Todos os jornais publicaram que o presidente Jair Messias Bolsonaro não participará das reuniões da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 26) , em Glasgow, na Escócia.
Houve tantas versões sobre o fato que tentei imediatamente separar o joio do trigo. Telefonei para o presidente para conhecer sua versão. E ele, simpático, como sempre foi com a imprensa, respondeu:
– Não te devo satisfações, rapaz, taokey?
Uma fonte minha no Palácio do Planalto, no entanto, me disse que ouviu uma conversa entre Bolsonaro e Mourão e que o que aconteceu foi o seguinte:
Quando Mourão chegou pela manhã, ao Palácio do Planalto para filar o café da manhã, como sempre faz, encontrou o presidente trancado no banheiro chorando.
– Presidente?! Presidente, o senhor está bem? – perguntou, batendo na porta.
– Snif! Snif! Snif!
– Presidente, estamos atrasados para a reunião da COP 26! O avião parte daqui a 20 minutos!
– Eu não vou, taokey? – respondeu o presidente, chorando.
– Como não vai? Os líderes das maiores potências mundiais vão estar presente. É importante que o mandatário do Brasil também esteja. A COP 26 é uma das conferências mais importantes do mundo nas questões climáticas. Nas reuniões, serão discutidos temas como economia verde, metas para diminuir a emissão de gases do efeito estufa, desmatamentos, queimadas e outros pontos importantes para o Brasil e o mundo.
– Eu não vou, taokey? Eles querem me humilhar como fizeram em Roma, nas reuniões de cúpula do G20. Você viu? O presidente italiano Mario Draghi deu a mão a todos os primeiros-ministros que chegaram à Nuvola, menos a mim. Eu fiquei deslocado, abandonado, isolado de todos os chefes de Estado que conversavam animadamente entre si. Ninguém falava comigo. Nem o Joe Biden, nem a Angela Merkel, nem o Narendra Modi, que ninguém sabe quem é. Ninguém.
– Modi é o presidente da Ìndia, capitão. Acredito que seu isolamento deve ter sido porque o senhor não fala inglês.
– Não tem nada a ver com isso daí. Eu já estive no Amazonas e falei com os índios e todos eles me entenderam. E depois, o Lula também não falava e, na última reunião do G20 ficava todo mundo em volta dele. A Angela Merkel, o Obama… Todo mundo.
– O senhor precisa ser mais carismático. Se enturmar mais.
– Eu tentei. Até pisei no pé da Angela Merkel, pra tentar puxar conversa e nada.
– E o que ela disse?
– “Só podia ser você, né, Bozo!”
– Não tinha ninguém com quem o senhor pudesse interagir?
– Do meu lado só tinha o tradutor e o “Zero Dois”, disparando “fake news”, então, eu tentei puxar conversa com os garçons. Perguntei se eles eram italianos e cheguei até fazer uma piada meio sem graça sobre futebol.
– Não é esse tipo de “conversa”, presidente. Falo de conversas que resultem em negócio e novos investimentos para o país.
– Nessa “cuestão” daí eu conversei com o presidente da Turquia, o Erdogan. Falei que a nossa economia está indo muito bem…
– Mas, presidente, não está. O Brasil está na lanterna no ranking das principais economias em termos de recuperação econômica.
– Conversamos também sobre a Petrobras.
– O senhor falou de algum projeto de governo para o petróleo ou dos lucros da Petrobras?
– Claro que não. Falei que a Petrobras é um “problema”, que dá muito trabalho, que ela foi saqueada por um “partido político” e que o meu governo quer vender a estatal por qualquer preço.
O vice-presidente coçou a cabeça:
– Presidente, a razão de ser dessas reuniões é justamente aproximar os chefes de Estado, para que eles troquem impressões e abram caminhos para parcerias comerciais, acordos comerciais, acordos de transferências tecnológicas, convênios científicos e outros. Não é lugar para falar mal do PT, lavar roupa suja ou comentar intrigas domésticas.
– Por isso que eu não gosto de ir a esses lugares. Você sabe que eu não sei nada disso daí. Eu nunca li um livro sobre meio-ambiente, sobre ‘cuestões’ climáticas nada disso.
– Capitão, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, o premiê do Reino Unido, Boris Johnson, e diversas outras lideranças estarão presentes à COP 26. Seria bom que o senhor também estivesse – repetiu Mourão.
– O que eles vão discutir nesse encontro, é um amontoado de mentiras. O Brasil é parte da solução do clima e não do problema, taokey?
– Então, eu posso ir? – perguntou Mourão.
– Negativo. Você vai representar o Exército Brasileiro num evento muito mais importante: a reunião da “CAL 26”.
– CAL? Em Glasgow, na Escócia? – perguntou o vice-presidente, eufórico.
– Não. Em Resende, no Rio de Janeiro.
– O que vai ser discutido nesse encontro? – quis saber Mourão.
– Vai ser discutido “Como preparar a cal para pintar meio-fio” e “A importância da cal na formação dos valores morais e do caráter dos recrutas brasileiros”.
Foi a vez do Mourão chorar.





