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Home Colunas

CIÇA E O PATO

Por Ediel Ribeiro
16 de setembro de 2019 - 08:46
em Colunas

Cartunista Ciça (Foto: Divulgação)

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Tivemos, no passado, poucas cartunistas mulheres. Destacaram-se Hilde Weber e Nair de Teffé (Rian). 

Embora a profissão ainda seja predominantemente masculina, hoje, são várias:  Chiquinha, Pryscila Vieira, Cynthia B, Rosa Araujo, Alexandra Moraes, Suelen Becker, Fani Loss, Liliana Ostrovski, entre outras. 

Das quadrinistas, sou fã da Ciça.

Nos anos 70 e 80 quando o “Jornal do Brasil” publicava uma página inteira de HQ`s, eu corria para as bancas para ler “O Pato”, da Ciça.

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O Pato e outros bichos eram animais críticos e politizados que formavam o universo com a qual a cartunista conseguiu, por quase quatro décadas, driblar a censura.

Ciça nunca desenhou pessoas, preferia patos, galinhas, formigas e outros bichos.  

“Acredito que os bichos me ajudaram a criticar o regime sem ser incomodada. Ao menos, nunca fui presa. Imagino que as autoridades da época provavelmente preferiam não admitir que estavam sendo representados por um pato, um ovo, um sapo, ou uma formiga” – dizia.

O Pato era o protagonista da tira. Contracenava com o ovo, o sapo, a pomba e o galo. 

Durante a ditadura militar, Ciça criou O Formigueiro, onde uma formiga, usando quepe militar, fazia duras críticas ao regime.

A tira apareceu pela primeira vez no suplemento Cartum JS do “Jornal dos Sports”, do Rio de Janeiro. Teve uma breve aparição na revista “Realidade” e logo em seguida começou a ser publicada diariamente na “Folha de São Paulo”, onde permaneceu por cerca de 20 anos.

Em 1970, apareceria também na “Folha da Manhã”, “Correio da Manhã”, e “Jornal do Brasil”. A partir daí, foi publicada em vários jornais, no Brasil e no exterior.

Cecilia Whitaker Vicente de Azevedo Alves Pinto, ou simplesmente Ciça, nasceu em São Paulo, no dia 2 de maio de 1939. 

Ciça, quando criança, adorava os gibis brasileiros como o “Tico Tico” e o “Almanaque do Globo Juvenil”. Com os comics americanos – presente do pai – aprendeu a língua inglesa.

“Luluzinha” era sua revista preferida. Ciça era fã da Marge – cartunista americana criadora da Luluzinha. Admirava também a sofisticação da Hilda Weber, cartunista brasileira de quem foi amiga. 

Entre as décadas de 50 e 80 morou no Rio de Janeiro onde em 1967, começou a publicar no “Jornal dos Sports”.

Foi colaboradora do “O Pasquim” na primeira e na segunda fase do célebre hebdomadário.

Nos primeiros anos das tirinhas, tudo era criado por ela: o texto, o rascunho (que fazia com lápis) e até a arte-final. Anos depois, por conta dos filhos e dos afazeres domésticos, o marido passou a fazer a arte-final. 

“Tínhamos grandes brigas quando ele modificava os meus desenhos a lápis, mas a parceria sempre foi boa. Hoje em dia é ele quem ilustra a maioria dos meus livros” – diz.

Casada com Zélio Alves Pinto, irmão do também cartunista Ziraldo, Ciça tem vinte e dois livros publicados, entre poesias, quadrinhos e livros infanto-juvenis.

Em 2009, ganhou o 21º Troféu HQ Mix na categoria “Grande Mestre”.

Dos quadrinistas atuais, seus preferidos são: Angeli, Laerte, Adão Iturrusgarai, Ota e Luis Gê.

Recentemente, lançou pela L&PM uma coletânea de tiras dos seus personagens o Pato, Filomena, Hilda, Hermes e Naná, entre outros.

A cartunista disse uma vez:

“Não sei se posso ser inspiração para alguma autora jovem, mas, se for, vou ficar bem contente!”

Com certeza, é.

Tags: cartumcartunistaCHARGEciçaditadura
Ediel Ribeiro

Ediel Ribeiro

"Coluna do Ediel" Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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