O Senado aprovou nesta terça-feira (1º), por ampla maioria, a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para ocupar uma vaga de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Foram 63 votos favoráveis e apenas quatro contrários, em votação secreta.
A indicação segue agora para a Câmara dos Deputados, que deve analisar o nome de Pacheco nesta quarta-feira (2), às 11h. Se aprovado pelos deputados, o senador ficará próximo de concluir o processo para assumir a cadeira aberta com a renúncia de Bruno Dantas.
Pacheco foi indicado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), por meio do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 995/2026. A proposta recebeu assinaturas de senadores de diferentes campos políticos, incluindo parlamentares de PT, PL, MDB, PP, PSD, PSB e outras legendas.
A votação de 63 a 4 confirmou a articulação construída em torno do nome do ex-presidente do Senado, que agradeceu aos colegas após o resultado e destacou a responsabilidade de integrar o órgão responsável pela fiscalização da aplicação dos recursos públicos federais.
“Eu sei o que representa um tribunal de contas em um país onde a qualidade do recurso público é exigida para poder cumprir as políticas públicas que a população tanto anseia e nunca foi tão importante para o país como agora”, afirmou.
Pacheco também prometeu manter no TCU a defesa do Estado Democrático de Direito, uma das bandeiras que marcaram sua passagem pela presidência do Senado.
Davi Alcolumbre comemorou o resultado e classificou Pacheco como um dos homens públicos mais preparados do país, destacando sua atuação à frente do Senado e do Congresso em um período marcado por crises políticas e institucionais.
Relator da indicação, Renan Calheiros (MDB-AL) também lembrou a condução de Pacheco durante momentos de forte tensão política. O senador mineiro presidiu o Senado por dois mandatos consecutivos, entre 2021 e 2024, período que atravessou a pandemia de Covid-19, a CPI da Covid, as disputas entre o governo Jair Bolsonaro e o Supremo Tribunal Federal e, posteriormente, os ataques de 8 de janeiro de 2023.
A indicação para o TCU encerra também as especulações sobre o futuro político imediato de Pacheco. O senador chegou a ser apontado nos últimos anos como possível candidato ao governo de Minas Gerais e também teve seu nome considerado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal.
Agora, o caminho escolhido é o Tribunal de Contas da União.
A vaga surgiu com a decisão de Bruno Dantas de deixar antecipadamente a Corte. Ex-presidente do TCU, Dantas apresentou renúncia ao cargo para seguir novos projetos profissionais na iniciativa privada. Sua saída está prevista para ser efetivada em 9 de setembro.
Pacheco tem 49 anos e nasceu em Porto Velho, mas construiu sua trajetória profissional e política em Minas Gerais. Formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), atuou como advogado criminalista e foi conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Na política, foi deputado federal por Minas Gerais entre 2015 e 2018 e chegou ao Senado em 2019. Dois anos depois, foi eleito presidente da Casa e posteriormente reconduzido para um segundo mandato.
A ida para o TCU representa uma mudança significativa na trajetória do senador. Diferentemente dos mandatos eletivos, o cargo de ministro do tribunal oferece estabilidade até a aposentadoria compulsória, atualmente fixada aos 75 anos.
O TCU é responsável por fiscalizar a aplicação de recursos da União, analisar contas públicas, contratos, licitações e grandes projetos financiados com dinheiro federal. Embora seja chamado de tribunal, o órgão auxilia o Congresso Nacional no controle externo da administração pública e não integra o Poder Judiciário.
Com a aprovação expressiva no Senado, a próxima etapa será a Câmara. Caso os deputados confirmem a escolha, Pacheco avançará para as etapas finais necessárias para assumir a cadeira deixada por Bruno Dantas.


