Novas análises feitas a partir de imagens de satélite indicam que os terremotos que atingiram a Venezuela na última semana podem ter provocado danos muito maiores do que os registrados até agora pelas autoridades do país.
Pesquisadores da Universidade Estadual de Oregon, nos Estados Unidos, estimam que cerca de 58,8 mil edifícios tenham sido destruídos ou sofrido danos estruturais nas regiões afetadas pelos tremores de magnitude 7,2 e 7,5 registrados na última quarta-feira (24).
O levantamento foi elaborado com base em imagens captadas pelo satélite Sentinel-1, da Agência Espacial Europeia (ESA), analisadas por pesquisadores a partir de um mapa de danos produzido pela Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos (Nasa).
Segundo os geógrafos Corey Scher e Jamon Van Den Hoek, o estudo ainda é preliminar e precisa passar por validação em campo, mas oferece um panorama inicial da dimensão da destruição.
Comparação entre imagens revelou mudanças bruscas
Para chegar à estimativa, os pesquisadores compararam imagens obtidas após os terremotos com um conjunto de fotografias registradas pelo mesmo satélite ao longo de 2025.
A metodologia identifica alterações abruptas na superfície terrestre provocadas pelo colapso ou deslocamento de estruturas. Esse tipo de tecnologia é amplamente utilizado para mapear danos causados por guerras, grandes terremotos e outros desastres naturais.
De acordo com o estudo, um edifício é classificado como danificado quando pelo menos metade de sua área apresenta perda de coerência nas imagens de radar, indicando alterações estruturais compatíveis com desabamentos ou danos severos.
As áreas com maior concentração de edificações afetadas coincidem com a faixa litorânea central da Venezuela e o corredor urbano de Caracas, justamente onde os abalos sísmicos foram mais intensos.
Divergência em relação aos números oficiais
Os dados obtidos por satélite contrastam com o levantamento divulgado pelo governo venezuelano.
Até o último domingo (29), as autoridades contabilizavam 774 edifícios colapsados, dos quais 189 foram completamente destruídos e 585 sofreram danos parciais.
Diante da dimensão da tragédia, o governo criou uma comissão técnica encarregada de vistoriar prédios, pontes e rodovias nas áreas atingidas.
O grupo deverá classificar cada estrutura conforme o nível de risco. Edificações identificadas com a cor vermelha serão consideradas de alto risco e poderão ser interditadas ou demolidas. As classificadas em amarelo exigirão monitoramento e possíveis intervenções, enquanto as marcadas em verde serão consideradas seguras para utilização.
Tragédia humanitária continua
Enquanto o levantamento da infraestrutura avança, as equipes de resgate seguem trabalhando na busca por desaparecidos.
O balanço mais recente aponta 1,9 mil mortos e 10,5 mil feridos, números que continuam aumentando à medida que novas áreas são alcançadas pelos socorristas.
As Nações Unidas estimam que aproximadamente 50 mil pessoas permaneçam desaparecidas, especialmente nas regiões de La Guaira e da capital Caracas, onde ocorreram os maiores desabamentos.
Diversos países, entre eles o Brasil, mantêm operações humanitárias em território venezuelano com envio de equipes de resgate, hospitais de campanha, medicamentos e equipamentos para auxiliar nas buscas e no atendimento às vítimas.
Os terremotos ocorridos na última quarta-feira já são considerados um dos maiores desastres naturais da história recente da Venezuela e mobilizam uma ampla rede internacional de ajuda humanitária.






