O Atlético teve mais a bola, ocupou o campo de ataque, finalizou 21 vezes contra apenas três do Grêmio e cobrou 14 escanteios. Mas, em uma semifinal de Copa do Brasil, eficiência pesa tanto quanto volume.
E nisso o Grêmio foi superior.
Com gols de Carlos Vinícius e Erick Noriega, o Tricolor venceu o Galo por 2 a 0, neste domingo (1º), na Arena do Grêmio, em Porto Alegre, e abriu vantagem importante na disputa por uma vaga na final da Copa do Brasil.
Agora, a decisão será em Belo Horizonte.
O Atlético precisa vencer por três ou mais gols de diferença no próximo sábado (7), às 18h, na Arena MRV, para avançar diretamente. Se devolver os dois gols de vantagem, a vaga será decidida nos pênaltis. O Grêmio pode até perder por um gol que estará classificado.
Atlético tinha a bola, Grêmio tinha Carlos Vinícius
O início do jogo dava a impressão de que o Atlético poderia controlar a semifinal.
A equipe de Eduardo Domínguez subiu a marcação, ocupou o campo gremista e passou boa parte dos primeiros minutos trocando passes próximo à área adversária.
Mas bastou uma bola.
Aos dez minutos, depois de um ataque atleticano terminar pela linha de fundo, o goleiro Weverton cobrou rapidamente o tiro de meta e encontrou Carlos Vinícius no campo ofensivo.
Lyanco errou o tempo da disputa, Léo Duarte não conseguiu fazer a cobertura e o atacante avançou para bater no canto de Gabriel Delfim.
Grêmio 1 a 0.
A assistência, curiosamente, saiu dos pés do goleiro.
Mesmo atrás, o Atlético não abandonou sua proposta.
Bernard, Renan Lodi e Castaño tentavam construir pela esquerda, enquanto Cuello dava amplitude pelo outro lado. A equipe chegava à intermediária, mas encontrava dificuldades para entrar na área.
Os números do primeiro tempo ajudam a explicar o contraste: 73% de posse para o Atlético, nove finalizações contra uma do Grêmio.
A única conclusão gremista havia terminado em gol.
Bernard e Cuello tiveram oportunidades, mas Weverton e a defesa gaúcha impediram o empate.
Galo muda e leva o segundo logo na volta
Domínguez mexeu no intervalo.
Lyanco deixou o campo e Victor Hugo, que sentiu problema físico, também saiu. Alan Minda e Igor Gomes entraram. O treinador desfez a formação com três zagueiros e tentou aumentar a velocidade ofensiva.
Não houve tempo para a mudança surtir efeito.
Logo aos dois minutos da segunda etapa, o Grêmio chegou pela direita. João Pedro tabelou, avançou até a área e encontrou Noriega livre para finalizar no contrapé de Gabriel Delfim.
2 a 0.
Com a vantagem ampliada, o Grêmio recuou.
Renato Gaúcho fechou ainda mais o time, passou a proteger a área e deixou para Carlos Vinícius e os jogadores de velocidade a missão de aproveitar eventuais contra-ataques.
O Atlético assumiu praticamente toda a posse.
Circulava a bola de um lado para o outro, cruzava, cobrava escanteios, tentava de média distância, mas encontrava dificuldade para transformar domínio territorial em chances claras.
21 finalizações, 14 escanteios e nenhum gol
A pressão aumentou na parte final.
Alan Minda apareceu dentro da área. Renan Lodi obrigou Weverton a fazer boa defesa. Cuello e Alan Franco tentaram de longe.
Domínguez só colocou seu único centroavante de origem disponível, o jovem Cauã Soares, aos 37 minutos do segundo tempo.
Na reta final, o zagueiro Vitor Hugo quase diminuiu. Primeiro cabeceou uma cobrança de escanteio com perigo. Depois, já nos acréscimos, acertou o travessão na melhor oportunidade atleticana da partida.
O apito final deixou números pouco comuns para uma derrota por dois gols:
67% de posse para o Atlético, 21 finalizações contra três do Grêmio e 14 escanteios para o Galo.
O placar, porém, terminou 2 a 0.
O Grêmio fez da eficiência sua principal arma. Marcou no primeiro chute da primeira etapa e voltou a balançar as redes logo na primeira conclusão depois do intervalo.
Grêmio perde zagueiro para a volta
Nos acréscimos, o Grêmio sofreu uma baixa importante para o duelo em Belo Horizonte.
Gustavo Martins recebeu dois cartões amarelos em um intervalo de três minutos e foi expulso.
O primeiro veio aos 47 minutos, depois de segurar Igor Gomes. Aos 50, cometeu falta em Cuello e recebeu o segundo.
O defensor está suspenso e não poderá enfrentar o Atlético na Arena MRV. Kannemann aparece como alternativa para a defesa gremista.
Atlético precisa repetir uma velha remontada
A missão é difícil, mas não é inédita para o próprio Atlético.
Em 2014, também pela semifinal da Copa do Brasil, o Galo perdeu o primeiro jogo para o Flamengo por 2 a 0, no Maracanã.
Na volta, no Mineirão, venceu por 4 a 1 em uma das grandes viradas de sua história e avançou para a decisão. Depois, seria campeão sobre o Cruzeiro.
Reverter dois gols de desvantagem em uma semifinal, porém, é algo raro. Na história da Copa do Brasil, isso aconteceu apenas três vezes nesta fase: além do Atlético em 2014, o Sport conseguiu a classificação diante do Vasco em 2008 e o Athletico-PR superou o Grêmio em 2019, nos dois últimos casos após disputa por pênaltis.
Antes de pensar exclusivamente no Grêmio, o Atlético ainda terá um compromisso pelo Campeonato Brasileiro. Na quarta-feira (4), enfrenta o Botafogo, às 21h30, no Nilton Santos.
O jogo chega em momento delicado. A derrota em Porto Alegre foi a quarta consecutiva do Atlético na temporada, pior sequência da equipe no ano.
No sábado, entretanto, a conta será simples.
O Grêmio chega à Arena MRV com dois gols guardados.
O Atlético terá 90 minutos para buscar uma nova virada histórica.


