A Praça da Estação, no Centro de Belo Horizonte, ficou tomada por apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na noite desta sexta-feira (21), no primeiro grande ato da campanha do presidente à reeleição em Minas Gerais.
O evento também marcou o lançamento da candidatura do deputado federal e ex-prefeito de Belo Horizonte Patrus Ananias (PT) ao governo mineiro e serviu para apresentar ao eleitorado a chapa apoiada por Lula no Estado.
Além de Lula e Patrus, participaram do ato o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), a primeira-dama Janja da Silva, as candidatas ao Senado Marília Campos (PT) e Áurea Carolina (PSOL), além de deputados e outras lideranças da aliança.
O tamanho da mobilização ganhou rapidamente significado político. Nas redes sociais, o próprio PT utilizou imagens aéreas da Praça da Estação cheia para provocar Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula na corrida presidencial. A reação mostra que a disputa pelo tamanho dos atos de rua também entrou na estratégia das campanhas.
Lula mira eleitor mineiro
Minas Gerais ocupa posição central na estratégia eleitoral de Lula. O Estado possui o segundo maior eleitorado do país e historicamente funciona como um dos principais termômetros das eleições presidenciais.
Em 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro em Minas por uma diferença pequena. O petista recebeu 50,20% dos votos válidos no segundo turno, contra 49,80% do então presidente.
Por isso, a escolha de Belo Horizonte para um dos primeiros grandes atos da campanha está longe de ser apenas simbólica. Lula precisa preservar a vantagem no Estado enquanto tenta transferir parte de sua força eleitoral para Patrus.
No discurso, o presidente pediu votos para a chapa mineira e convocou a militância a ocupar as ruas durante a campanha.
Lula também justificou a decisão de disputar um novo mandato. Aos apoiadores, afirmou considerar que ainda não concluiu sua missão no governo e relembrou sua própria trajetória política, iniciada nas disputas eleitorais nacionais ainda na década de 1980.
O presidente aproveitou o palanque para atacar adversários e afirmou que uma eleição pode ser vencida com mentiras, mas que não seria possível governar dessa forma.
A agenda internacional também ganhou espaço.
Lula relatou aos apoiadores detalhes da conversa de mais de uma hora que havia mantido no mesmo dia com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O brasileiro afirmou ter contestado as justificativas utilizadas por Washington para impor novas tarifas ao Brasil e disse que representantes dos dois governos voltarão à mesa de negociação.
Também defendeu investimentos brasileiros em áreas estratégicas, como inteligência artificial, semicondutores, indústria de defesa e processamento de minerais críticos, argumentando que o país precisa reduzir sua dependência tecnológica tanto dos Estados Unidos quanto da China.

Patrus tenta ganhar espaço na disputa estadual
Se para Lula o evento serviu para demonstrar capacidade de mobilização em Minas, para Patrus Ananias o desafio é transformar a força do presidente em votos para o governo estadual.
Patrus entrou na disputa depois que o senador Rodrigo Pacheco (PSD), inicialmente desejado por Lula para encabeçar a chapa, decidiu não concorrer ao governo.
Ex-prefeito de Belo Horizonte, ex-ministro do Desenvolvimento Social e deputado federal, Patrus aposta justamente na associação direta com Lula para ganhar espaço em uma eleição estadual bastante fragmentada.
No ato, defendeu uma parceria entre os governos estadual e federal e apresentou como prioridades áreas como educação, saúde, segurança alimentar e desenvolvimento econômico.
O comício também procurou reforçar a unidade da chapa proporcional e das candidaturas ao Senado, colocando no mesmo palanque diferentes partidos que integram a aliança de Lula no Estado.
Politicamente, porém, a imagem mais importante da noite veio do público.
A campanha conseguiu transformar a Praça da Estação em uma demonstração de força justamente na primeira semana oficial da corrida eleitoral. A estimativa de 20 mil participantes é da organização e não possui, até o momento, confirmação independente, mas as imagens divulgadas do evento mostram grande ocupação da praça.
O resultado também explica a exploração imediata das imagens pelo PT nas redes sociais.
Minas será um dos principais campos de batalha das eleições de outubro. Lula venceu no Estado por margem estreita em 2022 e agora precisa repetir o desempenho enquanto tenta fazer algo mais difícil: usar sua própria popularidade para tornar Patrus competitivo na corrida pelo governo mineiro.
O ato desta sexta-feira mostrou que o PT ainda possui capacidade de colocar sua militância nas ruas de Belo Horizonte. A partir de agora, o desafio será transformar praça cheia em voto.


