A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou nesta terça-feira (18) a Operação Golpe de Fé para investigar um suposto esquema de fraudes financeiras e lavagem de dinheiro ligado a uma igreja evangélica de Niterói, na Região Metropolitana do Rio.
No centro da investigação está a Gal Invest Bank, plataforma que ficou conhecida entre investidores como “Banco do Pastor”. Segundo a polícia, pessoas eram atraídas pela promessa de rendimentos de aproximadamente 10% ao mês, percentual muito acima das aplicações financeiras convencionais.
O principal investigado é Roberto Vieira Soares, líder da Igreja Apostólica Vida e Adoração. De acordo com a investigação, ele teria se valido da posição religiosa e da relação de confiança estabelecida com fiéis e pessoas próximas para apresentar as aplicações e captar dinheiro.
Até agora, a polícia identificou pelo menos sete registros de ocorrência relacionados ao mesmo modelo de negócio. Somados, os prejuízos relatados chegam a aproximadamente R$ 1,11 milhão.
A operação cumpre mandados de busca e apreensão contra pessoas físicas e jurídicas em endereços do Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo e Duque de Caxias, além da cidade de São Paulo.
Dinheiro teria passado por diferentes empresas
A investigação avançou para além das denúncias individuais e passou a rastrear o caminho percorrido pelo dinheiro.
Segundo os investigadores, havia divisão de funções entre pessoas responsáveis pela captação dos clientes, operadores financeiros e empresas utilizadas para receber e movimentar os recursos.
Parte do dinheiro teria sido direcionada para contas pessoais do principal investigado e para empresas ligadas a ele, entre elas negócios dos setores de construção civil, laboratório, consultoria contábil e pagamentos.
Uma das contas analisadas teria funcionado como intermediária na circulação dos recursos. Somente nela, os investigadores encontraram mais de R$ 5,4 milhões em operações registradas como estornos.
As autoridades também investigam a movimentação de mais de R$ 8 milhões entre 2022 e 2025 relacionada aos envolvidos. A Justiça autorizou medidas de bloqueio patrimonial para tentar preservar recursos que eventualmente possam ter origem nas operações investigadas.
Outro ponto que chamou a atenção foi a composição societária da empresa responsável pelo suposto banco digital. A companhia declarava capital social de R$ 5 milhões, embora, segundo a investigação, alguns dos sócios não apresentassem capacidade financeira compatível com os valores registrados.
A suspeita é de que pessoas possam ter sido utilizadas formalmente no quadro societário para esconder os verdadeiros controladores ou beneficiários das operações.
Família também aparece na investigação
A polícia apura ainda a participação de familiares do líder religioso. A mulher e o filho de Roberto Vieira Soares aparecem como sócios de empresas que, segundo os investigadores, teriam sido utilizadas para movimentar recursos e realizar saques de valores elevados em espécie.
As buscas realizadas nesta terça-feira procuram documentos, equipamentos eletrônicos e outros elementos capazes de esclarecer como funcionava a captação e para onde foi enviado o dinheiro dos investidores.
Os envolvidos são investigados por crimes como estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A apuração continua para identificar outras possíveis vítimas, novos participantes do esquema e patrimônio que possa ter sido adquirido com os recursos investigados.


