A Petrobras identificou hidrocarbonetos no poço Morpho, em perfuração no bloco FZA-M-59, em águas ultraprofundas da costa do Amapá. O anúncio, feito nesta sexta-feira (14), representa o primeiro resultado positivo da campanha exploratória da estatal nessa área da Margem Equatorial brasileira.
O poço está localizado a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá, na Bacia da Foz do Amazonas, em uma lâmina d’água de 2.886 metros. A Petrobras detém 100% de participação no bloco, adquirido na 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo (ANP), realizada em 2013.
A descoberta, entretanto, ainda não significa que exista uma reserva comercial de petróleo pronta para ser explorada. A presença dos hidrocarbonetos foi identificada por meio de perfis elétricos e indicativos encontrados nas rochas. A perfuração continua para que a companhia obtenha informações mais precisas sobre a formação encontrada e seu potencial.
Descoberta reforça aposta na Margem Equatorial
O resultado é especialmente importante porque o poço Morpho é o primeiro perfurado pela Petrobras na costa do Amapá depois de anos de discussões sobre o licenciamento ambiental da área.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, comemorou o resultado e relacionou a descoberta à estratégia da companhia para recompor suas reservas.
“Nosso otimismo em relação à margem equatorial brasileira se confirma hoje.”
Segundo Chambriard, a primeira descoberta na costa amapaense é resultado do trabalho realizado pela companhia e está relacionada à busca pela segurança energética do país.
A Petrobras considera a Margem Equatorial uma de suas principais apostas exploratórias para as próximas décadas. O Plano de Negócios 2026-2030 prevê a perfuração de 15 poços na Margem Equatorial, sendo o Morpho o primeiro de um compromisso de oito poços em águas profundas do Amapá.
A região se estende pelo litoral entre o Amapá e o Rio Grande do Norte e é considerada uma nova fronteira para a indústria de petróleo e gás.
Ainda é cedo para falar em produção
Embora o anúncio seja significativo, ainda será necessário saber quanto petróleo ou gás existe na formação encontrada e se sua eventual exploração seria economicamente viável.
A identificação de hidrocarbonetos é uma das primeiras etapas desse processo. A continuidade dos trabalhos permitirá avaliar as características das rochas, a extensão da acumulação e a qualidade dos fluidos encontrados.
Especialistas ouvidos após o anúncio consideraram o resultado relevante principalmente porque ele fornece evidências favoráveis às projeções geológicas para a região, mas ressaltaram que o impacto econômico imediato é limitado enquanto não forem conhecidos o tamanho e a viabilidade comercial da descoberta.
A própria Petrobras trabalha com a necessidade de encontrar novas reservas para compensar, no futuro, a tendência de redução da produção dos campos atualmente responsáveis por grande parte do petróleo brasileiro. A expectativa da companhia é que o pré-sal atinja seu pico de produção na próxima década.
Exploração é alvo de debate ambiental
A perfuração do FZA-M-59 foi precedida por uma longa disputa envolvendo a Petrobras, o Ibama, ambientalistas, pesquisadores e representantes políticos da Região Norte.
A área fica distante da desembocadura do Rio Amazonas, mas está inserida em uma região ambientalmente sensível. A Petrobras informa que o poço está a cerca de 175 quilômetros da costa amapaense e mais de 500 quilômetros da foz do Amazonas.
O licenciamento exigiu da companhia demonstrações sobre sua capacidade de responder a um eventual vazamento de petróleo. O Ministério Público Federal também acompanhou o processo e questionou tentativas de ampliar a licença para outros poços sem novas análises ambientais.
Enquanto setores ambientalistas questionam a abertura de uma nova fronteira de combustíveis fósseis diante das mudanças climáticas e dos riscos ambientais, governo e Petrobras defendem que o país precisará continuar produzindo petróleo durante a transição energética.
Com a descoberta anunciada agora, essa discussão entra em uma nova etapa. Pela primeira vez, a perfuração exploratória confirma a presença de hidrocarbonetos no bloco da costa do Amapá, embora ainda seja necessário saber se a descoberta poderá efetivamente se transformar em um novo campo produtor de petróleo ou gás.


