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Home Notícias Brasil

Mensagens da PF revelam contrato de até R$ 1,8 milhão entre Quaest e Banco Master

Diálogos encontrados no celular de Daniel Vorcaro mostram consultoria de R$ 150 mil mensais ligada a Felipe Nunes; CEO da Quaest confirma serviço, mas nega contato direto com o ex-banqueiro

Por Redação
22 de outubro de 2026 - 16:16
em Brasil
Mensagens da PF revelam contrato de até R$ 1,8 milhão entre Quaest e Banco Master

Felipe Nunes - Foto: Jardiel Carvalho/ Divulgação

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Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro revelaram um contrato de consultoria estratégica entre o Banco Master e a Quaest, instituto comandado pelo cientista político Felipe Nunes e conhecido pelas pesquisas eleitorais divulgadas no país.

Segundo reportagem do Metrópoles, que teve acesso ao material, a contratação previa R$ 150 mil por mês durante 12 meses, o que poderia levar o valor total a R$ 1,8 milhão. Não está esclarecido, porém, quantas parcelas foram efetivamente pagas.

As mensagens são de 9 de setembro de 2024 e envolvem Vorcaro e Ana Matos, então responsável pela área de Comunicação e Marketing do Banco Master.

Na conversa, Ana pergunta ao banqueiro se estava alinhada a contratação de “consultoria estratégica Felipe Nunes, empresa Quaest”, pelo valor de R$ 150 mil mensais durante um ano.

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Vorcaro responde que acreditava que o acordo havia sido fechado por Augusto Ferreira Lima, então ligado à direção do Master, e orienta a executiva a tratar diretamente com ele.

Ana confirma que Augusto havia acertado a contratação e informa que daria continuidade ao negócio.

Felipe Nunes confirma trabalho e nega relação com Vorcaro

Felipe Nunes confirmou que a Quaest prestou serviços ao Banco Master, mas afirmou que o trabalho foi exclusivamente técnico e voltado à análise de cenário político.

Segundo ele, em 2024, prestou esse tipo de serviço para 53 instituições do mercado financeiro, entre bancos, corretoras, plataformas e tesourarias.

“Como a própria mensagem mostra, eu não tenho nenhuma relação com o Vorcaro, nem ele comigo. Nunca estivemos juntos e eu não trabalhei para ele”, declarou Nunes ao Metrópoles.

O executivo afirmou ainda que nunca teve reunião, conversa ou qualquer tipo de interação com Daniel Vorcaro.

Segundo a Quaest, a contratação ocorreu antes de surgirem publicamente os problemas envolvendo o Banco Master e não foi renovada antes da liquidação da instituição pelo Banco Central.

Em nota, o instituto afirmou que a atividade para o Master seguiu o mesmo padrão dos serviços prestados a outras instituições financeiras.

A Quaest foi fundada em 2016 por Felipe Nunes e Renata Salvo e atua com pesquisas de opinião, inteligência de dados e análises sociais, econômicas e políticas.

O material divulgado pela PF trata de consultoria estratégica. Até o momento, não há indicação de que o Banco Master tenha financiado pesquisas eleitorais divulgadas ao público nem de que o vínculo comercial tenha interferido em resultados, metodologias ou levantamentos da Quaest.

As pesquisas eleitorais nacionais divulgadas pela empresa em 2026 aparecem, por exemplo, como encomendadas pela Genial Investimentos e registradas na Justiça Eleitoral.

Homem citado como responsável pelo contrato foi preso pela PF

Augusto Ferreira Lima, apontado por Vorcaro nas mensagens como responsável pelo fechamento da contratação, tornou-se posteriormente um dos investigados da Operação Compliance Zero.

Ex-sócio e ex-CEO do Banco Master, ele foi preso preventivamente em novembro de 2025 durante a primeira fase da operação, que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o banco e operações com o Banco de Brasília (BRB).

Augusto foi solto posteriormente por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região e passou a cumprir medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica.

Em maio deste ano, o Banco Central incluiu Augusto entre os ex-administradores do Master que tiveram bens atingidos pela indisponibilidade determinada após a liquidação da instituição. O BC informou que apuração interna concluiu que ele atuou como administrador de fato do banco nos 12 meses anteriores à intervenção.

Master foi liquidado em 2025

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em 18 de novembro de 2025.

Segundo a autoridade monetária, a decisão foi motivada por grave crise de liquidez, comprometimento significativo da situação econômico-financeira do conglomerado e graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional.

No mesmo período, a Operação Compliance Zero levou à prisão de Daniel Vorcaro e de executivos e ex-executivos do grupo.

As investigações analisam, entre outros pontos, suspeitas envolvendo carteiras de crédito sem lastro ou insubsistentes negociadas com o BRB.

O contrato com a Quaest é mais um dos relacionamentos comerciais encontrados nas mensagens e documentos apreendidos pela Polícia Federal no curso das investigações sobre o Banco Master.

Até agora, entretanto, as informações divulgadas não apontam Felipe Nunes ou a Quaest como investigados por irregularidades relacionadas ao contrato. O que foi revelado é a existência do vínculo comercial e as tratativas internas do banco para sua contratação.

Tags: Augusto Ferreira LimaBanco CentralBanco MasterDaniel VorcaroFelipe Nunesmercado financeiroOperação Compliance Zeropesquisas eleitoraisPolícia FederalQuaest
Redação

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