“Dai-me um político que eu vos darei um mentiroso.” (Padre Kelmon)
Rio – Um candidato à presidência da República (para preservar a identidade do candidato, vou chamá-lo pelo apelido: Zero Um), está tão enroscado nas mentiras que conta – foram 45, só esta semana – que resolveu chamar um padre para ajudá-lo a explicar mais uma.
Todo mundo sabe que espécie de homens são os políticos. Eles mentem, enganam, roubam, manipulam e traem os eleitores.
Flávio mente sobre muitas coisas: sobre rachadinha; milícias; imóveis; mansão; loja de chocolate; sua vida na política; sua vida amorosa; seu passado e a origem de sua ostentosa riqueza – segundo ele, acumulada por meio de venda de chocolate.
Políticos em todo o mundo são mentirosos notórios. O mentiroso mais óbvio em Brasília é Flávio Bolsonaro. A dificuldade com o filho Zero Um de Bolsonaro, todo mundo sabe, é que ele mente ‘muito’. Nem Jair Bolsonaro tá aguentando as mentiras do Zero Um:
– Flávio, você tá mentindo mais que o Pinóquio, taokei – disse Jair – além de tudo é burro! Os católicos são o dobro dos evangélicos no Brasil e você vai atacar logo Nossa Senhora Aparecida!!! Idiota! É como se a Ucrânia achasse que vai ganhar uma guerra contra os Estados Unidos.
Acuado pela imprensa, pelos católicos, evangélicos e pelos eleitores, Flávio Bolsonaro resolveu vir a público explicar sua fala polêmica sobre substituir Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.
Para ajudá-lo, Flávio mandou chamar o padre Kelmon:
– Padre Kelmon, senador? Aquele padre de festa junina? – perguntou o assessor.
– Calúnia! Kelmon utiliza vestimentas clericais tradicionais e identifica-se como sacerdote.
– Senador, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu uma nota oficial esclarecendo que ele não é sacerdote da Igreja Católica Apostólica Romana. Além disso, a Igreja Ortodoxa no Brasil também divulgou comunicados afirmando que Kelmon nunca integrou o clero ortodoxo em território nacional, como ele diz. O senhor quer desmentir uma mentira com um padre de mentira? – disse o assessor, segurando o riso entre os dentes.
– Só um homem santo como o padre kelmon pode esclarecer esse imbróglio – afirmou Flávio.
– E esses panfletos aqui: “Quem adora Nossa Senhora Aparecida vai para o inferno.” Onde o senhor quer chegar com isso!
– Isso é coisa desses lulistas! – desdenhou Flávio.
– O senhor é evangélico, por que ao invés de chamar um padre para lhe ajudar o senhor não chama um pastor? O Malafaia, por exemplo.
– Ninguém vai acreditar no Malafaia. Os evangélicos rejeitam N. S. Aparecida, a cruz, o terço, a hóstia… E depois, Malafaia anda muito nervoso.
– A imprensa esta dizendo que o senhor quer trocar a santa pelo seu pai, como protetor do Brasil.
– E daê?
– De tornozeleira eletrônica, senador?


