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Home Colunas

Código do demônio na FCCDA

Por Lenin Novaes
20 de novembro de 2019 - 08:14
em Colunas

A FCCDA tem cravado no ímóvel, como seu endereço postal, o núemro 666 que é atribuído à marca do diabo. (Foto Internet)

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– Athaliba, a maldição que atravanca as ações da instituição cultural que leva o nome do poeta Antônio Crispim, em Alucard do Mato Dentro, nas alterosas das Gerais, tem explicação satânica: o imóvel traz no endereço postal a numeração do diabo, ou seja, “666”. Fui até lá para conferir e levei o maior susto. É a mais pura verdade que tem o número do anticristo encravado na fachada do imóvel, na Avenida Antônio Crispim. Curioso ainda é que, na encruzilhada, esquina da Avenida Daniel Jardim de Grisólia, à direita, tem um templo da Igreja Universal do Reino de Deus. E de frente o prédio da Câmara de Vereadores, formando uma frívola trindade.

– Marineth, o imóvel, de fato, tem aspecto carrancudo, nebuloso, sombrio. A pintura enseja má impressão e remete a nossa imaginação a cenário de filme de terror. Como é, aliás, o acesso à Fazenda do Pontal, órgão vinculado à instituição cultural. E também boa parte da trajetória dos vandalizados Caminhos Crispinianos. Os turistas que lá vão ficam horrorizados.

– Athaliba, após constatar a numeração diabólica, assisti parte da Reunião das Comissões Temáticas, na Câmara de Vereadores, onde a coordenadora do gabinete do prefeito Esponjinha fez apelo pela aprovação do PL 96/2019, que propõe a instituição de Comissão Permanente de Sindicância e Processo Administrativo Disciplinar e Especial. O vereador e sindicalista Boca de Caçapa, evangélico, que tem dupla função, pois é parlamentar e, ao mesmo tempo, presidente do Sindicato Metabase, ostentava camisa da entidade sindical. Fez alguns comentários depreciativos contra servidores, mas a matéria seguiu seu curso para a apreciação dos parlamentares.

– Marineth, essa dupla função exercida pelo Boca de Caçapa é imoral. Ele faz o que fez o seu antecessor, o PS da Yale. Mas, fiel amiga, essa imoralidade, indecência, patifaria soa como música clássica na retrógrada Alucard. As mulheres são maioria, todavia, entre os 17 vereadores não tem uma mulher. E, recentemente, dois deles foram cassados pela prática da “rachadinha”. Leia a crônica “Rachadinha atacada em Alucard”.

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– Athaliba, as mulheres de Alucard do Mato Dentro não se importam com a ausência delas no parlamento, pois são subjugadas pelo machismo. Algumas até acham legal. Mesma situação acontece na cidade de João Monlevade. Em Santa Bárbara também não tem mulher vereadora, como no Município Sem Peixe. Idem em Conceição do Mato Dentro, cidade da tua linha materna. Lá reinam 11 vereadores. Mas não pretendo me estender nesse assunto que muito me incomoda.

– Está bem, Marineth. Não fique deprimida, por favor. Quem sabe elas tomam vergonha na cara e mude esse quadro nas eleições municipais do próximo ano. O que você fez quando saiu da Câmara de Vereadores, dominada por parlamentares de baixo nível político?

– Fui à praça redonda, Athaliba. Lá encontrei as gêmeas lésbicas Ivonete e Francinete, que estavam acompanhadas dos respectivos cônjuges. Francinete, que é ativa, é marido da Deolinda; e Ivonete, passiva, é mulher da Hermelinda. Elas ficaram boquiabertas quando falei da instituição cultural ter no endereço postal a numeração do príncipe das trevas. Deolinda disse não entender o que o fato significava e a Hermelinda, que revelou ser cinéfila, esclareceu o caso.

– Creio que a população de Alucard nunca se deu conta dessa coincidência, Marineth.

– Sim, Athaliba. O marido de Ivonete contou que o número “666” é bíblico, que se encontra no capítulo 13, versículo 18 do Apocalipse, o último livro canônico do Novo Testamento. E a passagem afirma que “aqui há sabedoria; aquele que tem entendimento calcule o número da besta, porque é o número de um homem e o seu número é seiscentos e sessenta e seis”.

– Então isso é fato mesmo, Marineth?

– Athaliba, o teólogo Leomar Brustolin, da Faculdade de Teologia da PUC-RS, diz que o homem ao qual o autor do Apocalipse se refere é César Nero, imperador de Roma, que mais perseguiu os cristãos. E, por isso, os adeptos do cristianismo passaram a chamar Nero de “besta” No alfabeto hebraico, segundo ele, o nome César Nero, em número, vai dar “666”. Já o teólogo Isidoro Mazzarollo acrescenta que o Apocalipse não quis atingir somente Nero, mas todos os imperadores perversos. Será que existe alguma relação com o brasileiro mito pés de barro?

– Vai saber, Marineth. Mas essa explicação é dúbia, ambígua, anfibológica, heim!!!

– Athaliba, o número “666” representa o símbolo do diabo no filme “A profecia”. Hermelinda contou que a versão homônima de 1976 foi lançada no dia seis, do mês seis, do ano 2006, numa espetacular estratégia de marketing da 20th Century Fox, aproveitando-se da cultura cristã que associa o número ao diabo. O filme narra à história de um menino, Damien, que é reencarnação do diabo e tem uma mancha de nascimento com a forma “666” no crânio.

– Marineth, o trem é doido. Dizem as más línguas, à boca pequena, cochichando no pé de ouvido, que o local é habitado por uma bruxa serva de satã e que as porções de feitiçarias feitas no caldeirão não produzem resultados positivos. É o feitiço virando contra o feiticeiro. Será que qualquer semelhança é mera coincidência? Bem, amiga, não nos cabe decodificar esse “666” do diabo na instituição cultural de Alucard. Quero é continuar concentrado no “Poema de sete faces” do poeta Antônio Crispim. E, também dele, “O Deus de cada homem”, que todos os alucardeanos devem declamar ajoelhados ao pé do monumento de concreto à Bíblia, na praça redonda:

“Quando digo “meu Deus”,
Afirmo a propriedade.
Há mil deuses pessoais
Em nichos da cidade.

Quando digo “meu Deus”,
Crio cumplicidade.
Mas fraco, sou mais forte
Do que a desirmandade,

Quando digo “meu Deus”,
Grito minha orfandade.
O rei que me ofereço
Rouba-me a liberdade.

Quando digo “meu Deus”,
Choro minha ansiedade.
Não sei que fazer dele
Na microeternidade”

Tags: AlucardAntônio CrispimATHALIBAFCCDAMarineth
Lenin Novaes

Lenin Novaes

Crônicas do Athaliba LENIN NOVAES jornalista e produtor cultural. É co-autor do livro Cantando para não enlouquecer, biografia da cantora Elza Soares, com José Louzeiro. Criou e promoveu o Concurso Nacional de Poesia para jornalistas, em homenagem ao poeta Carlos Drummond de Andrade. É um dos coordenadores do Festival de Choro do Rio, realizado pelo Museu da Imagem e do Som - MIS

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