O Brasil registrou mais de 5,8 mil amputações de pênis em aproximadamente uma década em decorrência do câncer no órgão, segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) com dados do Ministério da Saúde.
Apesar de raro, o câncer de pênis continua provocando centenas de mutilações todos os anos no país. Dados mais recentes da SBU mostram que, somente entre 2021 e 2025, foram realizadas 2.949 amputações e registradas 2.359 mortes relacionadas à doença.
A entidade alerta que boa parte dos casos pode ser evitada ou diagnosticada antes de chegar à necessidade de retirada parcial ou total do órgão.
Entre as principais medidas estão a higiene adequada do pênis, vacinação contra o HPV, uso de preservativo, tratamento da fimose quando ela impede a limpeza correta e abandono do cigarro.
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) considera o tumor raro. A incidência estimada no Brasil é de aproximadamente 1,3 caso para cada 100 mil habitantes, com ocorrência maior entre homens a partir dos 50 anos e maior frequência nas regiões Norte e Nordeste.
Como fazer a higiene corretamente
A recomendação do Ministério da Saúde é simples: água e sabão neutro são suficientes.
Durante o banho, homens que conseguem retrair o prepúcio devem puxá-lo cuidadosamente para trás, deixando a glande completamente exposta. A região deve ser lavada e, depois, bem seca.
A limpeza deve ser feita diariamente e também após relações sexuais e masturbação. Após a higiene, o prepúcio deve voltar à posição normal.
O Ministério recomenda ainda evitar excesso de produtos, antissépticos, sabonetes muito perfumados ou substâncias irritantes na região genital.
A limpeza sob o prepúcio evita o acúmulo de secreções, células descamadas e umidade, condições que podem favorecer irritações, inflamações e infecções.
Para crianças pequenas, a orientação é diferente: não se deve forçar a retração do prepúcio. A aderência pode ser normal durante os primeiros anos de vida.
Nos adolescentes e adultos que não conseguem expor completamente a glande ou apresentam dor, inflamações frequentes ou dificuldade para realizar a higiene, a recomendação é procurar avaliação médica.
Fimose pode dificultar diagnóstico
A fimose ocorre quando o prepúcio não consegue ser retraído adequadamente para expor a glande.
Além de dificultar a limpeza, ela pode esconder lesões iniciais e atrasar o diagnóstico de um tumor.
Dependendo do caso, o tratamento pode incluir acompanhamento, medicamentos ou postectomia, cirurgia para retirada do prepúcio.
A Sociedade Brasileira de Urologia cita justamente a correção da fimose como uma das principais medidas de prevenção nos pacientes que não conseguem fazer a higiene adequada.
HPV também está relacionado à doença
Outro fator importante é a infecção pelo papilomavírus humano, o HPV.
O vírus está relacionado a diferentes tipos de câncer, incluindo tumores de colo do útero, ânus, boca, garganta e pênis.
No Brasil, a vacina contra o HPV é oferecida gratuitamente pelo SUS, em dose única, para meninas e meninos de 9 a 14 anos.
Em 2026, o Ministério da Saúde mantém ainda uma estratégia de resgate para jovens de 15 a 19 anos que nunca receberam a vacina, disponível até 31 de dezembro.
O uso de preservativo também ajuda a reduzir o risco de transmissão de infecções sexualmente transmissíveis.
Ferida que não cicatriza exige atenção
O câncer de pênis pode começar de forma discreta.
Entre os principais sinais de alerta estão:
- ferida ou úlcera que não cicatriza;
- mudança na cor ou textura da pele;
- caroço ou espessamento na glande ou no prepúcio;
- sangramento;
- secreção com odor forte;
- coceira persistente;
- aumento de gânglios na região da virilha.
O Ministério da Saúde recomenda procurar uma Unidade Básica de Saúde sempre que surgirem alterações persistentes no órgão.
O diagnóstico precoce faz diferença porque tumores identificados nas fases iniciais podem ser tratados com procedimentos que preservam maior parte do pênis.
Nos casos avançados, o tratamento pode exigir amputação parcial ou total, além de retirada de gânglios, radioterapia ou quimioterapia.
Diagnóstico tardio ainda é problema
Um dos principais desafios apontados pelos especialistas é a demora para procurar atendimento médico.
Vergonha, preconceito e medo do diagnóstico ainda fazem com que alguns homens convivam durante meses com feridas e alterações antes de buscar ajuda.
Quando a doença é descoberta tarde, aumentam as chances de tratamentos mais agressivos e de amputação.
Os números mostram a dimensão do problema: quase 3 mil homens tiveram parte ou todo o pênis amputado em apenas cinco anos no país.
A orientação médica é não esperar dor intensa ou sangramento. Qualquer ferida, alteração na pele ou lesão persistente deve ser avaliada por um profissional de saúde.
No câncer de pênis, cuidados simples de higiene, vacinação e atenção aos primeiros sinais podem evitar que uma doença rara termine em uma mutilação que poderia ter sido prevenida.


