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Home Colunas

Assombração no sambódromo

Por Lenin Novaes
18 de novembro de 2024 - 16:02
em Colunas

Paulo Barros é o maquinista do trem fantasma que a Vila Isabel propõe atravessar o sambódromo.

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– Athaliba, o público no sambódromo, como telespectadores em todo o Brasil e, também, em diversos países, vai ficar horripilado com o desfile da Vila Isabel. Isso é o que profetiza o enredo Quanto mais eu rezo, mais assombração aparece. E, em se tratando do carnavalesco Paulo Barros, podemos esperar de tudo que vai além da imaginação. Irá pilotar o trem fantasma. A escola encerrará o desfile em 3/3/2025, numa 2ª feira, que é considerada Dia das Almas.

– Marineth, o Dia das Almas é cultivado pela indústria das velas, capitaneado pela Igreja, que fixou a 2ª feira para reza em favor das almas no Purgatório, a antecâmara do céu. E faz parte de uma tradição que dedica cada dia da semana a uma devoção diferenciada. A 3ª feira é dos Santos Anjos; a 4ª feira é São José; a 5ª feira, Santíssimo Sacramento; a 6ª feira, Paixão de Cristo; o sábado, Nossa Senhora; e, no domingo, ressurreição de Nosso Senhor.

– Athaliba, o título do enredo da agremiação azul e branco é um ditado popular. Portanto, é corriqueiro dizer “quanto mais eu rezo, mais assombração aparece”. É quando alguém se propõe a liberta-se de subordinações e vícios. E empresta, também, título ao livro da Lenice Gomes, cuja publicação reúne quatro contos de assombração. As narrativas conduzem a incrível viagem pelo fascinante universo das histórias sobrenaturais, com desfechos surpreendentes. Vale ler.

– Marineth, antes de continuar a falar sobre o tema que arrepiará o púbico no sambódromo, quero contar que a Vila Isabel me traz à lembrança grande amigo: o jornalista Paulo Francisco Magalhães, o PF. E, também, o saudoso compositor Paulo Gomes de Aquino, o Paulo Brazão. O PF foi dirigente da escola e, com ele, projetei e editei o jornal Vanguarda do Samba, órgão oficial da Associação das Velhas Guardas das Escolas de Samba do Rio de Janeiro – AVGESRJ.

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– Ora, Athaliba, que reveladora façanha! Vamos lá, deita falação sobre esse feito. Fala!

– Marineth, a experiência foi marcante na AVGESRJ. A edição do jornal ocorreu de janeiro a setembro de 1997. Teve colaboração do compositor, cantor e escritor Nei Lopes; dos jornalistas José Carlos Rego e Cláudio Vieira, entre outros. E também do chargista Adail José de Paula. Do Hiram Araújo, médico e pesquisador de Carnaval, autor do livro Escolas de samba em desfile, vida, paixão e sorte, em parceria com Amaury Jório, lançado em 1969.

– Athaliba, ocê conheceu o Armando Santos?

– Sim, Marineth. Ele presidiu a AVGESRJ. Antes foi presidente da Portela. É autor de “A maldade não tem fim”, incluída no repertório do primeiro disco da Velha Guarda da Portela. E, também, de “Em primeiro lugar”, tendo Chico Santana como parceiro. Gravou as músicas “Não devemos zombar” e “Minha sorte”. Bem, e na gestão de Ed Miranda Rosa (ele foi presidente da Mangueira), a associação adquiriu sede própria, na Avenida Dom Hélder Câmara, na Piedade.

– Athaliba, entre os seis autores do samba-enredo que irá embalar o desfile da Vila Isabel está o neto de Martinho da Vila, o Raoni Ventapane. Os outros compositores são: Gigi da Estiva, Guilherme Karraz, Miguel Dibo, Ricardo Mendonça e Dedé Aguiar. Para Raoni, “a vitória é a continuação de um legado da família”. Ele disputou nove vezes, tendo chegado a três finais, até conseguir a vitória este ano. E Martinho comemorou dizendo o seguinte: “Estou feliz da ‘vila’!”

– Marineth, um dos maiores campeões de samba-enredo é o Paulo Brazão. A Vila Isabel desfilou com nada menos que 15 sambas dele, superando, inclusive, o Martinho da Vila. E, aliás, o Martinho externou sua admiração pelo compositor com a música “Paulo Brazão/Vila Isabel”, composta em parceria com Nerly Miranda e Jorge King. Um dos fundadores da escola, no ano de 1946, Paulo Brazão foi condecorado Cidadão Samba em 1949, em que fez o samba “Iracema”.

– A trajetória dele é magnífica, Athaliba. E, agora, de volta ao começo, ou seja, à ocasião presente, ocê acha que o enredo Quanto mais eu rezo, mais assombração aparece pode dar o título de campeão do Carnaval à Vila Isabel? Pela experiência adquirida na cobertura jornalística de desfile de escolas de samba, há décadas, qual é o teu feeling? O comentário nos núcleos de samba é que o enredo é a cara do Paulo Barros. Que ele vai deitar e rolar. E aí, o que me diz?

– Marineth, é inquestionável o talento do carnavalesco. Ele é rodado. Passou duas vezes pela Vizinha Faladeira, duas vezes pela Paraíso do Tuiuti, três vezes pela Unidos da Tijuca, duas vezes pela Viradouro, Mocidade e Portela. É a terceira vez na Vila Isabel. É o “maquinista” do trem fantasma que promete atravessar o sambódromo, proferindo que “não é para sentir medo, mas, para se divertir”. Bem, que a magia da assombração que produzir não descarrilhe o trem!

Tags: ColunaCRÔNICAS DO ATHALIBALenin Novaes
Lenin Novaes

Lenin Novaes

Crônicas do Athaliba LENIN NOVAES jornalista e produtor cultural. É co-autor do livro Cantando para não enlouquecer, biografia da cantora Elza Soares, com José Louzeiro. Criou e promoveu o Concurso Nacional de Poesia para jornalistas, em homenagem ao poeta Carlos Drummond de Andrade. É um dos coordenadores do Festival de Choro do Rio, realizado pelo Museu da Imagem e do Som - MIS

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