da prefeitura de São Paulo para instalar 5 mil pontos de internet WiFi, que dá cursos de empreendedorismo e aulas de jiu-jitsu em São Paulo, com verba da Prefeitura?

– Esse mesmo!

– Senador, fazer um longa metragem custa muito caro. O senhor tem dinheiro pra isso? O senhor acabou de comprar uma mansão no Lago Sul por R$ 6 milhões à vista.

– Eu não tenho, mas meu irmão Daniel Vorcaro tem – disse ele alegremente – e muito!

– Quem? O banqueiro dono do Banco Master, metido no caso do INSS? O senhor quer fazer um filme para mostrar que seu pai não é corrupto com o dinheiro da corrupção, é isso? – disse o assessor, segurando o riso.

– Ele é um empresário privado; o dinheiro é privado e o banco é privado.

– Desculpe, senador, mas o dinheiro do Banco Master veio de verbas públicas, aposentados do INSS e fundos de pensão.

– Calúnia! Vorcarinho é um homem religioso, temente a Deus!

Um outro assessor invade a sala:

– Senador, chegou o seu convite para o bacanal do Daniel Vorcaro, na Boate Madame Satã, com 120 mulheres…

Tags: Banco MasterCINEMAColunasDaniel VorcaroDark HorseEdiel RibeiroFlávio BolsonarohumorJair BolsonaroKarina GamaMário Friaspolíticasátira política
Ediel Ribeiro

Ediel Ribeiro

"Coluna do Ediel" Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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