O Ministério do Trabalho e Emprego divulgou nesta terça-feira (7) a atualização do cadastro de empregadores envolvidos em condições análogas à escravidão, incluindo 169 novos nomes. Com isso, a chamada “lista suja” passa a ter 613 registros ativos no país.
Entre os incluídos está a montadora chinesa BYD, que mantém operação no complexo industrial de Camaçari, na Bahia.
A divulgação ocorre semestralmente, com o objetivo de dar transparência às ações de combate ao trabalho escravo no Brasil.
Fiscalização identificou irregularidades graves
A inclusão da BYD no cadastro ocorre após uma série de fiscalizações realizadas entre dezembro de 2024 e maio de 2025 pela Superintendência Regional do Trabalho na Bahia.
Durante as inspeções, foram identificados 471 trabalhadores chineses em situação irregular no país. Desse total, 163 foram resgatados em condições análogas à escravidão.
Segundo os auditores, a empresa teve responsabilidade direta na vinda desses trabalhadores ao Brasil, mesmo tendo apresentado contratos com terceiros. Na prática, foi constatado vínculo direto com a montadora, conforme critérios da legislação trabalhista.
Também foram identificados indícios de fraude migratória para viabilizar a entrada dos trabalhadores sem registro adequado.
A fiscalização apontou uma série de irregularidades nos alojamentos e nas condições de trabalho. Os trabalhadores viviam em ambientes precários, sem estrutura mínima de higiene e segurança.
Entre os problemas identificados estavam a ausência de colchões, falta de armários, alimentação em condições insalubres e acesso limitado a banheiros — em um dos locais, havia apenas um sanitário para cada 31 pessoas.
Além disso, os trabalhadores cumpriam jornadas de pelo menos 10 horas diárias, sem descanso regular, e enfrentavam restrições de locomoção.
Os auditores classificaram o caso com base em três elementos principais: trabalho forçado, condições degradantes e jornada exaustiva.
TAC e outras inclusões na lista
Em janeiro deste ano, a BYD firmou um Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público do Trabalho, no valor de R$ 40 milhões.
A atualização da lista também inclui outros empregadores, entre eles um cantor e empresário do setor agropecuário, autuado após fiscalização em 2024 por manter trabalhadores em condições irregulares. Segundo a assessoria, as obrigações previstas em acordo já foram cumpridas.






