O avanço dos preços dos alimentos voltou a pesar sobre o custo de vida dos brasileiros em maio e foi o principal responsável pela inflação registrada no período. Dados divulgados nesta sexta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou o mês com alta de 0,58%.
Embora o resultado represente uma desaceleração em relação aos índices observados em março e abril, o acumulado da inflação em 12 meses atingiu 4,72%, ultrapassando o limite superior da meta definida pelo governo federal.
O índice ficou acima das expectativas do mercado financeiro. Analistas consultados pelo Banco Central projetavam uma inflação de 0,48% para maio.
Comida mais cara domina inflação
Dos nove grupos de despesas monitorados pelo IBGE, alimentação e bebidas foi o que registrou a maior variação mensal, com alta de 1,33%.
Na prática, isso significa que os alimentos responderam por aproximadamente metade da inflação total do mês.
Entre os produtos que mais pressionaram o orçamento das famílias estão itens básicos do dia a dia. A batata inglesa liderou os aumentos, acumulando alta de 44,69% apenas em maio. Também registraram forte elevação os preços do tomate (20,62%), da cebola (16,8%) e das carnes (1,39%).
O movimento mantém uma tendência observada desde o início do ano. Foi o terceiro mês consecutivo em que a inflação dos alimentos superou a marca de 1%.
Nos cinco primeiros meses de 2026, o grupo alimentação e bebidas acumula aumento de 4,81%.
Segundo o IBGE, a combinação entre menor oferta de alguns produtos agrícolas, aumento dos custos logísticos e encarecimento de insumos utilizados na produção rural contribuiu para a alta dos preços.
Energia elétrica também pesa no bolso
Outro fator importante para a inflação de maio foi o aumento da conta de luz.
O grupo habitação apresentou alta de 1,22%, impulsionado principalmente pela energia elétrica residencial, que ficou 3,67% mais cara.
A cobrança da bandeira tarifária amarela foi uma das razões para o reajuste. O sistema acrescenta um valor extra à conta dos consumidores em períodos de menor disponibilidade de geração de energia.
Além disso, reajustes tarifários autorizados em diferentes distribuidoras do país também influenciaram o resultado nacional.
Entre todos os produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, a energia elétrica foi o item individual que mais contribuiu para o avanço da inflação no mês.
Combustíveis ajudam a conter avanço maior
Se os alimentos e a energia puxaram os preços para cima, os combustíveis ajudaram a evitar uma inflação ainda maior.
O setor de transportes foi o único dos nove grupos pesquisados que apresentou queda de preços em maio.
A redução foi puxada principalmente pelos combustíveis, que ficaram, em média, 1,95% mais baratos.
O etanol registrou recuo de 6,2%, enquanto o diesel caiu 2,34% e a gasolina teve redução de 1,46%.
A queda da gasolina foi o principal fator de alívio dentro do índice geral, reduzindo parte da pressão inflacionária provocada pelos alimentos.
Inflação volta a superar limite da meta
Com o resultado de maio, o acumulado do IPCA em 12 meses alcançou 4,72%, ultrapassando o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.
Atualmente, o centro da meta é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Dessa forma, o limite máximo permitido é de 4,5%.
Foi a primeira vez desde outubro de 2025 que a inflação acumulada ultrapassou esse patamar.
Pelas regras em vigor desde o início deste ano, o descumprimento formal da meta ocorre caso a inflação permaneça fora do intervalo permitido durante seis meses consecutivos.
Pressão continua espalhada pela economia
Outro dado observado pelo IBGE foi o índice de difusão, indicador que mede quantos produtos e serviços apresentaram aumento de preços.
Em maio, 65% dos 377 itens pesquisados registraram alta, demonstrando que a pressão inflacionária permanece relativamente espalhada pela economia.
O grupo de serviços, considerado mais sensível ao ritmo da atividade econômica, acumulou inflação de 5,97% em 12 meses. Já os preços monitorados, como energia e combustíveis, avançaram 5,85% no mesmo período.






