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Home Notícias Economia

Mercado eleva previsão da inflação e guerra no Oriente Médio preocupa economia brasileira

Boletim Focus aponta alta pela 13ª semana seguida; pressão sobre combustíveis e alimentos mantém inflação acima da meta do Banco Central

Por Redação
8 de junho de 2026 - 10:07
em Economia

Foto: Joédson Alves/ABR. 

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A expectativa do mercado financeiro para a inflação brasileira voltou a subir e reforçou o cenário de preocupação para consumidores, empresas e autoridades econômicas. De acordo com o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (8), a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 5,09% para 5,11% em 2026, registrando a décima terceira elevação consecutiva.

O novo percentual mantém a inflação projetada acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Na prática, isso significa que o limite máximo aceitável é de 4,5%, patamar já superado pelas estimativas do mercado.

A revisão ocorre em um momento de tensão internacional provocado pela guerra no Oriente Médio, que tem impulsionado os preços do petróleo no mercado global. O encarecimento da energia tende a atingir diretamente combustíveis, transporte, logística e, consequentemente, o preço dos alimentos e de diversos produtos consumidos pelos brasileiros.

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Conflito internacional amplia incertezas

Especialistas vêm alertando que uma eventual prolongação do conflito pode dificultar ainda mais o processo de desaceleração inflacionária observado nos últimos meses.

Embora o IPCA acumulado em 12 meses tenha encerrado abril em 4,39%, ainda dentro do intervalo de tolerância da meta, o cenário internacional passou a ser um fator adicional de pressão sobre os preços. A divulgação da inflação oficial de maio, prevista para esta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), será acompanhada com atenção pelo mercado.

Além dos combustíveis, o setor de alimentos também segue como um dos principais responsáveis pelas pressões inflacionárias observadas ao longo do ano.

Selic deve permanecer elevada

O aumento das projeções para a inflação tem impacto direto sobre as expectativas para a taxa básica de juros.

Segundo o Focus, a previsão para a Selic ao final de 2026 subiu para 13,5% ao ano. O mercado passou a acreditar que o Banco Central precisará manter os juros em patamar elevado por mais tempo para conter a alta dos preços.

Atualmente, a Selic está em 14,5% ao ano, após dois cortes consecutivos promovidos pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Apesar do início do ciclo de redução dos juros, a autoridade monetária tem adotado cautela diante das incertezas internacionais.

O próximo encontro do Copom está marcado para os dias 16 e 17 de junho e deve ser acompanhado de perto por investidores, empresários e consumidores.

Crescimento econômico segue moderado

Mesmo com o cenário inflacionário mais desafiador, o mercado financeiro manteve praticamente estável sua expectativa para o crescimento da economia brasileira.

A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 passou de 1,9% para 1,91%, indicando uma economia ainda em expansão, embora em ritmo moderado.

Os analistas também mantiveram a expectativa de crescimento para os próximos anos, com avanço de 1,7% em 2027 e expansão de 2% em 2028 e 2029.

Dados recentes do IBGE mostraram que a economia brasileira cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026 em relação aos três meses anteriores, enquanto o acumulado de 12 meses registra alta de 2%.

Dólar permanece estável

Em relação ao câmbio, o mercado continua projetando relativa estabilidade para a moeda norte-americana.

A previsão é de que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,15, com leve alta para R$ 5,20 ao final de 2027.

A cotação da moeda americana também é observada como um fator relevante para a inflação, já que influencia diretamente os preços de combustíveis, insumos industriais e produtos importados.

Com inflação pressionada, juros elevados e tensões geopolíticas no radar, o segundo semestre deve continuar sendo marcado por desafios para a economia brasileira e para o Banco Central na busca pelo equilíbrio entre crescimento econômico e controle dos preços.

Tags: Banco Centralboletim Focusdólareconomia brasileirainflaçãoIPCAPIBSelic
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