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Home Notícias Internacional

Canadá reage a Trump e aplica tarifas de até 50% sobre produtos dos Estados Unidos

Por Redação
26 de agosto de 2026 - 15:56
em Internacional
Canadá reage a Trump e aplica tarifas de até 50% sobre produtos dos Estados Unidos

Mark Carney / Wikimedia

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O Canadá decidiu responder às novas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump e anunciou sobretaxas de até 50% sobre produtos importados dos Estados Unidos, aprofundando a disputa comercial entre dois dos maiores parceiros econômicos do mundo.

As medidas entram em vigor no dia 8 de setembro e atingirão C$ 27,6 bilhões em importações americanas. As alíquotas serão de 15%, 25% ou 50%, dependendo do produto, seguindo a estratégia anunciada pelo governo canadense de responder às medidas americanas na mesma proporção.

Entre os setores atingidos estão aço, laticínios, eletrodomésticos, máquinas agrícolas, papel e celulose e produtos eletrônicos.

Produtos americanos de aço e alumínio que já estavam sujeitos a uma tarifa canadense de 25% passarão a pagar 50%. A mesma alíquota será aplicada a determinados móveis, roupas e outros produtos.

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Eletrodomésticos, queijos, pescados e derivados de aço e alumínio estarão entre os produtos submetidos à tarifa de 25%. Centenas de outros itens receberão alíquotas que variam conforme a classificação aduaneira.

As tarifas anteriores aplicadas pelo Canadá, inclusive aquelas incidentes sobre automóveis americanos, continuam em vigor.

Canadá promete resposta “dólar por dólar”

A decisão é uma reação direta à nova rodada de tarifas adotada pelo governo Trump.

Desde sábado (22), os Estados Unidos passaram a cobrar 50% sobre C$ 27,6 bilhões em produtos canadenses, depois que as negociações entre Washington e Ottawa fracassaram.

Diferentemente de medidas anteriores, parte importante dos produtos atingidos não ficou protegida pelas regras do acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá, o USMCA, aumentando a preocupação entre empresas canadenses.

A resposta de Ottawa seguiu exatamente o valor atingido pelos americanos.

O governo canadense afirma que vai igualar as tarifas “dólar por dólar, taxa por taxa”, concentrando a reação justamente nos setores mais prejudicados pelas medidas de Washington.

Mark Carney adotou um tom duro ao explicar a decisão.

“Não podemos aceitar o que eles ofereceram e não vamos dar o que eles pediram.”

Questionado se Canadá e Estados Unidos estavam entrando em uma guerra comercial, foi ainda mais incisivo ao afirmar que seu país havia sido atacado economicamente e precisava reagir.

Negociações fracassaram

Canadá e Estados Unidos passaram três dias tentando construir um novo acordo comercial, mas as negociações terminaram sem consenso na última sexta-feira.

Segundo o governo canadense, Washington apresentou nos últimos momentos novas exigências consideradas economicamente prejudiciais e incompatíveis com os interesses do país.

Entre os impasses estavam as regras para veículos produzidos no Canadá e as condições comerciais para caminhões de médio e grande porte.

Carney também afirmou que algumas exigências americanas atingiam questões relacionadas à soberania, cultura e capacidade do Canadá de negociar acordos comerciais com outros países.

A posição canadense foi de interromper as negociações em vez de aceitar as novas condições.

O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, apresentou uma versão diferente. Ele responsabilizou Ottawa pelo fracasso das conversas e afirmou que, naquele momento, não havia previsão para retomá-las.

Relação econômica de US$ 880 bilhões ameaçada

A disputa ganha dimensão ainda maior porque Canadá e Estados Unidos possuem economias profundamente interligadas.

O comércio anual entre os dois países gira em torno de US$ 880 bilhões, envolvendo desde petróleo e produtos agrícolas até automóveis, aço e equipamentos industriais. Cerca de 70% das exportações canadenses têm os Estados Unidos como destino.

Essa dependência torna uma guerra comercial prolongada particularmente arriscada para o Canadá, mas também pode produzir impactos importantes sobre empresas e consumidores americanos.

As tarifas canadenses tornam os produtos dos Estados Unidos mais caros dentro do mercado local. Isso pode reduzir as vendas das empresas americanas e favorecer produtores canadenses, mas também pode aumentar preços pagos pelos consumidores.

A estratégia de Ottawa é direcionar parte das tarifas justamente para setores americanos equivalentes aos atingidos por Washington.

Governo anuncia C$ 7,5 bilhões para empresas e trabalhadores

Além das tarifas, o Canadá anunciou um pacote de C$ 7,5 bilhões para ajudar empresas e trabalhadores afetados pela disputa comercial.

O dinheiro será destinado a medidas de proteção ao emprego, apoio às empresas e diversificação da economia canadense, reduzindo a dependência comercial dos Estados Unidos.

Segundo o governo, os novos recursos se somam a quase C$ 25 bilhões em medidas de apoio adotadas desde o início da atual ofensiva tarifária americana.

A decisão de reagir também encontrou apoio político dentro do Canadá. Até mesmo o líder da oposição conservadora, Pierre Poilievre, defendeu uma posição firme diante de Washington, enquanto o primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, apoiou a decisão de Carney de rejeitar o acordo oferecido pelos americanos.

Ainda existe espaço para acordo

Apesar do endurecimento, existe uma janela para uma possível retomada das negociações.

As tarifas canadenses somente entram em vigor em 8 de setembro, enquanto outras medidas comerciais previstas pelos Estados Unidos possuem prazos ainda mais longos.

Isso cria espaço para que Washington e Ottawa retomem as conversas antes que todas as medidas produzam efeitos sobre as duas economias. Analistas ouvidos pela Associated Press avaliam que ainda existem incentivos econômicos suficientes para evitar uma guerra comercial de maiores proporções.

Por enquanto, entretanto, os dois países caminham na direção oposta.

Depois de meses tentando negociar com Trump, o Canadá decidiu adotar a mesma estratégia utilizada pela Casa Branca: tarifas sobre produtos do país vizinho como instrumento de pressão econômica e política.

A diferença agora é que Trump encontrou na fronteira norte-americana um governo disposto a responder na mesma moeda.

Tags: açoCanadácomércio exteriorDonald Trumpeconomiaeconomia mundialEstados Unidosexportaçõesguerra comercialimportaçõesindústriaMark CarneytarifasUSMCA
Redação

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