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Home Notícias Internacional

Onda democrata conquista Câmara e Senado e impõe derrota histórica a Trump

Partido vence em redutos republicanos, assume o controle do Congresso e passa a ter poder para bloquear parte da agenda do presidente nos dois últimos anos de mandato

Por Redação
4 de novembro de 2026 - 09:48
em Internacional
Onda democrata conquista Câmara e Senado e impõe derrota histórica a Trump

Divulgação/White House

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Os democratas conquistaram o controle da Câmara dos Representantes e do Senado nas eleições de meio de mandato realizadas nesta terça-feira (3) nos Estados Unidos, impondo uma forte derrota política ao presidente Donald Trump e encerrando dois anos de domínio republicano sobre o Congresso.

A vitória teve alcance maior do que o necessário apenas para mudar as maiorias. Os democratas avançaram em estados tradicionalmente republicanos, conquistaram pelo menos sete cadeiras no Senado e viraram mais de duas dezenas de distritos na Câmara, segundo a Associated Press.

O resultado entrou para a história das eleições de meio de mandato. Desde a Segunda Guerra Mundial, Câmara e Senado haviam mudado simultaneamente de partido em uma midterm apenas três vezes: em 1946, 1994 e 2006. Em 2026, ocorreu novamente.

A dimensão da derrota republicana apareceu principalmente em estados que Donald Trump havia vencido com vantagem confortável apenas dois anos atrás.

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No Texas, os democratas conquistaram uma cadeira no Senado pela primeira vez em décadas, com a vitória de James Talarico sobre o republicano Ken Paxton. O partido também venceu a disputa pelo governo estadual. Kansas e Carolina do Sul, outros tradicionais redutos republicanos, também elegeram democratas para o Senado.

Na Carolina do Norte, o democrata Roy Cooper venceu a disputa pelo Senado. Em Maine, Troy Jackson derrotou a republicana Susan Collins, que ocupava uma cadeira no Senado havia três décadas.

Os resultados ultrapassaram os estados considerados competitivos e atingiram territórios onde os republicanos esperavam manter vantagem, dando à eleição o caráter de uma ampla rejeição ao governo.

Trump perde controle do Congresso

A consequência mais imediata será a mudança na relação entre a Casa Branca e o Legislativo.

Desde o início do segundo mandato de Trump, em janeiro de 2025, os republicanos controlavam tanto a Câmara quanto o Senado. Com isso, o presidente contava com maior facilidade para aprovar projetos, confirmar integrantes do governo e avançar sua agenda legislativa.

Esse cenário muda em janeiro, quando toma posse o novo Congresso.

Na Câmara, os democratas passarão a controlar as comissões, poderão convocar integrantes do governo, requisitar documentos e abrir investigações sobre a administração Trump, seus aliados e integrantes de sua família.

No Senado, o impacto pode ser ainda maior. A Casa tem poder para aprovar ou rejeitar indicações feitas pelo presidente para ministérios, embaixadas, tribunais federais e para a Suprema Corte.

Os democratas também poderão impedir a aprovação de parte da agenda legislativa do governo.

Trump, entretanto, continuará com poderes importantes. O presidente poderá vetar projetos aprovados pelo Congresso e mantém amplas atribuições executivas, principalmente em áreas como política externa e comércio. Além disso, regras internas do Senado exigem maiorias superiores à maioria simples para determinadas matérias.

Eleitor queria maior controle sobre presidente

Pesquisas realizadas na saída das urnas ajudam a explicar o resultado.

Segundo levantamento citado pela Reuters, 70% dos eleitores disseram querer que o Congresso exercesse maior controle sobre o presidente. Metade afirmou que enxergava a eleição como uma oportunidade para manifestar rejeição a Trump.

O custo de vida apareceu entre as principais preocupações.

Preços elevados, tarifas adotadas pelo governo e o impacto econômico da guerra com o Irã pesaram sobre a avaliação do governo. Levantamentos eleitorais mostraram que quase nove em cada dez eleitores consideraram o custo de vida um fator importante na decisão do voto.

A política externa também teve peso. A guerra com o Irã, o aumento dos preços dos combustíveis e os custos associados ao conflito foram apontados como motivos de insatisfação entre parte do eleitorado.

Antes das eleições, Trump já chegava às urnas com índices baixos de aprovação. Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada às vésperas da votação mostrava aprovação de 32%, próxima da mínima registrada pela série do instituto.

Candidatos apoiados por Trump foram derrotados

A eleição também atingiu diretamente candidatos escolhidos ou apoiados pelo presidente.

Na disputa pelo Senado, republicanos ligados diretamente a Trump perderam em estados como Texas, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Michigan.

No Texas, Trump havia apoiado Ken Paxton na disputa interna republicana contra o senador John Cornyn. Paxton venceu a primária, mas acabou derrotado pelo democrata James Talarico na eleição geral.

Em Michigan, Abdul El-Sayed derrotou o republicano Mike Rogers, apoiado por Trump, e tornou-se o primeiro muçulmano eleito para o Senado americano.

A Reuters apontou que a escolha pessoal de Trump por alguns candidatos acabou se tornando um dos problemas enfrentados pelos republicanos em estados decisivos.

Trump reconhece resultado, mas rejeita caráter de referendo

Trump reconheceu as vitórias democratas e afirmou estar disposto a trabalhar com o novo Congresso, mas rejeitou a interpretação de que o resultado represente uma avaliação negativa direta de seu governo.

Em publicação durante a apuração, afirmou que os republicanos teriam vencido caso seu nome estivesse nas cédulas.

O presidente também reconheceu que a guerra com o Irã teve impacto sobre o desempenho de seu partido, mas manteve a defesa das decisões tomadas pelo governo.

A derrota, porém, altera profundamente o cenário político para os dois últimos anos de seu mandato.

Com Câmara e Senado nas mãos da oposição, Trump passará de um governo respaldado por maioria republicana no Congresso para uma administração obrigada a negociar com os democratas ou recorrer com maior frequência aos poderes executivos e ao veto presidencial.

A mudança também antecipa a disputa de 2028. Impedido pela Constituição de concorrer a um terceiro mandato, Trump verá o Partido Republicano iniciar a busca por um sucessor enquanto os democratas passam a controlar o Congresso e ganham uma nova plataforma política para a próxima eleição presidencial.

Tags: Câmara dos RepresentantesCONGRESSO AMERICANODemocratasDonald Trumpeleições EUAEstados UnidosMidtermspolítica internacionalRepublicanosSenado dos EUA
Redação

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