Tradicional na mesa dos brasileiros, o queijo artesanal também exige atenção na hora da compra. Especialistas alertam que produtos fabricados sem inspeção sanitária podem representar um risco significativo à saúde, já que a ausência de controle sobre a produção aumenta a possibilidade de contaminação por bactérias e outros agentes capazes de provocar doenças.
Entre os principais riscos estão enfermidades como brucelose, tuberculose bovina, listeriose e salmonelose. Todas podem ser transmitidas ao ser humano por meio do consumo de alimentos contaminados e, em alguns casos, provocar complicações graves, especialmente em crianças, idosos, gestantes e pessoas com baixa imunidade.
A segurança do produto começa ainda na propriedade rural, com o monitoramento sanitário do rebanho, passa pelas condições de fabricação, armazenamento e transporte e termina na comercialização. Quando uma dessas etapas deixa de ser fiscalizada, torna-se impossível garantir que o alimento seja seguro para consumo.
Controle sanitário vai além da fabricação
Ao contrário do que muitos consumidores imaginam, a qualidade de um queijo não depende apenas da aparência ou do sabor. O controle sanitário envolve todo o processo produtivo, desde a saúde dos animais até o cumprimento das normas de higiene durante a fabricação.
Segundo o diretor técnico do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), André Duch, a certificação concedida pelos serviços oficiais de inspeção é resultado da verificação contínua dessas etapas.
“O serviço oficial acompanha toda a cadeia produtiva. Esse acompanhamento é o que permite atestar que o alimento foi produzido em condições adequadas e pode ser consumido com segurança”, explica.
Sem essa fiscalização, não há garantia sobre a procedência do leite utilizado nem sobre as condições em que o alimento foi produzido.
Impacto também recai sobre a saúde pública
Além do risco individual para quem consome produtos clandestinos, surtos de doenças transmitidas por alimentos acabam gerando impactos sobre o sistema público de saúde.
De acordo com a diretora de Vigilância em Alimentos da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, Ângela Vieira, casos desse tipo aumentam a procura por atendimento médico, exames laboratoriais e internações hospitalares.
Ela destaca que grupos considerados vulneráveis apresentam maior risco de desenvolver quadros graves. Entre eles estão crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas imunossuprimidas.
No caso das gestantes, algumas infecções podem provocar aborto espontâneo, parto prematuro e até transmissão da doença ao feto.
Segundo a especialista, investir na prevenção e na fiscalização é mais eficiente do que lidar com as consequências de surtos alimentares, que geram custos elevados para o sistema de saúde e prejuízos econômicos decorrentes da perda de confiança dos consumidores.
Produtos irregulares são apreendidos e destruídos
Em Minas Gerais, a fiscalização de queijos produzidos clandestinamente é realizada pelo Instituto Mineiro de Agropecuária, geralmente após denúncias.
Quando a irregularidade é confirmada, os estabelecimentos podem ser interditados e toda a produção apreendida. Como a origem da matéria-prima e as condições de fabricação não podem ser comprovadas, os produtos são considerados impróprios para consumo e descartados, conforme prevê a legislação estadual.
André Duch explica que a medida costuma ser interpretada como punição ao produtor, mas ressalta que o principal objetivo é impedir que alimentos potencialmente contaminados cheguem ao consumidor.
“Quando não existe controle sanitário da produção, não é possível assegurar que aquele alimento oferece condições seguras para consumo. O descarte é uma medida de proteção à saúde pública”, afirma.
Consumidor deve observar selo de inspeção
Especialistas orientam que, antes de adquirir qualquer queijo, o consumidor verifique se o produto possui selo oficial de inspeção, observe as condições de conservação e prefira estabelecimentos regularizados.
Embora análises laboratoriais consigam identificar falhas de higiene em alguns produtos, elas não substituem o controle realizado ao longo de toda a cadeia produtiva. Doenças presentes no rebanho, por exemplo, nem sempre podem ser detectadas apenas por exames feitos no alimento pronto.
Por isso, a inspeção sanitária continua sendo considerada a principal garantia de que o produto foi elaborado dentro dos padrões exigidos para consumo seguro.






