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Home Notícias Brasil

Receita liga fake news do Pix à expansão de esquema bilionário do PCC em fintechs

Operação revela movimentação de R$ 26 bilhões, uso de “bancos paralelos” e avanço do crime organizado após recuo da fiscalização

Por Redação
28 de maio de 2026 - 18:02
em Brasil
Operação mira fintechs usadas pelo PCC para lavar dinheiro no setor de combustíveis

Divulgação / Receita Federal

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Uma declaração feita pela Receita Federal durante a Operação Fluxo Oculto chamou atenção nesta quinta-feira (28) ao relacionar diretamente a onda de fake news sobre uma suposta taxação do Pix ao fortalecimento de estruturas financeiras usadas pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo as investigações, seis fintechs utilizadas como “bancos paralelos” pela facção movimentaram mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025, operando em um sistema que dificultava o rastreamento de recursos ligados à lavagem de dinheiro, adulteração de combustíveis e sonegação fiscal.

Durante entrevista coletiva, o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, afirmou que o combate ao esquema esbarrou, no ano passado, em uma forte campanha de desinformação nas redes sociais.

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“Quando a Receita Federal foi fechar esta brecha, no ano passado, fomos vítimas da maior onda de fake news da história da Receita”, declarou.

A referência à fake news do Pix

A fala de Barreirinhas faz referência à crise enfrentada pelo governo federal no início de 2025, quando passou a circular nas redes sociais uma informação falsa de que o Pix passaria a ser taxado.

Na época, a Receita Federal anunciou novas regras de monitoramento de movimentações financeiras realizadas por instituições de pagamento, fintechs e plataformas digitais.

A medida ampliava a obrigação de envio de informações fiscais por empresas que operam serviços financeiros, aproximando as exigências regulatórias das fintechs às já aplicadas aos bancos tradicionais.

Apesar disso, publicações viralizaram afirmando que transferências via Pix sofreriam cobrança de impostos ou tributação automática, o que nunca foi previsto pela Receita nem pelo Banco Central.

A repercussão foi tão intensa que o governo acabou recuando e revogando parte da instrução normativa para conter a crise política e a desinformação.

Agora, segundo a Receita, aquele recuo acabou criando dificuldades adicionais para o monitoramento de movimentações suspeitas realizadas por fintechs utilizadas pelo crime organizado.

PCC teria aproveitado brecha regulatória

De acordo com Barreirinhas, as investigações revelaram que as fintechs vinham operando com menor nível de transparência em comparação às instituições financeiras tradicionais.

“É importante lembrar que tínhamos, no Brasil, um vácuo regulatório, um vácuo de governança que permitia às fintechs atuarem sem a mesma transparência, sem os mesmos deveres que são impostos há duas décadas aos bancos”, afirmou.

Segundo a Receita Federal, uma das empresas investigadas chegou a movimentar mais de R$ 1 bilhão em dinheiro vivo.

“Só uma delas movimentou, em dinheiro vivo, mais de R$ 1 bilhão, o que nem deveria ser possível no caso das fintechs. Claramente, um sinal de lavagem de dinheiro de recursos do crime organizado”, disse o secretário.

Como funcionava o esquema

A Operação Fluxo Oculto é um desdobramento da Operação Carbono Oculto, considerada uma das maiores investigações já realizadas no país contra a infiltração do PCC na economia formal.

As apurações apontam que a facção utilizava fintechs para criar uma espécie de sistema financeiro paralelo.

O modelo funcionava por meio das chamadas “contas-bolsão”, estruturas que concentravam recursos de diversos clientes em uma única conta antes de redistribuí-los para outros destinatários.

Segundo os investigadores, isso dificultava a identificação da origem e do destino final do dinheiro.

Além das fintechs, o esquema envolvia distribuidoras de combustíveis, postos, empresas de fachada, fundos de investimento e operadores ligados ao PCC.

Combustível adulterado e fundos milionários

Outro eixo da investigação envolve o desvio de nafta petroquímica, um solvente utilizado pela indústria química e que, segundo o Ministério Público, era direcionado ilegalmente para a adulteração de combustíveis vendidos ao consumidor.

Empresas de fachada simulavam operações industriais para adquirir o produto com vantagens tributárias e depois desviá-lo para distribuidoras ligadas ao esquema.

As autoridades também identificaram quatro fundos de investimento suspeitos de integrar a estrutura de ocultação patrimonial.

Juntos, eles acumulam patrimônio estimado em R$ 205 milhões e registraram crescimento superior a 200% em pouco mais de um ano.

Operação cumpre mandados em cinco estados

A força-tarefa deflagrada nesta quinta-feira cumpre 59 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Mato Grosso do Sul.

Participam da ação o Ministério Público de São Paulo, Receita Federal, Agência Nacional do Petróleo (ANP), Secretaria da Fazenda paulista, Procuradoria-Geral do Estado e as polícias Civil e Militar.

Para os investigadores, a nova fase da operação demonstra que, mesmo após a Carbono Oculto, o PCC conseguiu se reorganizar e ampliar sua estrutura financeira, exigindo novas ações para tentar sufocar o fluxo de recursos da organização criminosa.

Tags: combustíveisfintechslavagem de dinheiroOperação Fluxo OcultoPCCPixReceita FederalRobinson Barreirinhas
Redação

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