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Home Notícias Política

Após brigas e acusações, Michelle Bolsonaro entra na campanha de Flávio e tenta selar união do bolsonarismo

Ex-primeira-dama participará de gravações para a campanha presidencial depois de meses de atritos públicos com o enteado que expuseram divisões dentro da família Bolsonaro

Por Redação
11 de agosto de 2026 - 16:25
em Política
Vídeo de Michelle expõe crise com Flávio Bolsonaro e amplia divisão no núcleo político da família

Reprodução / Instagram @michellebolsonaro

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Depois de uma sequência de desentendimentos públicos que colocou em dúvida a unidade do bolsonarismo para as eleições deste ano, Michelle Bolsonaro decidiu entrar na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). A ex-primeira-dama deverá participar de gravações para o programa eleitoral do candidato e reforçar a mobilização de segmentos do eleitorado conservador, principalmente entre mulheres e evangélicos.

A participação representa uma mudança importante na relação entre os dois. Há poucas semanas, Michelle e Flávio protagonizavam uma crise que extrapolou os limites familiares e passou a representar um problema político para o PL.

Um dos momentos mais delicados ocorreu em junho, quando Michelle afirmou publicamente ter sido “desrespeitada”, “maltratada” e “humilhada” por Flávio durante uma conversa por telefone. Ela chegou a falar em “apunhalada” ao relatar o episódio.

A divergência teve como pano de fundo as articulações eleitorais do PL no Ceará. Michelle se posicionou contra uma aproximação com Ciro Gomes, contrariando a estratégia defendida por integrantes do partido e aliados de Flávio.

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O embate rapidamente ganhou dimensão nacional. Eduardo Bolsonaro saiu em defesa do irmão, enquanto aliados tentavam conter uma crise que começava a produzir reflexos na candidatura presidencial.

Michelle acabou deixando o comando nacional do PL Mulher, função que lhe permitiu percorrer o país nos últimos anos e construir uma base política própria dentro do campo conservador.

Reconciliação depois da crise

A possibilidade de Michelle permanecer afastada da campanha preocupava o PL. Além de carregar o sobrenome Bolsonaro, a ex-primeira-dama conquistou influência própria principalmente entre o eleitorado feminino e evangélico, dois segmentos considerados importantes para a estratégia eleitoral de Flávio.

A tentativa de reconciliação ganhou força em julho. Flávio reconheceu publicamente os desentendimentos, pediu desculpas à madrasta e fez um apelo para que ela participasse de sua campanha.

Michelle respondeu também publicamente: “Aceito teu pedido. Eu te desculpo”.

Pouco depois, gravou uma mensagem de apoio exibida durante a convenção nacional do PL que oficializou a candidatura de Flávio à Presidência. Agora, a participação deverá avançar para as gravações da propaganda eleitoral.

A presença da ex-primeira-dama ganha importância adicional depois de Flávio não concretizar a expectativa de formar uma chapa presidencial com uma mulher.

Durante as articulações, nomes femininos chegaram a ser considerados para a vice-presidência. Após dificuldades nas negociações com outras legendas, porém, o PL optou pelo deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), formando uma chapa exclusivamente masculina e do próprio partido.

Michelle pode ajudar a campanha justamente na aproximação com uma parcela do eleitorado feminino em que o bolsonarismo historicamente encontra maiores dificuldades.

Unidade ainda será testada

Politicamente, a entrada de Michelle permite à campanha transmitir uma imagem de pacificação depois de meses em que as divergências familiares foram expostas publicamente.

Isso não significa, entretanto, que as disputas internas estejam definitivamente superadas.

A candidatura de Flávio ocorre em um cenário diferente daquele enfrentado pelo bolsonarismo nas eleições anteriores. Sem Jair Bolsonaro diretamente na disputa, diferentes personagens do grupo passaram a ocupar espaços próprios e a exercer influência sobre parcelas distintas do eleitorado conservador.

Michelle é uma dessas lideranças e talvez a mais importante fora do núcleo dos filhos do ex-presidente.

Sua participação na campanha, portanto, tem um significado que vai além das gravações para a propaganda eleitoral. Depois das acusações, pedidos de desculpas e sinais públicos de afastamento, colocar Michelle e Flávio novamente do mesmo lado tornou-se também uma necessidade política.

A campanha agora tentará transformar a reconciliação familiar em demonstração de unidade eleitoral. Se as divergências ficaram definitivamente para trás ou foram apenas colocadas de lado para enfrentar a eleição, será uma resposta que os próximos meses deverão dar.

Tags: bolsonarismocampanha eleitoralEduardo Bolsonaroeleições 2026eleições presidenciaisFlávio BolsonaroJair BolsonaroMichelle BolsonaroPLpolítica
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