O Brasil está nas oitavas de final da Copa do Mundo. Em uma partida tensa, marcada por susto, pressão e alívio no fim, a Seleção Brasileira venceu o Japão por 2 a 1, de virada, nesta segunda-feira (29), no Estádio de Houston, nos Estados Unidos, pelos 16 avos de final do Mundial.
A classificação veio no sufoco. O Japão abriu o placar ainda no primeiro tempo, aproveitando uma falha brasileira na saída de bola e um momento de desorganização defensiva. A equipe de Carlo Ancelotti voltou melhor depois do intervalo, empatou com Casemiro e só conseguiu evitar a prorrogação nos acréscimos, quando Gabriel Martinelli apareceu na área para marcar o gol da virada.
O resultado colocou o Brasil entre as 16 melhores seleções da Copa. Nas oitavas, a equipe enfrentará o vencedor do confronto entre Costa do Marfim e Noruega, que será definido nesta terça-feira (30).
Japão assusta e expõe nervosismo brasileiro
O jogo começou com o Brasil tentando controlar a posse de bola, mas sem conseguir furar a defesa japonesa. Compacto, bem organizado e com uma linha defensiva baixa, o Japão reduziu os espaços de Vinicius Júnior, Rayan e Matheus Cunha, obrigando a Seleção a circular a bola sem profundidade.
Aos 29 minutos, o castigo veio. Kaishu Sano arrancou em velocidade, passou pela marcação brasileira e finalizou no canto de Alisson para abrir o placar. O lance expôs uma dificuldade que já havia aparecido em outros momentos da Copa: quando pressionado após erro ou perda de bola, o Brasil ainda se desorganiza com facilidade.
Depois do gol, a Seleção sentiu o golpe. Casemiro, que recebeu cartão amarelo cedo e teve problemas na marcação, viveu um primeiro tempo difícil. Danilo também sofreu pelo lado direito, especialmente na jogada que terminou no gol japonês.
Ancelotti muda no intervalo e Brasil cresce
A reação começou no intervalo. Lucas Paquetá, que não fazia boa partida e ainda sentiu problema físico, deixou o campo para a entrada de Endrick. A mudança aumentou a presença ofensiva brasileira e empurrou Matheus Cunha para uma função mais recuada na construção das jogadas.
O Brasil passou a jogar mais perto da área japonesa e encontrou o empate aos 10 minutos do segundo tempo. Gabriel Magalhães cruzou com precisão, e Casemiro apareceu como elemento surpresa para cabecear firme e fazer 1 a 1.
O gol mudou o ambiente da partida. A Seleção passou a pressionar com mais intensidade, especialmente pelo lado direito, onde Rayan cresceu muito no segundo tempo. O jovem atacante foi um dos melhores em campo, ajudando na marcação, recuperando bolas e dando velocidade às jogadas ofensivas.
Mesmo assim, o Japão resistia. A equipe asiática se fechou ainda mais e tentou levar o jogo para a prorrogação.
Martinelli sai do banco para decidir
Com o passar dos minutos, Ancelotti voltou a mexer na equipe. Gabriel Martinelli entrou para dar mais movimentação por dentro e tentar aliviar a marcação sobre Vinicius Júnior. A alteração acabou sendo decisiva.
Já nos acréscimos, Rayan recuperou a bola no campo ofensivo, Bruno Guimarães encontrou um passe preciso e Martinelli apareceu livre dentro da área. O atacante dominou e finalizou com categoria para virar o jogo aos 51 minutos do segundo tempo.
Foi o gol da classificação e também o prêmio para Bruno Guimarães, apontado como um dos grandes nomes do Brasil na Copa. O meio-campista comandou a equipe, participou da construção, marcou, distribuiu o jogo e deu a assistência para o gol decisivo.
Neymar ficou no banco
Uma das principais expectativas da partida era a possível entrada de Neymar. O camisa 10, que havia voltado a atuar pela Seleção na fase de grupos, permaneceu no banco durante os 90 minutos.
Após o jogo, Carlo Ancelotti explicou que pretendia usar Neymar em uma eventual prorrogação. Segundo o treinador, a ideia era colocá-lo em campo caso a partida se estendesse, mas o gol de Martinelli nos acréscimos mudou o cenário e evitou a necessidade de mais 30 minutos.
O técnico afirmou ainda que, após o empate, preferiu manter a estrutura da equipe, já que o Brasil tinha o controle do jogo naquele momento.
A decisão mostra que Neymar segue tratado com cautela pela comissão técnica. Recuperado de lesão e ainda em busca de ritmo, o atacante continua sendo uma alternativa importante para a fase decisiva, mas seu uso dependerá das condições físicas e do contexto das partidas.
Vitória importante, mas com alertas
A classificação teve peso emocional e esportivo. O Brasil conseguiu sua oitava virada em jogos de mata-mata de Copa do Mundo e repetiu algo que não acontecia desde 2002: sair atrás em uma fase eliminatória e buscar a classificação.
Apesar da reação, a atuação também deixou dúvidas. A Seleção teve dificuldades para criar no primeiro tempo, sofreu com a compactação japonesa e voltou a mostrar instabilidade depois de levar um gol.
Por outro lado, o time demonstrou força mental para reagir, qualidade nas bolas trabalhadas pelo meio e capacidade de decisão no banco de reservas. Em mata-mata, isso também conta.
O Brasil segue vivo. Mas a vitória sobre o Japão deixou claro que, nas oitavas, a margem para erro será ainda menor.






