O secretário municipal de Segurança Pública de Barra do Corda, no Maranhão, Antonio James Mota da Silva, foi afastado do cargo depois da divulgação de áudios em que defende a prisão de apoiadores do PT e afirma que a medida poderia provocar medo entre outros eleitores.
James Mota é sargento da Polícia Militar do Maranhão e estava cedido à Prefeitura de Barra do Corda.
Nas gravações, enviadas originalmente a um grupo de policiais militares no WhatsApp, o secretário incentiva colegas a agir contra apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e afirma que prender uma pessoa na cidade ou em algum povoado serviria para intimidar os demais.
Em outro trecho, declara: “Quem é PT é inimigo da polícia, é inimigo da sociedade. Bora pra cima, bora prender.”
O militar também relata ter abordado eleitores que distribuíam material de campanha de Lula nas proximidades de escolas durante o primeiro turno e cobra maior atuação de policiais.
Há ainda, nas gravações, a participação de uma pessoa não identificada sugerindo o uso da Guarda Municipal para realizar prisões.
Prefeito afasta secretário até o fim da eleição
A repercussão levou o prefeito de Barra do Corda, Rigo Alberto Teles de Sousa (MDB), a determinar o afastamento de James Mota até o encerramento do processo eleitoral.
A medida foi formalizada pela Portaria nº 398/2026-GAB, assinada na quinta-feira (22).
O documento cita diretamente a repercussão dos áudios envolvendo o processo eleitoral e determina que a administração municipal reorganize a Secretaria de Segurança durante o período de afastamento.
Em nota, a Prefeitura afirmou repudiar qualquer ação contrária à democracia, ao livre exercício do voto e à normalidade das eleições.
A administração também garantiu que eleitores de qualquer preferência política devem poder comparecer às urnas com tranquilidade.
Governador determina investigação
Como James Mota é integrante da Polícia Militar, o caso também chegou ao governo estadual.
O governador reeleito do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), anunciou o afastamento do sargento das funções e determinou investigação sobre as declarações.
Segundo Brandão, qualquer tentativa de intimidar eleitores ou interferir na liberdade do voto é incompatível com a democracia e deve ser apurada independentemente da posição política dos envolvidos.
O militar poderá ainda ser submetido a procedimento administrativo dentro da Polícia Militar.
TRE aciona Polícia Federal
Nesta sexta-feira (23), o Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão informou que comunicou oficialmente o caso à Polícia Federal.
A informação foi anunciada pelo corregedor eleitoral, desembargador Sebastião Bonfim.
A PF deverá analisar os áudios e verificar se houve tentativa de intimidação de eleitores, abuso de autoridade ou utilização de estruturas de segurança pública para interferir no processo eleitoral.
A Justiça Eleitoral também deverá apurar se ocorreram abordagens ou detenções motivadas pela preferência partidária dos eleitores durante o primeiro turno.
O segundo turno presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL) será realizado neste domingo (25).
Federação apresenta notícia-crime
A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, também protocolou uma notícia-crime no Ministério Público Eleitoral.
O documento pede investigação urgente sobre possíveis ameaças, intimidação e constrangimento de eleitores, além de perícia nos áudios, identificação dos participantes das conversas e esclarecimentos sobre eventuais operações policiais envolvendo apoiadores de partidos.
A representação também pede informações sobre a estrutura de comando das forças de segurança na cidade durante o período eleitoral.
O vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão (PT), foi um dos responsáveis por divulgar o caso e cobrar providências.
Secretário diz que falas eram “brincadeiras”
James Mota confirmou a autoria das mensagens, mas afirmou que elas foram retiradas do contexto de um grupo privado formado por amigos e policiais militares.
Ao UOL, disse que as conversas eram marcadas por “brincadeiras e provocações políticas” entre integrantes de diferentes posições ideológicas e reconheceu ter exagerado no tom.
Segundo o sargento, quando falava em prisões, referia-se a pessoas que eventualmente cometessem crimes eleitorais.
Ele também reconheceu ter utilizado expressões ofensivas contra apoiadores do PT.
A justificativa será agora confrontada com o conteúdo das gravações e com a eventual existência de ações concretas praticadas por agentes de segurança durante a campanha.


