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Depoimentos ampliam pressão sobre Dr. Jairinho no júri do caso Henry Borel

Médica relata que menino chegou morto ao hospital, defesa consegue liminar no meio do julgamento e acusação reforça tese de agressões anteriores

Por Redação
28 de maio de 2026 - 10:57
em Brasil
Depoimentos ampliam pressão sobre Dr. Jairinho no júri do caso Henry Borel

Foto: Brunno Dantas / TJRJ

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O terceiro dia do julgamento de Jairo Souza Santos Júnior e Monique Medeiros foi marcado por novos depoimentos considerados decisivos pela acusação, além de uma reviravolta jurídica envolvendo a estratégia da defesa do ex-vereador.

A sessão realizada no 2º Tribunal do Júri, no centro do Rio de Janeiro, teve como um dos momentos mais fortes o depoimento da pediatra Maria Cristina de Souza, médica que participou do atendimento de Henry na madrugada de 8 de março de 2021.

Segundo ela, a criança chegou ao Hospital Barra D’Or sem sinais vitais.

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“Henry já chegou à unidade sem pulso e estava tecnicamente morto”, afirmou a médica ao júri.

Tentativa de reanimação mobilizou equipe médica

A pediatra contou que Henry foi levado imediatamente para os procedimentos de emergência e recebeu atendimento em menos de um minuto após dar entrada no hospital.

Segundo o depoimento, a equipe médica realizou massagem cardíaca, aplicação de adrenalina e intubação durante cerca de duas horas na tentativa de reanimar a criança.

Maria Cristina afirmou que os médicos chegaram a cogitar interromper o protocolo de ressuscitação, mas decidiram continuar após a chegada de Leniel Borel.

“Quando a equipe já avaliava encerrar o protocolo, encontramos Leniel. Ele pediu para que não desistíssemos de seu filho”, relatou.

A médica também afirmou que Henry apresentava hematomas e marcas arroxeadas em diversas regiões do corpo, incluindo tórax, abdômen, punhos e coxas. Segundo ela, as lesões eram compatíveis com as imagens registradas pelas câmeras do elevador do condomínio onde a criança morava.

Defesa consegue decisão favorável no meio do júri

O julgamento também foi marcado por uma disputa jurídica envolvendo a ordem dos interrogatórios dos réus.

A defesa de Dr. Jairinho conseguiu uma liminar na 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro garantindo que o ex-vereador seja ouvido apenas depois do depoimento de Monique Medeiros.

O pedido já havia sido negado pela juíza Elizabeth Machado Louro no início da sessão, mas a defesa recorreu durante o andamento do júri.

Segundo os advogados Rodrigo Faucz e Alanis Matzembacher, Jairinho precisa conhecer previamente o teor das acusações feitas por Monique antes de prestar depoimento.

“Não é possível que aquele que está sendo acusado tenha de se manifestar antes da acusação”, afirmou Faucz.

Psiquiatra falou em “padrão de perversidade”

Além da pediatra, o júri também ouviu o psiquiatra Rafael Bernardon Ribeiro, contratado por Leniel Borel para elaborar parecer anexado ao processo.

O especialista afirmou que identificou relatos compatíveis com repetição de agressões contra crianças ligadas ao convívio de Jairinho.

Segundo o médico, os episódios analisados indicariam “padrão de perversidade” e prazer em provocar sofrimento físico em crianças pequenas.

A defesa contestou o depoimento, alegando que o psiquiatra nunca entrevistou diretamente os réus.

Julgamento já havia sido adiado anteriormente

O júri atual ocorre após o primeiro julgamento ter sido interrompido em março deste ano, quando os advogados de Jairinho abandonaram o plenário após pedidos negados pela magistrada.

Na ocasião, a defesa alegou falta de acesso integral às provas do processo.

O caso Henry Borel se tornou um dos mais emblemáticos do país e resultou na criação da Lei Henry Borel, sancionada em 2022 para ampliar mecanismos de proteção de crianças vítimas de violência doméstica.

Réus respondem por homicídio e tortura

Dr. Jairinho responde por homicídio triplamente qualificado, tortura, fraude processual e coação no curso do processo.

Já Monique Medeiros é acusada de homicídio qualificado, tortura por omissão e participação na tentativa de ocultar as agressões sofridas pelo filho.

A expectativa é que o julgamento siga pelos próximos dias até a definição do Conselho de Sentença.

Tags: Dr. JairinhoHenry Borelhospital Barra D'OrLei Henry BorelMonique MedeirosRio de Janeirotribunal do júri
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