A nova pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (22) mostra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) empatados em 50% dos votos válidos a três dias do segundo turno da eleição presidencial.
Nos votos totais, Flávio aparece com 47% e Lula com 46%. Outros 5% dizem que votarão em branco ou nulo e 2% permanecem indecisos. A diferença de um ponto entre os dois está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
A comparação com as duas pesquisas anteriores do próprio Datafolha mostra uma aproximação gradual entre os candidatos ao longo do segundo turno.
Na primeira rodada, realizada nos dias 6 e 7 de outubro, Flávio tinha 49% dos votos totais, contra 45% de Lula. Nos votos válidos, o placar era de 52% a 48% para o candidato do PL.
Na pesquisa seguinte, feita em 13 e 14 de outubro, Flávio recuou para 47% dos votos totais e Lula permaneceu com 45%. Nos válidos, a diferença caiu para 51% a 49%.
Agora, Flávio continua com 47% dos votos totais, enquanto Lula oscila para 46%. Nos válidos, o empate numérico chega a 50% para cada um.
Em três rodadas, portanto, Flávio saiu numericamente de 52% para 50% dos votos válidos, enquanto Lula passou de 48% para 50%.
Como todas as pesquisas possuem margem de erro de dois pontos, o movimento deve ser interpretado como uma aproximação nas medições, e não como prova isolada de transferência definitiva de votos.
Rejeição de Flávio cresce numericamente
A mudança também aparece nos índices de rejeição exclusiva.
Na primeira pesquisa do segundo turno, 43% diziam rejeitar apenas Flávio e 46% rejeitavam apenas Lula.
Na segunda rodada, a rejeição exclusiva a Flávio passou para 44%, enquanto a de Lula permaneceu em 46%.
Na pesquisa desta quinta, 46% rejeitam exclusivamente Flávio e 45% rejeitam exclusivamente Lula. Outros 3% dizem rejeitar os dois candidatos.
Assim, nas três pesquisas, a rejeição exclusiva de Flávio passou de 43% para 44% e agora 46%. A de Lula ficou em 46%, 46% e 45%.
A movimentação também ocorre dentro da margem de erro, mas mostra que a vantagem que Flávio tinha nesse indicador no início do segundo turno desapareceu numericamente.
Voto em Lula é mais associado à escolha do candidato
O Datafolha também perguntou aos eleitores se escolhem o candidato por considerá-lo a melhor opção ou principalmente para impedir a vitória do adversário.
Na primeira pesquisa, 83% dos eleitores de Lula diziam votar nele porque o consideravam o melhor candidato, enquanto 13% declaravam votar principalmente para derrotar Flávio.
Entre os eleitores de Flávio, 69% diziam considerá-lo a melhor opção e 25% afirmavam votar nele principalmente para impedir uma vitória de Lula.
Na rodada seguinte, o índice de eleitores de Flávio que o consideravam a melhor opção subiu para 74%, e os que votavam principalmente contra Lula caíram para 17%. Entre os eleitores de Lula, os percentuais ficaram em 83% e 12%, respectivamente.
Agora, 81% dos eleitores de Lula afirmam que o escolhem por considerá-lo o melhor candidato e 13% principalmente para derrotar Flávio.
Entre os eleitores de Flávio, 65% dizem considerá-lo a melhor opção e 23% afirmam votar principalmente para impedir Lula.
Os dados mostram que, nesta última rodada, o voto declarado em Lula continua mais associado à escolha positiva do próprio candidato, enquanto entre os eleitores de Flávio existe uma proporção maior de voto motivado pela rejeição ao adversário.
Eleitorado está praticamente decidido
Apesar da aproximação nas pesquisas, o espaço para mudança declarada de voto é pequeno.
Na primeira pesquisa do segundo turno, 94% afirmavam estar totalmente decididos. Na rodada seguinte, eram 93%. Agora, o índice voltou a 94%, enquanto apenas 6% admitem que ainda podem mudar de candidato.
Entre os eleitores de Lula, 96% dizem estar decididos. Entre os de Flávio, o percentual é de 95%.
A expectativa sobre quem vencerá também mudou pouco. Na semana passada, 54% acreditavam em vitória de Flávio e 37% apostavam em Lula. Agora, são 53% que apontam Flávio e 39% que acreditam em Lula.
A percepção de favoritismo, portanto, ainda é maior para Flávio, apesar do empate numérico nas intenções de voto.
Avaliação de Lula melhora numericamente
Como Lula disputa a eleição no exercício da Presidência, o Datafolha também acompanha a avaliação de seu governo.
Na primeira rodada do segundo turno, 35% avaliavam a gestão como ótima ou boa, 40% como ruim ou péssima e 24% como regular. O trabalho pessoal de Lula era aprovado por 48% e desaprovado por 49%.
Na pesquisa seguinte, a avaliação positiva ficou em 35%, enquanto a negativa foi a 41%. A aprovação pessoal permaneceu próxima da estabilidade.
Agora, 36% classificam o governo como ótimo ou bom, 39% como ruim ou péssimo e 24% como regular. A aprovação pessoal de Lula está em 49%, contra 48% que desaprovam seu trabalho.
Também nesse caso as oscilações estão dentro da margem de erro.
Disputa continua dividida por grupos
A nova pesquisa mantém diferenças importantes entre segmentos do eleitorado.
Lula aparece à frente entre eleitores com renda de até dois salários mínimos, pessoas com escolaridade fundamental, católicos, moradores do Nordeste e eleitores que se declaram pretos.
Flávio mantém suas maiores vantagens entre evangélicos e moradores da Região Sul. No Sudeste, maior colégio eleitoral do país, aparece com 51%, contra 41% de Lula.
Entre as mulheres, Lula tem 49% e Flávio 44%. Entre os homens, Flávio aparece com 50% e Lula com 44%.
A pesquisa também chama atenção para a distância entre os eleitores e seus locais de votação. Entre quem mora longe da seção ou precisa votar em outra cidade, Lula aparece com 51%, contra 43% de Flávio. Entre quem mora perto do local de votação, Flávio marca 48% e Lula 45%.
O Datafolha ouviu 2.520 eleitores em 154 municípios entre os dias 20 e 22 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi encomendada pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09709/2026.



