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Home Colunas

O candidato ‘Pastel’

Por Ediel Ribeiro
25 de junho de 2026 - 11:16
em Colunas
O candidato ‘Pastel’

Reprodução / X

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Rio – A campanha de Flávio Bolsonaro está subindo no telhado.

Houve muitas críticas no PL (Partido Liberal) à queda do senador nas pesquisas de intenção de voto para a presidência da República. Valdemar da Costa Neto, o presidente, já cogita convidar Michelle Bolsonaro para apagar o incêndio. 

Lideranças do Centrão, no entanto, rejeitam o nome de Michelle para a sucessão presidencial. Michelle, cujo único parente que não tá preso é a filha menor Laura, não é vista pela extrema direita como uma candidata de peso.

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Flávio Bolsonaro não é Jair. Empresário e advogado conservador, Flávio não é nem sombra do que foi Jair Bolsonaro. Não tem o carisma, os votos e a autoridade do pai. Só herdou a falta de inteligência e a ganância. 

Nos últimos dias, com as quedas de intenção de votos da sua candidatura, o parlamentar anda pelos cantos, triste, cabisbaixo, deprimido, ouvindo Wando e pensando em se matar.

A comissão de campanha de Flávio se reuniu as pressas, na última sexta-feira, para dar uma nova direção à campanha do parlamentar. A idéia é evitar que Flávio cometa o haraquiri. 

As novas revelações do envolvimento incestuoso de Flávio com Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master, que destinou mais de 10 milhões de dólares ao clã Bolsonaro, azedou de vez a candidatura do Zero 1.

Valdemar reagiu:

– Meu Deus, Flávio! Você tá mais colado no Vorcaro que a Michelle no cangote do maquiador. Desta vez, qual foi o motivo do encontro com o banqueiro?

– Carência.

Políticos e aliados têm  evitado defender ou se distanciado de Flávio, principalmente após o desgaste com o Banco Master. Romário, Ciro Noqueira, Hugo Motta, Ronaldo Caiado, Nikolas Ferreira e Romeu Zema já fizeram críticas públicas ao candidato.

Para piorar, Eduardo Bolsonaro, o filho zero 3 de Bolsonaro, segue sendo o camisa dez do time de Lula. O ex-deputado é capaz de dizer cada semana uma imbecilidade maior do que a da semana anterior. A última, foi defender o sistema de pagamento americano  Zelle,  mais caro, mais lento e mais inconfiável que o PIX, dando razão ao Lula que insiste em dizer que a família Bolsonaro defende os interesses americano contra o Brasil.

– Precisamos de uma estratégia agressiva para reverter esta situação. – disse, Rodrigo Saccone, assessor de imprensa do senador. – Ronaldo Caiado, Renan Santos, Aécio Neves, Augusto Cury, Romeu Zema, Samara Martins e até o Joaquim Barbosa já estão colados no seu calcanhar, pedindo passagem.

– O que você sugere? – quis saber Flávio.

– Tive pensando em usarmos de novo o golpe da facada. Deu certo com o Jair. Desta vez com sangue, claro. – sugeriu o assessor.

– Não podemos usar o plano da facada. As pessoas não vão acreditar. Muita gente até hoje não acreditou naquela cena. Até no filme Dark Horse ficou fake! E depois, eu choro quando vejo sangue. – disse.

– Fora isso, só um tiro, como o de Donald Trump, na orelha, de raspão. – sugeriu o assessor.

– Nada de facada nem tiros! Tô fora! – gritou o senador.

– Senador, em meio à crise gerada pela divulgação de negociações e áudios envolvendo o senhor e o banqueiro Daniel Vorcaro, só algo muito agressivo. Um dilúvio, uma praga de gafanhotos… mas a produção sairia muito cara e o Vorcaro já disse que não vai financiar mais nenhuma outra produção.

O assessor deu um tapa na testa:

– Tive uma ideia! Vamos pra feira comer pastel.

– Pastel de feira? Ficou louco! Daqui a pouco você vai me pedir para subir um morro, abraçar pobre e beijar crianças remelentas! 

– Não há nada que alavanque mais uma campanhas eleitoral em queda que uma visita às feiras livres. Nós marketeiros chamamos este fenômeno de “temporada do pastel”. Essa tradição consolidou-se como um verdadeiro rito de passagem para candidatos que desejam projetar uma imagem de proximidade com o eleitorado, transmitindo simplicidade e gerando grande repercussão na mídia.

– Tem certeza? – disse o senador, coçando a cabeça.

– Já preparei um roteiro: o senhor chega cercado de assessores e câmeras, faz um esforço visível para parecer natural e degusta a iguaria no meio do público. Não esqueça de limpar a boca com aqueles horríveis guardanapos e deixar cair caldo de cana e farelo nas roupas. O povo gosta disso. O objetivo semiótico por trás desse ato é apagar a distância social entre a elite política e a população trabalhadora, mostrando que o nosso candidato é popular, consome o mesmo alimento que o “povo. E ganhar as eleições, claro.

Políticos de diferentes espectros ideológicos — indo de Fernando Haddad, Rosangela Moro a Marconi Perillo — já registraram suas passagens por bancas de feira para se misturar com os eleitores e tentar resgatar popularidade, em momentos de crise. Até jornais internacionais, como o e El País, já cobriram dias de campanha em feiras livres,  no Brasil, observando como o pastel divide espaço com o humor e a realidade política do país. 

De repente, gritos e correria na feira. Em uma barraca próxima, Lula comia uma buchada e bebia cachaça, cercado por uma multidão.

O assessor foi demitido.

Tags: ColunaEdiel Ribeiroeleições 2026Flávio BolsonaroFolha de Minashumor políticoMarketing Eleitoralopiniãopolíticasátira
Ediel Ribeiro

Ediel Ribeiro

"Coluna do Ediel" Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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