A indústria da construção civil encerrou 2024 com 2,5 milhões de trabalhadores ocupados em todo o país e uma massa salarial de R$ 95,6 bilhões. Os dados fazem parte da Pesquisa Anual da Indústria da Construção, divulgada nesta quarta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Segundo o levantamento, o setor era composto por cerca de 191 mil empresas e registrou remuneração média equivalente a 2,1 salários mínimos por trabalhador. A pesquisa reúne informações sobre atividades ligadas à construção de edifícios, obras de infraestrutura e serviços especializados, como instalações elétricas, pintura e acabamentos.
Além da geração de empregos, o setor movimentou R$ 522,5 bilhões em incorporações, obras e serviços ao longo do ano, consolidando-se como uma das principais atividades econômicas do país.
Construção de edifícios concentra maior número de trabalhadores
Entre os segmentos analisados, a construção de edifícios respondeu pela maior parcela da mão de obra empregada no setor.
Ao todo, 894,8 mil pessoas trabalhavam em obras residenciais, comerciais e industriais, o equivalente a 35,7% dos ocupados na construção civil brasileira.
Os serviços especializados ficaram logo atrás, reunindo 34,4% dos trabalhadores. Já as obras de infraestrutura, que incluem rodovias, pontes, saneamento e redes de energia, concentraram 29,9% dos empregos.
Apesar de empregarem menos pessoas no total, as empresas de infraestrutura apresentaram o maior porte médio, com 39 funcionários por empreendimento. Nas construtoras de edifícios, a média foi de 13 trabalhadores por empresa. Já nos serviços especializados, o contingente médio ficou em oito funcionários.
Obras de infraestrutura lideram em remuneração
O levantamento também aponta diferenças salariais entre os segmentos.
As empresas responsáveis por obras de infraestrutura registraram a maior remuneração média, equivalente a 2,6 salários mínimos.
Na construção de edifícios, o rendimento médio foi de 1,9 salário mínimo, enquanto os serviços especializados apresentaram média de 1,8 salário mínimo.
Em 2024, o salário mínimo nacional era de R$ 1.412.
Infraestrutura e habitação lideram volume de obras
Os dados do IBGE mostram que os maiores volumes financeiros da construção civil estiveram concentrados em infraestrutura e edificações.
As obras de infraestrutura movimentaram R$ 200,9 bilhões no período. A construção de edifícios respondeu por R$ 198,9 bilhões, enquanto os serviços especializados alcançaram R$ 122,8 bilhões.
Entre os empreendimentos concluídos, o maior destaque ficou para rodovias, ferrovias, obras urbanas e obras de arte especiais, que representaram 22,8% do valor total executado.
As obras residenciais apareceram logo em seguida, com participação de 22,2%.
Mercado permanece pulverizado
A pesquisa também mediu o grau de concentração econômica do setor por meio do indicador conhecido como RC8, que calcula a participação das oito maiores empresas do mercado.
O resultado foi de 3,1%, percentual considerado baixo e que indica uma estrutura de mercado pulverizada, sem concentração significativa nas mãos de poucos grupos empresariais.
Mão de obra é o principal custo das empresas
Do lado dos gastos, a folha de pagamento continua sendo o principal componente dos custos da construção civil brasileira.
A mão de obra respondeu por 30,7% das despesas totais das empresas em 2024.
Na sequência aparecem os chamados consumos intermediários, que incluem combustíveis, manutenção de equipamentos, aluguel de máquinas e contratação de serviços, com participação de 22,5%.
Os materiais de construção representaram 22,3% dos custos, enquanto impostos, taxas, despesas financeiras e depreciação somaram 14,7%. Já os serviços e obras terceirizadas corresponderam a 9,7% dos gastos.
Setor público respondeu por um terço da demanda
A pesquisa mostra ainda a importância do poder público para a atividade da construção civil.
De cada R$ 3 movimentados pelo setor em 2024, aproximadamente R$ 1 teve origem em contratos firmados com governos municipais, estaduais ou federal.
No segmento de infraestrutura, a participação do setor público alcançou 48,2% da demanda. Já na construção de edifícios, esse percentual foi de 22,9%, enquanto nos serviços especializados ficou em 19,5%.
Segundo o IBGE, os números demonstram que os investimentos públicos continuam exercendo papel relevante principalmente nas grandes obras de infraestrutura, embora a maior parte da atividade econômica da construção civil ainda seja impulsionada pela iniciativa privada.






