A sucessão ao Governo de Minas Gerais continua girando em torno de um único nome. Pela quinta vez neste ano, o senador Cleitinho Azevedo adiou a decisão sobre disputar ou não o Palácio Tiradentes nas eleições de outubro, prolongando a indefinição que tem travado parte das articulações da direita no estado.
Durante pronunciamento no plenário do Senado, na terça-feira (7), o parlamentar afirmou que só pretende anunciar sua posição após o encerramento das convenções partidárias, previsto para agosto. O novo prazo frustrou aliados que esperavam uma definição ainda neste mês, depois que o próprio senador havia sinalizado que tomaria a decisão após a Copa do Mundo.
Em tom descontraído, mas sem esconder o cálculo político, Cleitinho afirmou que não pretende tomar uma decisão precipitada.
“Vou decidir no momento certo. Não adianta ficar criando expectativa. Depois das convenções partidárias eu vou anunciar qual será a minha decisão.”
O senador também voltou a negar que tenha desistido da disputa pelo governo mineiro.
“Eu não recuei. Eu só não vou fazer política do jeito que os outros querem. Quem vai definir isso sou eu, junto com Deus e com o povo.”
Um nome que movimenta todo o tabuleiro
A demora de Cleitinho extrapola o campo pessoal. Hoje, sua decisão é considerada uma das principais variáveis da eleição em Minas Gerais.
As pesquisas de intenção de voto divulgadas nos últimos meses colocam o senador na liderança dos cenários em que aparece como candidato ao governo estadual, o que faz dele o principal ativo eleitoral do campo conservador.
Enquanto o Republicanos evita pressioná-lo publicamente, outras legendas acompanham cada movimento do parlamentar. O PL, por exemplo, trabalha com a possibilidade de integrar uma eventual chapa encabeçada por Cleitinho, enquanto outras siglas aguardam a definição para decidir se lançam candidatura própria ou negociam alianças.
Nos bastidores, dirigentes admitem que a indefinição dificulta a montagem das chapas proporcionais, a escolha de candidatos ao Senado e até a definição dos palanques presidenciais em Minas Gerais.
Estratégia para reduzir desgaste
A sucessão de adiamentos também é interpretada como uma estratégia política.
Interlocutores do senador avaliam que antecipar a candidatura significaria abrir espaço para ataques dos adversários durante meses antes do início oficial da campanha. Mantendo-se apenas como senador, Cleitinho continua explorando a visibilidade do mandato enquanto preserva o discurso de que ainda não tomou uma decisão definitiva.
Outro fator considerado por aliados é que o parlamentar poderá conhecer, antes de bater o martelo, quais serão seus adversários e como ficará a composição das chapas no estado.
O cálculo é simples: se decidir disputar o governo, entra na corrida liderando as pesquisas. Se optar por permanecer no Senado, continua no mandato por mais quatro anos e evita o risco de uma derrota eleitoral.
Discurso reforça perfil antissistema
Embora tenha evitado confirmar a candidatura, Cleitinho aproveitou o pronunciamento para reforçar a imagem que o levou ao Senado em 2022: a de um político avesso às práticas tradicionais da política.
Em discurso anterior sobre a possibilidade de disputar o governo, o senador respondeu às críticas de que não teria perfil para administrar Minas Gerais.
“Eu não tenho perfil é para roubar. Eu não tenho perfil é para desviar dinheiro. Eu não tenho perfil é para fazer contrato superfaturado para beneficiar empresas, para beneficiar grupo político. O meu perfil é 100% para defender a população.”
Na mesma ocasião, acrescentou:
“Vocês sabem que eu não faço negócio! É por isso que causo arrepio!”
As declarações reforçam a estratégia adotada por Cleitinho desde a campanha ao Senado: apresentar-se como um político de linguagem direta, distante das negociações tradicionais e identificado com o eleitor insatisfeito com a classe política.
Agosto deve encerrar o suspense
Pela legislação eleitoral, as convenções partidárias são o momento em que os partidos oficializam seus candidatos e alianças.
Ao afirmar que só anunciará sua decisão após essa etapa, Cleitinho estica a corda por mais algumas semanas e mantém Minas Gerais em compasso de espera.
Até lá, o principal favorito nas pesquisas continua sendo também o maior ponto de interrogação da disputa pelo Palácio Tiradentes.

